Lista de Poemas

De Bolívar e da Pátria Grande

Bolívar, adormecido,
visto assim, ao longe, 
é um vendaval festivo
da liberdade que tange

imensamente latino,
dança todos os Andes
como se fora um carnaval
de todas as falanges

Bolívar é toda uma américa
deitada na Pátria Grande
36

Da objetivação do triste

a tristeza,
quando vontade,
é só um disfarce
da alegria em que se cabe

sofrer
é um nó mal feito
que o prazer desfaz
dentro do peito

sempre cabe um riso
quando o triste é feito
das construções objetos
do sujeito
73

Do futuro em atos e esperança

as ondas do futuro
em sua dança
aparentam, displicentes,
 o jeito da esperança

em verdade, 
como antevisões de atos,
desenrolam o presente
como cordões de fatos

o tempo gosta de ver-se
nos reflexos que exala
85

Elza em jornada

Elza tinha na voz
como uma revoada
vinte mil  pássaros
navegando suas asas

Elza tinha na bôca
um comício itinerante
no derramar-se humana
em palavras e cantos

Elza dormia sua negritude
em futuros acalantos 
99

Ode aos 70

aos setenta
dou-me à rebeldia
de armazenar as horas
como dias 

a emoção, urgente,
um pouco gasta,
derrama-se incauta
no vão de lágrimas 

o tempo nos anoitece
como uma grande dádiva
85

Das materialidades intensas e energias

quando o tempo 
teima em descansar,
no transverso dos fatos,
o mundo é meu gongá

e a vontade permite,
num jeito de resistência,
trazer no meio dos passos
os enredos da consciência

e o orixá aparece,
como energia sem fim
como se fosse um decreto
que a paz joga em mim
68

Reminiscências de águas infantes

em ondas, desarrumada,
a cheia monta o rio
como um carnaval de águas
em busca de navios

o menino, maravilhado,
vestido das margens
imagina seus açudes
em todas essas águas

a cheia, o menino e as águas
nem percebem a tarde
e a disposição da vida
em se tornar saudade
64

Previsões consentidas

o destino
é só um caminho
que o homem, no tempo,
vai consentindo

101

Negra percussão da vida

negro,
o país tramita,
entre o preconceito 
e a polícia

e as áfricas dormidas,
em suas costas,
constroem desejos
pelas portas

um dia chegarão escuros
nos ombros da revolta
19

Patrice Lumumba em trânsito

Lumumba, dissolvido,
engravida a história
e pesa todos os quilos
no porto extenso da memória 

no vão de seus ombros,
o Congo passeia negro
a luta intensa do povo
em milhares de enredos 

a África soluça e ri
na dança de seus medos 
89

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.