nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
Da fome em sol, dias e calçadas
o sol,
translúcida vertente,
engole a noite
mansamente
a calçada, impunemente,
já em madrugada,
guarda humanos em seu leito
em fomes aprazadas
o dia, intensamente faminto,
deixa-se fluir envergonhado
translúcida vertente,
engole a noite
mansamente
a calçada, impunemente,
já em madrugada,
guarda humanos em seu leito
em fomes aprazadas
o dia, intensamente faminto,
deixa-se fluir envergonhado
102
Transverso sentimento em avessos fáticos
rasgo minha tristeza
com os risos que alinhavo
e os pensares que construo
das cicatrizes que trago
cada riso,
assim atravessado,
lambuza o pensamento
de futuros e passados
nas circunstâncias da luta
o tempo é um rio desatado
com os risos que alinhavo
e os pensares que construo
das cicatrizes que trago
cada riso,
assim atravessado,
lambuza o pensamento
de futuros e passados
nas circunstâncias da luta
o tempo é um rio desatado
114
Andanças em mim em atalhos
quando passeio por mim
nas estradas que consigo
deixo-me a caminho
de estar sempre comigo
das encruzilhadas
postas como discurso
dou-me mais a vê-las
grávidas do futuro
e tanjo-me nos atalhos
que mantenham meu rumo
nas estradas que consigo
deixo-me a caminho
de estar sempre comigo
das encruzilhadas
postas como discurso
dou-me mais a vê-las
grávidas do futuro
e tanjo-me nos atalhos
que mantenham meu rumo
78
Normativo em acelerada vazão
a norma,
nos artigos deitada,
marcha suas ordens
em imposta caminhada
grávida de interesses
em alíneas e notas
tange os homens
aos parágrafos da revolta
e a compreensão de si
é tudo que a revoga
nos artigos deitada,
marcha suas ordens
em imposta caminhada
grávida de interesses
em alíneas e notas
tange os homens
aos parágrafos da revolta
e a compreensão de si
é tudo que a revoga
61
Dos bólides em volitivos rasantes
a nave, incandescente,
morde o céu em seu repente
como se fora um pássaro
de voo intransigente
desenhando o tempo
em seu rumo, declarado,
invalida todos os ventos
nesse pulo apressado
dos destinos a que se presta
a lua é só um recato
da vontade de, máquina,
deixar-se sempre no espaço
morde o céu em seu repente
como se fora um pássaro
de voo intransigente
desenhando o tempo
em seu rumo, declarado,
invalida todos os ventos
nesse pulo apressado
dos destinos a que se presta
a lua é só um recato
da vontade de, máquina,
deixar-se sempre no espaço
81
Um passo à frente, dois atrás
a vontade,
posta como fato,
esquece a necessidade
da concretude dos atos
a realidade,
aceita apenas o desejo
como ação explícita
de todos os passos do enredo
o desejo e a vontade afoitos
são um descuido do medo
posta como fato,
esquece a necessidade
da concretude dos atos
a realidade,
aceita apenas o desejo
como ação explícita
de todos os passos do enredo
o desejo e a vontade afoitos
são um descuido do medo
32
Laçadas oníricas em recorrência
menino,
envergonhado,
eu sonhava o futuro
como um grande laço
nas cordas que pude,
laçava o tempo
e todos os desejos
do pensamento
esse brincar do futuro
é um sonho recorrente
envergonhado,
eu sonhava o futuro
como um grande laço
nas cordas que pude,
laçava o tempo
e todos os desejos
do pensamento
esse brincar do futuro
é um sonho recorrente
109
Veredas em sertão dizentes
o sertão,
adredemente calculado,
comenta todos os sóis
em que esteja espalhado
e no trânsito dos gestos
dos ventos que pressente
deixa calores escondidos
nas chuvas que consente
o sertão é um mar vazio,
encabulado e reticente
adredemente calculado,
comenta todos os sóis
em que esteja espalhado
e no trânsito dos gestos
dos ventos que pressente
deixa calores escondidos
nas chuvas que consente
o sertão é um mar vazio,
encabulado e reticente
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Comentários (10)
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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.