nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
Temporária distração da vida
o tempo tem disfarces
o jeito de senti-lo
é a régua exata
que lhe cabe
avesso a pouco espaço
resta-lhe a eficácia
de permanecer incólume
mesmo assim variado
a física que cuide assim
de mantê-lo inalterado
o jeito de senti-lo
é a régua exata
que lhe cabe
avesso a pouco espaço
resta-lhe a eficácia
de permanecer incólume
mesmo assim variado
a física que cuide assim
de mantê-lo inalterado
58
Ao Camarada Stuart Edgar Angel Jones II
Camarada Stuart
do vão da tua lembrança
chovem todos os brasis
que guardamos na esperança
Camarada Stuart,
mesmo que não pressintas,
teu jeito preenche o tempo
da luta que o povo habita
Camarada Stuart,
nada como navegar, assim explícitos,
nos mares de todos,
a condição de comunista
do vão da tua lembrança
chovem todos os brasis
que guardamos na esperança
Camarada Stuart,
mesmo que não pressintas,
teu jeito preenche o tempo
da luta que o povo habita
Camarada Stuart,
nada como navegar, assim explícitos,
nos mares de todos,
a condição de comunista
88
Operária fuga em vertente declarada
o operário,
cerzido à máquina,
recolhe os produtos
de suas mágoas
botão virtual em série,
de quase humana lógica,
engole algoritmos
no vão de suas portas
construtor do mundo,
dá-se ao rompante
de alinhavar o futuro
nos sonhos que tange
cerzido à máquina,
recolhe os produtos
de suas mágoas
botão virtual em série,
de quase humana lógica,
engole algoritmos
no vão de suas portas
construtor do mundo,
dá-se ao rompante
de alinhavar o futuro
nos sonhos que tange
48
A Thiago de Mello, pássaro verbal
Thiago,
fora da cena,
dorme nas palavras
seu último poema
nos verbos que voou,
pássaro, agora avulso,
desmancha-se pleno
em todo seu discurso
Thiago agora é viajante
em todos os seus cursos.
fora da cena,
dorme nas palavras
seu último poema
nos verbos que voou,
pássaro, agora avulso,
desmancha-se pleno
em todo seu discurso
Thiago agora é viajante
em todos os seus cursos.
53
Da construção sistêmica da felicidade
a cada palmo do perto
que a vida esteja do riso
deixe-se estar navegante
montado em seus sentidos
é que nas léguas distantes
dos impropérios do tempo
cabe surfar todas as ondas
nas jangadas do pensamento
a felicidade é uma construção
da nossa coletiva consistência
que a vida esteja do riso
deixe-se estar navegante
montado em seus sentidos
é que nas léguas distantes
dos impropérios do tempo
cabe surfar todas as ondas
nas jangadas do pensamento
a felicidade é uma construção
da nossa coletiva consistência
69
Velha intervenção dos pruridos do tempo
no aparente avesso do espaço
o tempo da-se como lida
dos contratempos do mundo
em todas suas medidas
e ajuizado como valor
de decrescente subida
tem-se como infrator
dos prazeres que ainda habita
o tempo mora no homem
como um hóspede da vida
tudo que lhe lucra
é tê-lo como dívida
o tempo da-se como lida
dos contratempos do mundo
em todas suas medidas
e ajuizado como valor
de decrescente subida
tem-se como infrator
dos prazeres que ainda habita
o tempo mora no homem
como um hóspede da vida
tudo que lhe lucra
é tê-lo como dívida
69
verso em contrição
como o universo,
deixo-me aflito:
para onde expandir
todos meus infinitos?
como um pássaro
avanço resumido
as léguas de mim
que contrito exercito
tudo que me basta
é navegar este exercício
deixo-me aflito:
para onde expandir
todos meus infinitos?
como um pássaro
avanço resumido
as léguas de mim
que contrito exercito
tudo que me basta
é navegar este exercício
138
Interligações em verbos e constâncias
o poema
imprime cicatrizes
as que venham do verbo
e as que se digam raízes
umas a doer no cérebro
outras a construir marquises
o poema entorna o mundo
como uma grave cascata
das contradições e do futuro
que põe no colo das palavras
imprime cicatrizes
as que venham do verbo
e as que se digam raízes
umas a doer no cérebro
outras a construir marquises
o poema entorna o mundo
como uma grave cascata
das contradições e do futuro
que põe no colo das palavras
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Comentários (10)
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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.