nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
Infringências oníricas do sonho e seu enredo
das margens do desejo,
em profundas ondas,
o homem navega, adredemente,
tudo que se sonha
o sonho
na jusante do seu desejo
navega o sujeito, farto,
nos recalques do medo
desejo e sonho, abraçados,
constroem as tardes do cedo
em profundas ondas,
o homem navega, adredemente,
tudo que se sonha
o sonho
na jusante do seu desejo
navega o sujeito, farto,
nos recalques do medo
desejo e sonho, abraçados,
constroem as tardes do cedo
77
Da espacial revolta dos bólides
a cápsula
como bólide liberto
deixa-se espalhar
como um largo gesto
eivada de cálculos
em seus trajetos
inventa labirintos
como manifestos
e nesse passear,
como um protesto,
lança no espaço
uma foto 3x4 do universo
como bólide liberto
deixa-se espalhar
como um largo gesto
eivada de cálculos
em seus trajetos
inventa labirintos
como manifestos
e nesse passear,
como um protesto,
lança no espaço
uma foto 3x4 do universo
53
Passado em desoras
o passado
é só um descuido
dos futuros que se larga
nos ombros do mundo
como tempo
resta-lhe o rompante
de viver dançando
na cabeça dos homens
deixar-se pelas horas
é a lógica de seus planos
é só um descuido
dos futuros que se larga
nos ombros do mundo
como tempo
resta-lhe o rompante
de viver dançando
na cabeça dos homens
deixar-se pelas horas
é a lógica de seus planos
70
Africano mote de memória bruta
as Áfricas que trago
no berço do coração
remontam todos os anos
que trago pelas mãos
assim trançadas no peito
como uma memória infinita
mede todas as léguas
que a gente guarda na vida
a África é uma cachoeira
de todas as medidas
no berço do coração
remontam todos os anos
que trago pelas mãos
assim trançadas no peito
como uma memória infinita
mede todas as léguas
que a gente guarda na vida
a África é uma cachoeira
de todas as medidas
58
Primeiro verso à minha pátria
Primeiro verso à minha pátria
I
no peito da rua
a pátria existe
dilacerado vão
da vida em riste
meu verso
apenas trata da pátria
como da sofreguidão
das amantes tardias
minha terra
ainda não tem a compostura
que a pátria que eu sonhei dizia
ela escapa dos dedos
como o trigo mais fugaz
como o suor que acende
o riso dos canaviais
minha pátria é compulsória
com a mesma desfaçatez
das grandes auroras
antes que azul
melhor pensa-la e
dize-la ensolarada
assim em ondas
numa luz que coubesse
em todas as sombras
e que tivesse a semelhança
de um ato incalculado
onde o humano fosse a razão
de nunca se estar calado.
II
minha pátria geral
apesar de tanta
vive-me engasgada
na lembrança
como um sonho inconsumível
e uma vasta esperança
minha pátria
não diz na geografia
os quilos de meus irmãos
que consumia
apenas aflora-lhe à boca
um verbo intransponível
que teima em ser palavra
na sua face de míssil
III
minha pátria difere do povo
não pelos seus jeito e gestos
mas por tudo que em sua ação
teima em ter um gosto inverso
e mesmo nas vezes
em que é joões e marias
esconde nesgas de enfado
em ver-se ssim em teimosia
minha pátria consome
em seu mister mais avaro
o coração desses homens
que lhe sabem amarga
IV
mas no seu íntimo
como um grande escudo
minha pátria resguarda
a prontidão do seu futuro
em que estará liberta
de ser pátria em tudo
e habitará somente os homens
como um universo único
I
no peito da rua
a pátria existe
dilacerado vão
da vida em riste
meu verso
apenas trata da pátria
como da sofreguidão
das amantes tardias
minha terra
ainda não tem a compostura
que a pátria que eu sonhei dizia
ela escapa dos dedos
como o trigo mais fugaz
como o suor que acende
o riso dos canaviais
minha pátria é compulsória
com a mesma desfaçatez
das grandes auroras
antes que azul
melhor pensa-la e
dize-la ensolarada
assim em ondas
numa luz que coubesse
em todas as sombras
e que tivesse a semelhança
de um ato incalculado
onde o humano fosse a razão
de nunca se estar calado.
II
minha pátria geral
apesar de tanta
vive-me engasgada
na lembrança
como um sonho inconsumível
e uma vasta esperança
minha pátria
não diz na geografia
os quilos de meus irmãos
que consumia
apenas aflora-lhe à boca
um verbo intransponível
que teima em ser palavra
na sua face de míssil
III
minha pátria difere do povo
não pelos seus jeito e gestos
mas por tudo que em sua ação
teima em ter um gosto inverso
e mesmo nas vezes
em que é joões e marias
esconde nesgas de enfado
em ver-se ssim em teimosia
minha pátria consome
em seu mister mais avaro
o coração desses homens
que lhe sabem amarga
IV
mas no seu íntimo
como um grande escudo
minha pátria resguarda
a prontidão do seu futuro
em que estará liberta
de ser pátria em tudo
e habitará somente os homens
como um universo único
70
Poema de circunstância tempestiva
o velho chorava
e nem vivia
os séculos líquidos
que a lógica do seu olhar
amanhecia
o jovem ria
e nem sentia
os quilos de razão
que a lógica de sua boca
pressentia
e nem vivia
os séculos líquidos
que a lógica do seu olhar
amanhecia
o jovem ria
e nem sentia
os quilos de razão
que a lógica de sua boca
pressentia
57
Das mortes que vivo
sempre que morro
teço a vida
eis a consistência
de estar vivo
nos verbos e na carne
assim resumido
tudo se restringe
a esse ambíguo:
a morte é um jeito
de construir sentidos
a dialética de mim
é este armistício
teço a vida
eis a consistência
de estar vivo
nos verbos e na carne
assim resumido
tudo se restringe
a esse ambíguo:
a morte é um jeito
de construir sentidos
a dialética de mim
é este armistício
87
Dialética menção das quantidades em trânsito
num salto informe
explode a quantidade
e deita-se, assim diversa,
em libertar-se qualidade
dos vincos da matéria
escondida nos números
a generalidade da vida
arquiteta futuros
a dialética é um revoar intenso
das possibilidades em curso
explode a quantidade
e deita-se, assim diversa,
em libertar-se qualidade
dos vincos da matéria
escondida nos números
a generalidade da vida
arquiteta futuros
a dialética é um revoar intenso
das possibilidades em curso
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Comentários (10)
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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.