a mata grávida de tanto aborta aos poucos gritos de carbono
indigena, o tempo regurgita, nos ombros das árvores, folhas, mercúrio e notícias
em cada desvão do mundo o crime desaba a vida
62
Feições em relato subjacente
o espelho é quase um trânsito entre o homem e o seu espanto
ver-se, um tanto outro, no desfazer-se de egos em alvoroço
o reflexo, às vezes, singra descaminhos interiores como uma nave alheia de sentimentos e poses
70
Teatros em escala
as cortinas da vida são palcos esquecidos onde as coxias do mundo ensaiam seus gritos
e viajantes da peça cumprimos os compassos das ações que nos deixam atores sem espaço
o teatro do mundo é um futuro esperado
51
Do balançar dos gestos em rasante rebeldia
dos ventos tenha-se a compostura de espalhar o tempo no vão das lutas
brisa e furacão, adredemente, como se fora aurora de todos os poentes
a vida é um vagão de todos os trilhos que consente
64
Da intercorrência onírica da humana mercadoria
o trabalho cheio do mundo, em sinergia, rompe músculos e sonhos em urgentes mais-valias
o homem, desapropriado, producente investida é um decreto intransigente da recorrência da vida
o tempo só argumenta os futuros em que vigia como uma nave imensa nas pistas oníricas do dia
34
Da África em passos e povo
a África pelas ruas nem é continente é uma bailarina furtiva tangendo sua presença
é que nos passos em que cabem todos seus viventes passeia a dança do povo nos ombros do continente
como não ter a África tatuada em cada mente nesse roldão de andanças que o povo em dança consente
52
Vivência em desatado prumo
o verdadeiro estratagema é sentir o que se pensa deitando o verbo no fato nos rios da consciência e desembocar no tempo como uma hora indivisa que junta todos a tudo nos cobertores da vida
75
Do poema em fluvial deslize
o poema não é um rio sua correnteza é fictícia tudo que lhe navega são os verbos da vida suas cachoeiras nessa empreitada são os vulcōes verbais embrulhados nas palavras entornam a poesia como uma jornada daquilo que se sente quando o tempo fala e joga sentimentos no colo da alma
81
Das razões e freios do medo
das inflações do medo rasuras do sujeito dê-se tardes ao tempo nas sanções do peito
deitá-lo na vontade como um gesto largo é ato dos movimentos de mantê-lo estático
o mêdo é só um laço que antecede nosso brado reconhecê-lo é só início é mantê-lo ultimado
80
Das metragens do tempo em retrato
o tempo da história como serpente tramita todas as horas numa estranha urgência
largo e descontraído engole nossos minutos e ri dos tamanhos que pomos no futuro
a ânsia de cometê-lo é só um desconforto dos mares que navegamos em busca de porto
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.