nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
Marighella em ondas recorrentes
Carlos Marighella
debruçado na rua
é uma bandeira exata
do sentido da luta
morto,
vive tão profundamente
que nem se apercebe
das vidas que consente
Marighella é um mar
de ondas recorrentes
debruçado na rua
é uma bandeira exata
do sentido da luta
morto,
vive tão profundamente
que nem se apercebe
das vidas que consente
Marighella é um mar
de ondas recorrentes
138
Da África em resumido propósito
negra
a áfrica pontifica
desde a origem
o universo humano da vida
solta pelas faces
em continentes vestígios
resume o gosto da terra
espalhado nos sentidos
a África é um pedaço vivo
de todos os humanos infinitos
132
Do amor em valsa induzida e permanente
nas brechas dos bemóis,
na valsa, mansamente,
o amor fustiga os sentidos
em ondas recorrentes
nada da noite adormece,
e nos passos, assim jogados,
o tempo ondula os sentimentos
na amplitude exata do abraço
a valsa é só complemento
das notas que criamos pelas faces
na valsa, mansamente,
o amor fustiga os sentidos
em ondas recorrentes
nada da noite adormece,
e nos passos, assim jogados,
o tempo ondula os sentimentos
na amplitude exata do abraço
a valsa é só complemento
das notas que criamos pelas faces
174
Temporais ataques em gestão perene
aos recados do tempo,
impostos com insistência,
há como avançar
os drones da paciência
é que assim deflagrados
nos veios da liberdade
transmudam todos os ritmos
dos dias e dos enfados
e se alojam em agoras
grávidos de futuros compassados
impostos com insistência,
há como avançar
os drones da paciência
é que assim deflagrados
nos veios da liberdade
transmudam todos os ritmos
dos dias e dos enfados
e se alojam em agoras
grávidos de futuros compassados
222
da saudade como lapso de tempo
a saudade
é só um distrato
entre o presente
e o passado
tudo que foi
preenche na mente
as curvas de um agora
vazio e reticente
o desejo de vivê-lo
é um recado recorrente
é só um distrato
entre o presente
e o passado
tudo que foi
preenche na mente
as curvas de um agora
vazio e reticente
o desejo de vivê-lo
é um recado recorrente
169
Das lavraturas do poema em roçados aparentes
assim lavrado
no eito das palavras
o poema é um roçado
nos canteiros da alma
flui tão desenfreado
pelas bordas da consciência
como um rio encantado
que desemboca de repente
o poema é um recado
bordado dentro da gente
ao poeta cabe colhe-lo
e bebe-lo como semente
no eito das palavras
o poema é um roçado
nos canteiros da alma
flui tão desenfreado
pelas bordas da consciência
como um rio encantado
que desemboca de repente
o poema é um recado
bordado dentro da gente
ao poeta cabe colhe-lo
e bebe-lo como semente
108
Legislativa decretação do futuro
no artigo primeiro
fica decretado:
todos os humanos
serão abraçados
e em parágrafo,
único, como instituto,
diga-se desse abraço
a amplitude de seu custo
no artigo segundo,
fique assim definido
tudo será de todos
em todos os sentidos
fica decretado:
todos os humanos
serão abraçados
e em parágrafo,
único, como instituto,
diga-se desse abraço
a amplitude de seu custo
no artigo segundo,
fique assim definido
tudo será de todos
em todos os sentidos
131
Paisagem III
o sertão adormece
como um abraço ardente
que aquece o coração
de quem lhe sente
o sol, pela terra,
traindo sua insônia,
acorda nos cactos e tange
os horizontes que sonha
o sertão é só um aviso
da parcimônia das sombras
como um abraço ardente
que aquece o coração
de quem lhe sente
o sol, pela terra,
traindo sua insônia,
acorda nos cactos e tange
os horizontes que sonha
o sertão é só um aviso
da parcimônia das sombras
260
Infantes jornadas em sonolento acinte
a calçada
rasga a carne
no sono intransigente
da cidade
o menino
coberto de papéis
bebe o frio da noite
nas letras dos jornais
o mundo ressona podre
as vergonhas em que jaz
rasga a carne
no sono intransigente
da cidade
o menino
coberto de papéis
bebe o frio da noite
nas letras dos jornais
o mundo ressona podre
as vergonhas em que jaz
170
À guisa de samba em bemóis verbais
no meio da noite desatado
como uma cachoeira incontida
o samba acorda a madrugada
enchendo de favela a avenida
e o surdo cantando pelo vento
imita os corações em seu compasso
tamborins entoam seus lamentos
voando nas mãos todos seus pássaros
o samba é um comício recorrente
da vontade de todos os abraços
como uma cachoeira incontida
o samba acorda a madrugada
enchendo de favela a avenida
e o surdo cantando pelo vento
imita os corações em seu compasso
tamborins entoam seus lamentos
voando nas mãos todos seus pássaros
o samba é um comício recorrente
da vontade de todos os abraços
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Comentários (10)
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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.