Das rotas em futuro
homeostático o prazer informa a rebelião urgente da reforma claudicante, nos debruns da forma, a razão espreguiça suas normas o homem caminha lúdico toda sua rota
Das parcimônias do querer
e no jogo da luta a vontade não desfaz um passo à frente, um salto, dois atrás a ânsia pelo futuro, num presente sem comportas naufraga a realidade contra todas as portas só a vontade é pouco no tanger da história
Do futuro em atos e esperança
as ondas do futuro em sua dança aparentam, displicentes, o jeito da esperança em verdade, como antevisões de atos, desenrolam o presente como cordões de fatos o tempo gosta de ver-se nos reflexos que exala
Da objetivação do triste
a tristeza, quando vontade, é só um disfarce da alegria em que se cabe sofrer é um nó mal feito que o prazer desfaz dentro do peito sempre cabe um riso quando o triste é feito das construções objetos do sujeito
Ode aos 70
aos setenta dou-me à rebeldia de armazenar as horas como dias a emoção, urgente, um pouco gasta, derrama-se incauta no vão de lágrimas o tempo nos anoitece como uma grande dádiva
Elza em jornada
Elza tinha na voz como uma revoada vinte mil pássaros navegando suas asas Elza tinha na bôca um comício itinerante no derramar-se humana em palavras e cantos Elza dormia sua negritude em futuros acalantos
De Bolívar e da Pátria Grande
Bolívar, adormecido, visto assim, ao longe, é um vendaval festivo da liberdade que tange imensamente latino, dança todos os Andes como se fora um carnaval de todas as falanges Bolívar é toda uma américa deitada na Pátria Grande
Das materialidades intensas e energias
quando o tempo teima em descansar, no transverso dos fatos, o mundo é meu gongá e a vontade permite, num jeito de resistência, trazer no meio dos passos os enredos da consciência e o orixá aparece, como energia sem fim como se fosse um decreto que a paz joga em mim
Reminiscências de águas infantes
em ondas, desarrumada, a cheia monta o rio como um carnaval de águas em busca de navios o menino, maravilhado, vestido das margens imagina seus açudes em todas essas águas a cheia, o menino e as águas nem percebem a tarde e a disposição da vida em se tornar saudade
Laçadas oníricas em recorrência
menino, envergonhado, eu sonhava o futuro como um grande laço nas cordas que pude, laçava o tempo e todos os desejos do pensamento esse brincar do futuro é um sonho recorrente
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.