Lista de Poemas

Andanças sonhantes em manifesto fazer

o sonho
embutido na mente
é como um futuro embrulhado
descoberto de repente

trazê-lo sempre nos olhos
no sono ou na vida
é quase cometê-lo 
pelas avenidas

o seu prenúncio é um jeito
de construir suas medidas.
224

Fatos e atos em teoria empírica

nada da prática
resta indefinido
nos atos que deflagra
nos ombros da vida

a teoria, como uma flecha,
estica todos os arcos
argumentando a vazão
e a consistência do fato

o homem, debruçado em si,
é uma rebelião em cada ato
210

Verdes acenos em vazão escorreita

drapejando  exata
como uma bandeira
a árvore esculpe a vida
das amazonias em que seja

o rio,
serpente líquida,
borda caminhos na mata
em declarada preguiça

o mundo transcorre exato
nas vidas em que se avista
253

Aparências em cibernético drama

no teatro virtual
a vida consente
em deixar-se avulsa,
enorme  e resistente

os íons da trama
em pérgulas aparentes
apascentam os dramas
nas poses de quem sente

a intensa maré cibernética
é um mar inteiro de aparências 
197

Garças em voo reflexo

as garças
alinhavam o céu e nem percebem
que ao transitarem lúdicas
nos olhos de quem as medem
constroem certos sonhos
nos tecidos do cérebro

as garças são costureiras
de motivações adredes
168

Gaia em estupro e saídas recorrentes

Gaia,
estuprada,
escorre ferida
pelas madrugadas

o horizonte da luta
imitando o futuro
mostra aos homens
as veias do seu curso

e a vontade humana
nas energias que comporta
permanece construindo
a chave dessa porta 
269

Do sofrer como desculpa informe

o sofrimento
nunca é prova
tudo que lhe mede
é a demora
em percebê-lo culpa
no laço que lhe joga

o sofrimento é um jogo
no meio da história
181

Egolatria em doses reptícias

no raso de si
como um aviso
o ego mergulha 
todos os artifícios

e na sua lida,
ensimesmado, claudica
como uma fantasia autofágica
posta em notícia

os egos relapsam pelo dia 
seus favores coletivos
204

Coletiva inseminação de particulares

a vitória
é só um escape
que burla o resultado
do empate

dize-la vencedora
admite a conjuntura
onde ainda bocejam
os rumores da luta

particular e avara
é apenas lenitivo
para tingir de tanto
um pretenso coletivo
248

Da fome em trânsito nos enredos

pelas ruas da vida
nos lares que encontra
as marquises comentam
os homens e as sombras

a vergonha é paisagem
dos semáforos e da ética
no trânsito exato da vontade
que o indigente professa

a miséria pesa os quilos
que o estômago confessa
212

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.