Da fome em sol, dias e calçadas
o sol, translúcida vertente, engole a noite mansamente a calçada, impunemente, já em madrugada, guarda humanos em seu leito em fomes aprazadas o dia, intensamente faminto, deixa-se fluir envergonhado
A Wladimir Ilyitch Oulianov
em passos desatados, nos ombros do Kremlin, ouve-se um caminhar de camaradas e de Lenin é que a memória pela história espalhada, preenche todos os vãos de cada camarada navegante do povo, nos meandros do discurso, Wladimir é um transatlântico nos portos do futuro
Negra percussão da vida
negro, o país tramita, entre o preconceito e a polícia e as áfricas dormidas, em suas costas, constroem desejos pelas portas um dia chegarão escuros nos ombros da revolta
Andanças em mim em atalhos
quando passeio por mim nas estradas que consigo deixo-me a caminho de estar sempre comigo das encruzilhadas postas como discurso dou-me mais a vê-las grávidas do futuro e tanjo-me nos atalhos que mantenham meu rumo
Dos bólides em volitivos rasantes
a nave, incandescente, morde o céu em seu repente como se fora um pássaro de voo intransigente desenhando o tempo em seu rumo, declarado, invalida todos os ventos nesse pulo apressado dos destinos a que se presta a lua é só um recato da vontade de, máquina, deixar-se sempre no espaço
Transverso sentimento em avessos fáticos
rasgo minha tristeza com os risos que alinhavo e os pensares que construo das cicatrizes que trago cada riso, assim atravessado, lambuza o pensamento de futuros e passados nas circunstâncias da luta o tempo é um rio desatado
Operária fuga em vertente declarada
o operário, cerzido à máquina, recolhe os produtos de suas mágoas botão virtual em série, de quase humana lógica, engole algoritmos no vão de suas portas construtor do mundo, dá-se ao rompante de alinhavar o futuro nos sonhos que tange
Normativo em acelerada vazão
a norma, nos artigos deitada, marcha suas ordens em imposta caminhada grávida de interesses em alíneas e notas tange os homens aos parágrafos da revolta e a compreensão de si é tudo que a revoga
Previsões consentidas
o destino é só um caminho que o homem, no tempo, vai consentindo
Patrice Lumumba em trânsito
Lumumba, dissolvido, engravida a história e pesa todos os quilos no porto extenso da memória no vão de seus ombros, o Congo passeia negro a luta intensa do povo em milhares de enredos a África soluça e ri na dança de seus medos
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.