nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
Privadas propriedades em franco visar
a propriedade
no arrastão da história
massacra o humano
e decreta sua lógica:
tudo que seja próprio
no marginal exercício
chame-se propriedade
e cumpra seu ofício:
gestar a fome de tantos
em todos os sentidos
até que não seja próprio
permiti-la consentida.
no arrastão da história
massacra o humano
e decreta sua lógica:
tudo que seja próprio
no marginal exercício
chame-se propriedade
e cumpra seu ofício:
gestar a fome de tantos
em todos os sentidos
até que não seja próprio
permiti-la consentida.
188
Dos trejeitos da luta
a mudança
é um trajeto tático
de quem compreendeu
a estratégia dos atos
basta contê-la
no âmbito dos princípios
e permiti-la prática
de todos seus indícios
as aparências sempre enganam
as razões inteiras do ofício
é um trajeto tático
de quem compreendeu
a estratégia dos atos
basta contê-la
no âmbito dos princípios
e permiti-la prática
de todos seus indícios
as aparências sempre enganam
as razões inteiras do ofício
194
Geometria em humanos ângulos e retas
os ângulos
guardam incautos
as retas subjacentes
que lhes impedem os saltos
adormecidos em retas,
os raios, hipotéticos,
adormecem nas curvas
dos seus hemisférios
o homem resiste aos traços
nas curvas militantes do cérebro
guardam incautos
as retas subjacentes
que lhes impedem os saltos
adormecidos em retas,
os raios, hipotéticos,
adormecem nas curvas
dos seus hemisférios
o homem resiste aos traços
nas curvas militantes do cérebro
265
comícios e versos em flutuante norma
no comício
embrulhada no discurso
a palavra é pedra
de corrente uso
no meio do poema
debruçada na estrofe
a palavra é um jeito ornamentado
de parecer revolta
no comício e no verso
como um astronauta
a palavra abraça os cosmos
que se tem na alma
embrulhada no discurso
a palavra é pedra
de corrente uso
no meio do poema
debruçada na estrofe
a palavra é um jeito ornamentado
de parecer revolta
no comício e no verso
como um astronauta
a palavra abraça os cosmos
que se tem na alma
237
Das mágoas em controversas lâminas
as mágoas,
como cicatrizes,
rasgam a solução
de todas as crises
deixar-se atento
às alheias culpas
é alinhavar-se frágil
à disputa
nada como apagar
as intempéries da luta
como cicatrizes,
rasgam a solução
de todas as crises
deixar-se atento
às alheias culpas
é alinhavar-se frágil
à disputa
nada como apagar
as intempéries da luta
262
Da cobra em ritmos e jornada
a cobra, como um rio,
escorre o corpo em campo
no descampado urgente
do seu desafio
inconstante no seu arbítrio
flutua como possível
o caminho ondulado
de seus passos invisíveis
a cobra é um trem complexo
nos trilhos exatos em que vive
escorre o corpo em campo
no descampado urgente
do seu desafio
inconstante no seu arbítrio
flutua como possível
o caminho ondulado
de seus passos invisíveis
a cobra é um trem complexo
nos trilhos exatos em que vive
233
Famélica tecitura dos cárneos lucros
assim flagrante
a fome instaura
uma vergonha intensa
nos debruns da alma
escrita no corpo
em humanas vigas
vige como tortura
na penitenciária lide
a fome é um distrato
imposto no absurdo
de carnear humanos
como ardil do lucro
a fome instaura
uma vergonha intensa
nos debruns da alma
escrita no corpo
em humanas vigas
vige como tortura
na penitenciária lide
a fome é um distrato
imposto no absurdo
de carnear humanos
como ardil do lucro
242
Da fluvial procura de humanos mares
o rio, corrido pela tarde
derrama-se em passeata
na líquida e tenaz vontade
de ter um mar que invada
o mar, adredemente esparramado,
abraça o rio e suas sombras
como um quintal de águas
debruçado nas ondas
o homem, rio inteiro de si,
procura os mares que sonha
derrama-se em passeata
na líquida e tenaz vontade
de ter um mar que invada
o mar, adredemente esparramado,
abraça o rio e suas sombras
como um quintal de águas
debruçado nas ondas
o homem, rio inteiro de si,
procura os mares que sonha
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Comentários (10)
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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.