Lista de Poemas

Sistêmica ilação

o sistema,
incapaz e moribundo,
vomita farpas
no colo do mundo 
terra e homens
desabraçados
dormem em si as curvas
do imenso fardo

tarda a manhã
em que seremos todos
um abraço recorrente
das armadilhas do novo
214

Do poema e sua infringência teológica

o poema
não se mede
com a régua volátil
das preces

suas léguas
resumidas
parcelam os infinitos
do que digam

não há céus dispostos
a arcar com seus arbítrios
106

Matutina reflexão com atemporais perfomances

o esgarçar da manhã,
desabraçando-se da noite,
é um caminhar dolente
das luzes em que coube

o tempo, em cambulhadas,
nos espaços e nas horas,
debulha seu desenrolar
pelos ombros da história

e os homens recolhem a vida
nos futuros em que apostam
219

Estradas de nós em campo largo

no transverso da vida
alinhavado à vontade
o mundo grita em nós
os surtos da liberdade

tatuados no tempo
como uma semente
pulsam  todos os ancestrais
largados em nossas mentes

o mundo caminha em nós
como um atalho recorrente
183

Do maleável cérebro em decantadas poses

o cérebro
estático
lança infinitos
em nossos braços

máquina,
o corpo deflagra
tudo que lhe tange
pela alma

vivê-lo em invenções
é cometê-lo como arma
na construção ainda humana
de todas as jornadas
227

Do coração em bites declarados

o coração
é uma rede imensa
tudo que lhe cabe como virtual
é a paciência 

eis que em seus bites
como uma insistência
acampa a luta de todos
nas praças dessa sentença

o coração é sempre um povo 
de todos fios da consciência
221

Quântica resenha de elétrons em flash

quântico
o elétron saltita
entre a realidade
e a contradita

farto
de estar ubíquo
larga-se no tempo
como um indício

tudo que lhe comporta
é um eterno exercício
de construir a contradição
em todos seus armistícios 
232

Do poema transeunte de sinapses e tramas

à noite, como um rio,
o poema inteiro transita
entre as sinapses que tenta
e os ombros da notícia

tudo que lhe forma
no aval das palavras
é a vontade de ter verbos
que amanheçam as almas

e diluir-se nas manhãs
como uma intensa madrugada
180

A guerra pacífica das pazes

a paz
habita a guerra
quando tramita o povo
pelos ombros da terra

é que trazê-la calma
nos fuzis que possa
aponta todos os tempos
dos alvos que comporta

a ânsia pacífica de si
é o sentido exato da revolta
258

Da construção da vida em livre conivência

os desejos da vida
bordados de caminhos
inundam as manhãs
em claros escaninhos

permiti-los
em declarada construção
é como inventar futuros
com o tempo nas mãos

o homem cabe inteiro
em cada palmo do seu vão
221

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.