Do amor em aval construído
nada do que antes seja tarde será depois do tempo em que se arde o amor urgente é só a chave da construção maior de todo seu alarde a argamassa do afeto dá-se sempre ao compasso das esculturas que a vida constrói em seus abraços
Maternas configurações da saudade
bordada no tempo como uma estrela a mãe habita a memória como uma centelha o que lhe tange é a compreensão do fato de que apenas e tanto restamos no mundo inexatos na condição de sermos apenas uma parte dela, aos pedaços
Verdade em refluxo renitente
posta, assim, à meias com a realidade, a verdade é um tempo de liberdade é que lhe sobra o custo de encachoeirar-se e entornar-se no tempo, nua da veracidade a verdade é só um jeito de construir-se na idade
Umbanda em noite gritante
na gira, aos pulos, o tambor discursa a métrica urgente das rimas e das lutas ilus, em rompante, inventam energia na dança das pernas rodeando a vida a noite, andante, testemunha a anunciação intensa do dia
Do poema enquanto falar
meu verso em seu avesso é só um verbo em que me esqueço dizê-lo, nos ombros do tempo é vislumbrar horizontes nos mares que comento o poema é só a manhã das noites que intento
Procissão em agudo transe
o mundo dói como uma farpa que aponta, unânime, para os canalhas peças do engodo, como navalhas, raspam a face do sistema à custa alheia de trabalhos o futuro espreita no escaninho da vida as demarches do tempo os atalhos da saída
Da tristeza em ritmos e clarões
a tristeza dói no tempo como uma pedra solta no pensamento tê-la como urgente nos tropéis da fala é só um desconforto das instâncias da calma consumida, passageira, vislumbra, lenta, pela estrada os pedaços de riso amontoados na alma
Das legalidades em avesso trânsito
direitos e humanos, o sistema trucida, na farsa legal de sua investida do cont(r)ato coletivo a norma decreta todas as sem razōes engravidadas na gesta a lei apenas consolida as vontades encobertas e as retrata como coletivas nas clausuras manifestas
Da palestina contração da terrorista sanha
a bala, em terra alheia, nave assassina, mata o verbo, o sonho e a gente palestina o estado, terrorista, apodrece no fuzis todos os ardis, a liberdade, a vida o futuro ainda calcula um justo resgate em sua vinda
Campesina forja de escritos
o camponês nas terras que lavra enterra razōes em sua alma a enxada é uma caneta avara que escreve suores em urgentes falas o camponês nem sente o tamanho dessas páginas a terra é só um discurso das sementes que instaura
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.