Lista de Poemas

Sentimental digressão em dialética performance

assim que me trago
nos ombros do que sinto
como não ser dialético
nas curvas desse labirinto

as encruzilhadas do peito
nas farturas dos caminhos
carecem de certo escopo
para decretarem-se destino

o leme do melhor esforço
dirige o rumo dos sentidos
nada que não seja novo
terá a cepa dos sorrisos
98

Volitivo manifesto em gesta

e assim que a vontade
tenha o jeito manso de fato
possa o homem debruçar-se
nos futuros que acate 

é que no desvão do tempo
nas parcimônias dos gestos
a vida apequena o incenso
que sempre joga nos protestos 

o futuro não é um tempo
é um espreguiçar-se do universo
112

Reais dizeres de fatos exequentes

e no transcurso de si
a realidade exige
que no varal da consciência
seja posta em cabides 

é que o rolar das coisas
no âmbito das crises
envolve todos com tudo
nos limites do possível 

a realidade é um contrato
com os objetivos factíveis 
216

Do candomblé em rumpis intensos

no meio do tambor
perambula o coração
em todas as consequências
dos vieses da razão 

nos ombros dos passos
nas ondas do pensamento
manhãs anoitecem a vida
nas varandas do tempo 

a energia gravita enorme
como um humano catavento
171

Quântica intrusão em veios possíves

dentro da cabeça
como um martelo
a consciência pulsa
no colo do cérebro

festa de elétrons
adormece quântica
em todas as razões
em que se diga tanta

pulsa-la é só um jeito
de afagar a esperança
171

Da coletiva vazão da vida

a causa de todos
simplesmente explicita
os meandros da luta
que desenham a vida

fundada no tempo
como uma bússola enorme
pesa em nossos ombros
os futuros que descobre

luta-la assim impunemente
é conte-la em todos seus informes
243

bandeiras vegetais em ritmo corrente

como uma bandeira
apontando o infinito
o coqueiro dança o vento
num baile contrito

o espernear das folhas
varre sorrindo o horizonte
como se limpasse nos olhos
as incertezas do longe

o coqueiro esconde o dia
e a gente nem sabe aonde
 

254

Desmond Tutu em itinerâncias

Desmond nem sabia
das léguas de tudo
que espalhava, em gestos,
pelas costas do mundo

verdadeiro, não media,
a persistência do ato
em que se dizia

é que sobrava verdade
nas carnes em que vivia
como cidadão itinerante 
do Mundo Rainha.
100

Dos voos pássaros em aviônicas lavras

o avião
é um pássaro exato
todos seus ângulos
são cronometrados

o pássaro
é um avião diverso
suas asas é que medem
os palmos do universo

pássaro e avião, em suas revoadas,
espalham o verso em rasantes palavras
149

De almas e cursos em sonhos da vontade

almas não usam máscaras
almas sentem as marcas
as que construimos nos sonhos
as que fabricamos na prática

os cursos de suas fontes
são os rios da vontade
os que desaguam no tempo
os que navegam a liberdade

vivê-los em todos os caminhos
é a forma exata de abraçá-las
157

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.