nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
Dos velejares históricos da vida
a história
nunca é antiga
tudo que lhe rege
é a vida
o dize-la passada
é só disfarce
de quem não a faz
com todas as artes
a história é a cama
em que sonhamos nossa face
nunca é antiga
tudo que lhe rege
é a vida
o dize-la passada
é só disfarce
de quem não a faz
com todas as artes
a história é a cama
em que sonhamos nossa face
47
Materna reminiscência em saudade exata
minha mãe
tinha nos olhares
todas as águas
dos meus mares
à nado,
nas ondas do seu jeito,
eu bebia seus olhos
como um pensamento
minha mãe inventava manhãs
que me enchiam de tempo
tinha nos olhares
todas as águas
dos meus mares
à nado,
nas ondas do seu jeito,
eu bebia seus olhos
como um pensamento
minha mãe inventava manhãs
que me enchiam de tempo
55
Intermediação de tempos e fazeres
das manhãs que invado
com a noite nas mãos
sobra um tempo nos olhos
e restos de sonhos pelo chão
das tardes que desfaço,
já nos ombros da noite,
restam desejos assumidos
num constante alvoroço
assim, no meio do que vivo
visto-me das horas e do novo
com a noite nas mãos
sobra um tempo nos olhos
e restos de sonhos pelo chão
das tardes que desfaço,
já nos ombros da noite,
restam desejos assumidos
num constante alvoroço
assim, no meio do que vivo
visto-me das horas e do novo
54
Poema em famélica pose
a vontade posta
nas pedras da calçada
é uma fome avessa
desenhada pela cara
o homem aos pedaços
íntimo do lixo
inventa em si
qualquer indício
nada de ainda humano
é o seu ofício
nas pedras da calçada
é uma fome avessa
desenhada pela cara
o homem aos pedaços
íntimo do lixo
inventa em si
qualquer indício
nada de ainda humano
é o seu ofício
91
Atabaques em vazão corrente
o lé configura o batuque
no fraseado da gira
e solta pelo espaço
as energias que usina
rumpi engrossa a vertente
dos africanos sentidos
jogando restos de tempo
nos ombros do infinito
e o rum entoa o rompante
das humanas cachoeiras
derramando no vão da vida
as energias que penteia
no fraseado da gira
e solta pelo espaço
as energias que usina
rumpi engrossa a vertente
dos africanos sentidos
jogando restos de tempo
nos ombros do infinito
e o rum entoa o rompante
das humanas cachoeiras
derramando no vão da vida
as energias que penteia
79
Das lucrativas misérias sistêmicas
a fome
é só um enredo
que o mercado, em lucro,
quantifica no medo
O ágio, como dilema,
transcende todas as costelas
dos que o produzem
no curso da miséria
parasitas, insistentes,
inscrevem na história
sua aparência de gente
é só um enredo
que o mercado, em lucro,
quantifica no medo
O ágio, como dilema,
transcende todas as costelas
dos que o produzem
no curso da miséria
parasitas, insistentes,
inscrevem na história
sua aparência de gente
166
explosivas razões do contente
num desvão da vida
espremido nos soluços
o futuro vê-se adiado
na pressa dos minutos
e o sorriso anoitece
num canto do juízo
como a querer dormir
nos ombros dos sentidos
ao homem cabe acender
os pavios do seu riso
espremido nos soluços
o futuro vê-se adiado
na pressa dos minutos
e o sorriso anoitece
num canto do juízo
como a querer dormir
nos ombros dos sentidos
ao homem cabe acender
os pavios do seu riso
106
Provecta juventude
menino
desde cedo
dei-me por velho
em certezas
velho
desde tarde
dei-me por jovem
dúvidas que guardo
a certeza é uma dúvida
que a vontade resguarda
enquanto a natureza
desencapa a verdade
desde cedo
dei-me por velho
em certezas
velho
desde tarde
dei-me por jovem
dúvidas que guardo
a certeza é uma dúvida
que a vontade resguarda
enquanto a natureza
desencapa a verdade
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Comentários (10)
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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.