AurelioAquino

AurelioAquino

n. 1952 BR BR

Deixo-me estar nos verbos que consinto, os que me inventam, os que sempre sinto.

n. 1952-01-29, Parahyba

Perfil
314 661 Visualizações

Das larguras do tempo

Teço a vida
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
 
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
 
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
Ler poema completo
Biografia
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.

Poemas

3641

Pantomima em humana cena

no palco
a farsa empolga
todas as verdades
que na coxia elabora

a cada ato
como uma corrente
o teatro constrói diverso
os palcos todos da gente

o ator é uma cachoeira
dos atos de quem sente
81

Nordestina razão do cuscuz

o cuscuz
sobre a mesa
tremula um povo
como bandeira
não pelo gesto
de haver-se farto
mas pelo que de símbolo
de vontades e de fatos

o homem
debruçado no tempo
tomba a fome com gosto
nas curvas do pensamento
91

Da virtual incandescência dos fatos

a marcha virtual
da-se à tecnologia
como um voo rasante
de aeronaves sem vias

etereamente composta
brinca de realidade
nos debruns que desenha
em cérebros e cidades

nuvem de gigabytes
é fantasia da liberdade
de fatos que apenas resvalam
nas composturas da verdade
122

Vivências

o inconsciente
é ciência exata
tudo que lhe afasta
sempre falta 

filogênico
o homem exala
todos os detalhes
da coletiva fala 

ontogênico
deixa-se único
do exato dedilhar
de viver-se músico
102

Felicidade em auto construção

a felicidade
brinca de rio
nas cachoeiras que joga
nos ombros do riso

vivê-la
nos barcos que encerra
é construir em si
todas as caravelas

a felicidade é só um jeito
de abrir nossas janelas 
89

Dos terrenos crimes da vida

Gaia, deitada em si,
engole, entediada,
os palmos da tragédia
nos ombros da madrugada

ao dar-se amante à paz, 
absurdamente atacada,
assiste aos seus pedaços
em vulcões e nas estradas

Gaia dá-se combatente
humanamente envergonhada
36

Do coletivo movimento do mundo

quando a terra
estranhar o tempo
haverá multidões
em largos movimentos

a energia da vida
extraida dos futuros
os povos armazenam
nos escaninhos do mundo

o universo dá-se ao verso
nas estrofes de tudo
40

Beja-flor em sedução itinerante

o beija-flor em seus voos,
como nave itinerante,
nunca se diz bailarino
dos palcos em que ande

consultor de flores,
navega substâncias
como um intenso sedutor
nessa urgente trança

o beija flor apenas engravida
as flores em que dança
96

Das ranhuras do grito e suas vias

esquecido na garganta
como grito
o verbo entristece
seu sentido

fazê-lo ressoar
é não dar-se ao crédito
de montá-lo como palavra
nos silêncios que meça

eis que cabe a todo homem
mostrar-se à paz de cada verbo
98

Dos caminhares da vida

a vida transcorre
num conjunto complexo
entre mim, o outro e o futuro
nuns agoras dispersos

unir como transeuntes
todos os convivas
é espalhar pelo peito
as continências da lida

caminhar o viver
é viagem consentida
96

Comentários (8)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

AurelioAquino

Honrado