Lista de Poemas

Das andanças do homem nas frestas do tempo

o desejo
célere e isento 
mede o homem e a vida
nas estratégias do tempo

a paisagem de si
como um relato
é só um discurso
solto no espaço

dar-se ao universo
é a construção do fato
de que o infinito cabe
em qualquer abraço 
191

Das pororocas do peito em anais vigentes

a história
debruçada na mente
escorre os fatos
como uma corrente
tudo que lhe contesta
é um verbo inconsequente

as corredeiras da vida
quando em rios dizente
traça todos os rumos
das pororocas da gente

desembocar no futuro
é trajeto de quem sente
257

Burocrática vazão das estatais moendas

sentado na vida
entre numeros e teclados
a monotonia em ondas
calcula o funcionário

no mister difuso
de fingir-se isenta
a burocracia decreta
sua consistência

o funcionário é só uma peça
encravada a pulso na moenda
236

Do vagar do povo até a consciência

nas costas do tempo
o povo guarda em ondas
nos caçuás da vida
léguas de esperança

o futuro é arquitetura
dos deuses que inventa
como um sujeito intruso
dos edifícios que intenta

a razão é só um fio
enrolado na consciência
214

Vívida moção da igualdade

a vida nunca é concurso
e barganha do futuro
que possa medir em graus
as melhores notas do seu uso

vivê-la farta e inédita
é só a adimplência
de quem posta todos os créditos
nas contas da consciência

a vida é um curso coletivo
dos rios de quem a entenda
194

Jornada temporal em causas e efeitos

e no viés da vida
ensimesmado
o homem desarquiteta
as curvas do passado

e o futuro
alinhavado aos trancos
inventa todos os tempos
em que tivesse âmbito

a transição das causas
é um cenário incômodo
183

Dos cohibas manifestos em larga jornada

a fumaça
nos ombros do cohiba
escreve lembranças
nos costados da vida

o ar em chamas
parece bandeira
abraçando todas as ilhas
da noite brasileira

o charuto discursa o tempo
nos lábios de quem queira
295

Das construções do levante em pacífica tese

quando a crise
ensaiar-se avante
deite-se a manhã
no colo do levante

e nos homens
assim decidida
encaminhe o mundo
no sentido da vida

é que a revolta
traz embutida
uma paz em sementes
adredemente construída
282

Dos avarandados celestes em vegetal vigília

e na varanda do céu
como um gesto disfarçado
a lua abraça a noite
e joga flores no espaço
288

samba em liberdade e dependentes

o samba
escorrendo na avenida
é um tambor atravessado
na melodia da vida
é coisa solta de bemóis
que alinhavam o passado
nas costas de todos nós
transeuntes de escravos

e o cerne da liberdade
de canta-lo impunemente
é assim como uma saudade
do futuro que se sente
293

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.