Veredas em sertão dizentes
o sertão, adredemente calculado, comenta todos os sóis em que esteja espalhado e no trânsito dos gestos dos ventos que pressente deixa calores escondidos nas chuvas que consente o sertão é um mar vazio, encabulado e reticente
Um passo à frente, dois atrás
a vontade, posta como fato, esquece a necessidade da concretude dos atos a realidade, aceita apenas o desejo como ação explícita de todos os passos do enredo o desejo e a vontade afoitos são um descuido do medo
Temporária distração da vida
o tempo tem disfarces o jeito de senti-lo é a régua exata que lhe cabe avesso a pouco espaço resta-lhe a eficácia de permanecer incólume mesmo assim variado a física que cuide assim de mantê-lo inalterado
A Thiago de Mello, pássaro verbal
Thiago, fora da cena, dorme nas palavras seu último poema nos verbos que voou, pássaro, agora avulso, desmancha-se pleno em todo seu discurso Thiago agora é viajante em todos os seus cursos.
Interligações em verbos e constâncias
o poema imprime cicatrizes as que venham do verbo e as que se digam raízes umas a doer no cérebro outras a construir marquises o poema entorna o mundo como uma grave cascata das contradições e do futuro que põe no colo das palavras
Das pedintes razões da igualdade
o semáforo, alheio, nem explicita as cores da fome que o homem exercita no colo da rua, como um anuncio cárneo, o homem é um cartaz das mágoas de que se invade estendida, a mão é só adereço de assassinar a igualdade
da nova predição em laica visagem
os reis, já magros, incensam o ouro desesperados os reis, mirrados, amputam o futuro, parasitários e o mundo resolve, nos céus que consiga, desembestar a verdade nos braços de toda vida
Da construção sistêmica da felicidade
a cada palmo do perto que a vida esteja do riso deixe-se estar navegante montado em seus sentidos é que nas léguas distantes dos impropérios do tempo cabe surfar todas as ondas nas jangadas do pensamento a felicidade é uma construção da nossa coletiva consistência
verso em contrição
como o universo, deixo-me aflito: para onde expandir todos meus infinitos? como um pássaro avanço resumido as léguas de mim que contrito exercito tudo que me basta é navegar este exercício
Materna reminiscência em saudade exata
minha mãe tinha nos olhares todas as águas dos meus mares à nado, nas ondas do seu jeito, eu bebia seus olhos como um pensamento minha mãe inventava manhãs que me enchiam de tempo
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.