Absoluta relatividade do todo
o absoluto tramita dividido nas aparências do todo e a parcimônia dos sentidos traze-lo definitivo nas curvas do juízo é não reconhecê-lo simples artifício o absoluto é só um jeito de conter-se relativo
Da preguiça em desordenado prompt
dos ombros do céu vaza a manhã, já tarde, e uma vontade baldia de exercitar a vontade dormindo todos os sonos, no corpo, esquecido, jaz um trem estacionado em todos os seus trilhos a preguiça é quase um desdém aos reclamos da vida
Trajetos em escala própria
não haverá semáforos nas esquinas da vida a encruzilhada é a possibilidade de avulsas alternativas tudo em que se caminha à paz é de complexa partida transcende o simples trajeto de parecer-se incontida suster os fardos do rumo, quantificar as investidas, derramar o presente no futuro, tudo é habitar-se sem medidas
Das rotas em futuro
homeostático o prazer informa a rebelião urgente da reforma claudicante, nos debruns da forma, a razão espreguiça suas normas o homem caminha lúdico toda sua rota
Da africana Nyakim, modelo e graça
Nyakim, desfilando as áfricas que consinta é uma noite acampada nos braços da vida e o mundo primevo gravado na sua face delata toda a origem do humano desenlace Nyakim transita no tempo como um africano disfarce
Da objetivação do triste
a tristeza, quando vontade, é só um disfarce da alegria em que se cabe sofrer é um nó mal feito que o prazer desfaz dentro do peito sempre cabe um riso quando o triste é feito das construções objetos do sujeito
Reminiscências de águas infantes
em ondas, desarrumada, a cheia monta o rio como um carnaval de águas em busca de navios o menino, maravilhado, vestido das margens imagina seus açudes em todas essas águas a cheia, o menino e as águas nem percebem a tarde e a disposição da vida em se tornar saudade
Das materialidades intensas e energias
quando o tempo teima em descansar, no transverso dos fatos, o mundo é meu gongá e a vontade permite, num jeito de resistência, trazer no meio dos passos os enredos da consciência e o orixá aparece, como energia sem fim como se fosse um decreto que a paz joga em mim
De Bolívar e da Pátria Grande
Bolívar, adormecido, visto assim, ao longe, é um vendaval festivo da liberdade que tange imensamente latino, dança todos os Andes como se fora um carnaval de todas as falanges Bolívar é toda uma américa deitada na Pátria Grande
Da prevalência real da conjuntura
a ação alardeada apenas na vontade consome todos os fatos como vã realidade a ânsia, vestida de verdade, constrói apenas fugas dos caminhos da tarde abraçar o real é um exercício sem alardes
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.