Do futuro em atos e esperança
as ondas do futuro em sua dança aparentam, displicentes, o jeito da esperança em verdade, como antevisões de atos, desenrolam o presente como cordões de fatos o tempo gosta de ver-se nos reflexos que exala
Ode aos 70
aos setenta dou-me à rebeldia de armazenar as horas como dias a emoção, urgente, um pouco gasta, derrama-se incauta no vão de lágrimas o tempo nos anoitece como uma grande dádiva
Elza em jornada
Elza tinha na voz como uma revoada vinte mil pássaros navegando suas asas Elza tinha na bôca um comício itinerante no derramar-se humana em palavras e cantos Elza dormia sua negritude em futuros acalantos
Factual consenso da memória
desenhada no tempo no desconforto das horas a memória pesa na lembrança todos os quilos da história e avoluma o distrato de dizer-se inconsumida quando fora uma morte a quem dá-se a vida os fatos teimam sua lógica apesar de todas narrativas
Vivência em declarada métrica
viver não é apenas ofício é um tanger avulso dos abraços dos sentidos apontá-los exatos proporcionais ao tempo nos espaços abraçados no vão do pensamento beber todos os seus tragos e habitar todos seus momentos
Concerto em auto gestão
no concerto da vida em meio aos sustenidos há que haver os bemóis de todos os sentidos a regência do ritmo na batuta do tempo há que juntar os pespontos das amarguras do peito no mais é montar no som e derramar-se por inteiro
Da fome em sol, dias e calçadas
o sol, translúcida vertente, engole a noite mansamente a calçada, impunemente, já em madrugada, guarda humanos em seu leito em fomes aprazadas o dia, intensamente faminto, deixa-se fluir envergonhado
A Wladimir Ilyitch Oulianov
em passos desatados, nos ombros do Kremlin, ouve-se um caminhar de camaradas e de Lenin é que a memória pela história espalhada, preenche todos os vãos de cada camarada navegante do povo, nos meandros do discurso, Wladimir é um transatlântico nos portos do futuro
Andanças em mim em atalhos
quando passeio por mim nas estradas que consigo deixo-me a caminho de estar sempre comigo das encruzilhadas postas como discurso dou-me mais a vê-las grávidas do futuro e tanjo-me nos atalhos que mantenham meu rumo
Normativo em acelerada vazão
a norma, nos artigos deitada, marcha suas ordens em imposta caminhada grávida de interesses em alíneas e notas tange os homens aos parágrafos da revolta e a compreensão de si é tudo que a revoga
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.