Lista de Poemas

Índigenas soluçōes do sentimento

ainda tardio,
sonho-me em matas
como quem inventa, indigena,
os caminhos da alma

e permito-me taba
de todas as minhas vias,
as que partem do sonho
e as que viajam a vida

nada como deixar-se inteiro
nas artimanhas consentidas
287

Liames da construção do tempo

o futuro
quando visto de longe
trafega o coração
sem saber por onde

é que adormece
na emoção de quem sente
como se fora cadeia
de prender o tempo 

no entanto, 
adredemente,
o futuro é uma cadeia de abraços
que a gente faz no presente
261

Dos  rasteiros céus de quem procura

o céu 
é só um grito
de quem, terreno,
quer deixar-se infinito
e sonhar todos os ares
como um gesto incontido

rasteiro, 
em verdade,
habita nosso peito
vestido de liberdade
313

terrenas contrações do lucro

a terra vergastada,
em decúbito,
debruça o tempo
nos seus sustos 

e o horizonte
dilacera seu semblante
como uma chaga exposta,
irrazoável e itinerante 

o sistema regurgita pleno
os lucros de seu plano
198

crianças em rompante lúdico

crianças
são bandeiras
para tremular no homem
a vida inteira

não lhes cabe a fome
nem as contraditas
mais o voo infante das alegrias
debruçadas na vida

que todas esqueçam
nos risos de suas faces
o futuro sólido dos abraços
que inventem pelas cidades
263

Pátrias em desaconchego

ao país
de-se a complacência
de tê-lo como pátrio
por simples conveniência

é que caber-se no mundo
como uma pátria una
supōe viver todos os sonhos
distribuídos na luta

a terra é a única pátria
de quem ama o futuro
243

Poema em declarada constância

o poema só ausculta
os ventos do coração
a calmaria da luta.
Como não marchar pelas bocas
nos versos claros das ruas?

a palavra cabe inteira
no asfalto das avenidas
como um aceno verbal
no discurso da vida
210

Das amarguras em projetos e crises

estoco as amarguras
pelo dorso da vida
como uma prateleira inerte
fugaz e inconsumida

e as lanço no pensar
como um indício
de que a alegria é um projeto
de engolfar seus artifícios

e as consumo avaro
e as liberto no riso
como um gesto histórico
adredemente construído
217

Da solidão em largas penas

a solidão
é só um desajeito
uma vontade de fugir
de dentro do peito

e vivê-la intacta
sem contraditas
é construir-se incauto
pelas avenidas

a gente esquece de si
quando resume a vida
239

Vivências em tempos delatados

nas noites de mim
desamanheço
como um tempo avaro
em que me esqueço 

e compilo as tardes
em que anoiteço
para raiar os sóis
das manhãs que meço

a utopia é só um futuro
a que me aconchego 
212

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.