Veredas em sertão dizentes
o sertão, adredemente calculado, comenta todos os sóis em que esteja espalhado e no trânsito dos gestos dos ventos que pressente deixa calores escondidos nas chuvas que consente o sertão é um mar vazio, encabulado e reticente
Patrice Lumumba em trânsito
Lumumba, dissolvido, engravida a história e pesa todos os quilos no porto extenso da memória no vão de seus ombros, o Congo passeia negro a luta intensa do povo em milhares de enredos a África soluça e ri na dança de seus medos
Previsões consentidas
o destino é só um caminho que o homem, no tempo, vai consentindo
Laçadas oníricas em recorrência
menino, envergonhado, eu sonhava o futuro como um grande laço nas cordas que pude, laçava o tempo e todos os desejos do pensamento esse brincar do futuro é um sonho recorrente
Transverso sentimento em avessos fáticos
rasgo minha tristeza com os risos que alinhavo e os pensares que construo das cicatrizes que trago cada riso, assim atravessado, lambuza o pensamento de futuros e passados nas circunstâncias da luta o tempo é um rio desatado
Negra percussão da vida
negro, o país tramita, entre o preconceito e a polícia e as áfricas dormidas, em suas costas, constroem desejos pelas portas um dia chegarão escuros nos ombros da revolta
Dos bólides em volitivos rasantes
a nave, incandescente, morde o céu em seu repente como se fora um pássaro de voo intransigente desenhando o tempo em seu rumo, declarado, invalida todos os ventos nesse pulo apressado dos destinos a que se presta a lua é só um recato da vontade de, máquina, deixar-se sempre no espaço
Um passo à frente, dois atrás
a vontade, posta como fato, esquece a necessidade da concretude dos atos a realidade, aceita apenas o desejo como ação explícita de todos os passos do enredo o desejo e a vontade afoitos são um descuido do medo
Interligações em verbos e constâncias
o poema imprime cicatrizes as que venham do verbo e as que se digam raízes umas a doer no cérebro outras a construir marquises o poema entorna o mundo como uma grave cascata das contradições e do futuro que põe no colo das palavras
Temporária distração da vida
o tempo tem disfarces o jeito de senti-lo é a régua exata que lhe cabe avesso a pouco espaço resta-lhe a eficácia de permanecer incólume mesmo assim variado a física que cuide assim de mantê-lo inalterado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.