Vivência em declarada métrica
viver não é apenas ofício é um tanger avulso dos abraços dos sentidos apontá-los exatos proporcionais ao tempo nos espaços abraçados no vão do pensamento beber todos os seus tragos e habitar todos seus momentos
Da objetivação do triste
a tristeza, quando vontade, é só um disfarce da alegria em que se cabe sofrer é um nó mal feito que o prazer desfaz dentro do peito sempre cabe um riso quando o triste é feito das construções objetos do sujeito
Da africana Nyakim, modelo e graça
Nyakim, desfilando as áfricas que consinta é uma noite acampada nos braços da vida e o mundo primevo gravado na sua face delata toda a origem do humano desenlace Nyakim transita no tempo como um africano disfarce
Frevo desatado
no frevo rasgado a multidão inventa no colo dos passos uma grande moenda e o moinho de Olinda triturando a saudade convoca o peito da gente na alegria do passo o frevo assim derramado leva o povo nos braços
Reminiscências de águas infantes
em ondas, desarrumada, a cheia monta o rio como um carnaval de águas em busca de navios o menino, maravilhado, vestido das margens imagina seus açudes em todas essas águas a cheia, o menino e as águas nem percebem a tarde e a disposição da vida em se tornar saudade
Da prevalência real da conjuntura
a ação alardeada apenas na vontade consome todos os fatos como vã realidade a ânsia, vestida de verdade, constrói apenas fugas dos caminhos da tarde abraçar o real é um exercício sem alardes
Absoluta relatividade do todo
o absoluto tramita dividido nas aparências do todo e a parcimônia dos sentidos traze-lo definitivo nas curvas do juízo é não reconhecê-lo simples artifício o absoluto é só um jeito de conter-se relativo
Ensimesmada vazão
esqueço-me nas horas como um astronauta flutuando as demoras nas gravidades incautas e saio de mim como um bólide intenso alinhavando as curvas em que me tenho chegar ao outro, como nave, é o início do que lembro
Concerto em auto gestão
no concerto da vida em meio aos sustenidos há que haver os bemóis de todos os sentidos a regência do ritmo na batuta do tempo há que juntar os pespontos das amarguras do peito no mais é montar no som e derramar-se por inteiro
De Bolívar e da Pátria Grande
Bolívar, adormecido, visto assim, ao longe, é um vendaval festivo da liberdade que tange imensamente latino, dança todos os Andes como se fora um carnaval de todas as falanges Bolívar é toda uma américa deitada na Pátria Grande
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.