brincando no tempo na chuva, no riso o menino via assim intimidade com o infinito molhando a vida diligente descobria apesar de triste a natureza sorria tuda da infância ainda hoje pulsa na liquidez inata dos gestos da luta
no aparente avesso do espaço o tempo da-se como lida dos contratempos do mundo em todas suas medidas
e ajuizado como valor de decrescente subida tem-se como infrator dos prazeres que ainda habita
o tempo mora no homem como um hóspede da vida tudo que lhe lucra é tê-lo como dívida
78
Ao Camarada Stuart Edgar Angel Jones II
Camarada Stuart do vão da tua lembrança chovem todos os brasis que guardamos na esperança
Camarada Stuart, mesmo que não pressintas, teu jeito preenche o tempo da luta que o povo habita
Camarada Stuart, nada como navegar, assim explícitos, nos mares de todos, a condição de comunista
94
verso em contrição
como o universo, deixo-me aflito: para onde expandir todos meus infinitos?
como um pássaro avanço resumido as léguas de mim que contrito exercito
tudo que me basta é navegar este exercício
145
Rural declinação da camponesa lida
o camponês, plantado na vida, navega o suor em que habita
trator de si dá-se à fantasia de engravidar a terra nos leirões da lida
e no roçado dos sonhos inventa os campos da vida
61
Materna reminiscência em saudade exata
minha mãe tinha nos olhares todas as águas dos meus mares
à nado, nas ondas do seu jeito, eu bebia seus olhos como um pensamento
minha mãe inventava manhãs que me enchiam de tempo
65
Das pedintes razões da igualdade
o semáforo, alheio, nem explicita as cores da fome que o homem exercita
no colo da rua, como um anuncio cárneo, o homem é um cartaz das mágoas de que se invade
estendida, a mão é só adereço de assassinar a igualdade
110
Operária fuga em vertente declarada
o operário, cerzido à máquina, recolhe os produtos de suas mágoas
botão virtual em série, de quase humana lógica, engole algoritmos no vão de suas portas
construtor do mundo, dá-se ao rompante de alinhavar o futuro nos sonhos que tange
54
Dos velejares históricos da vida
a história nunca é antiga tudo que lhe rege é a vida
o dize-la passada é só disfarce de quem não a faz com todas as artes
a história é a cama em que sonhamos nossa face
56
A Thiago de Mello, pássaro verbal
Thiago, fora da cena, dorme nas palavras seu último poema
nos verbos que voou, pássaro, agora avulso, desmancha-se pleno em todo seu discurso
Thiago agora é viajante em todos os seus cursos.
61
Primeiro verso à minha pátria
Primeiro verso à minha pátria
I
no peito da rua a pátria existe dilacerado vão da vida em riste meu verso apenas trata da pátria como da sofreguidão das amantes tardias minha terra ainda não tem a compostura que a pátria que eu sonhei dizia ela escapa dos dedos como o trigo mais fugaz como o suor que acende o riso dos canaviais minha pátria é compulsória com a mesma desfaçatez das grandes auroras antes que azul melhor pensa-la e dize-la ensolarada assim em ondas numa luz que coubesse em todas as sombras e que tivesse a semelhança de um ato incalculado onde o humano fosse a razão de nunca se estar calado.
II
minha pátria geral apesar de tanta vive-me engasgada na lembrança como um sonho inconsumível e uma vasta esperança minha pátria não diz na geografia os quilos de meus irmãos que consumia apenas aflora-lhe à boca um verbo intransponível que teima em ser palavra na sua face de míssil
III
minha pátria difere do povo não pelos seus jeito e gestos mas por tudo que em sua ação teima em ter um gosto inverso e mesmo nas vezes em que é joões e marias esconde nesgas de enfado em ver-se ssim em teimosia minha pátria consome em seu mister mais avaro o coração desses homens que lhe sabem amarga
IV
mas no seu íntimo como um grande escudo minha pátria resguarda a prontidão do seu futuro em que estará liberta de ser pátria em tudo e habitará somente os homens como um universo único
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.