Lista de Poemas

Originária performance em declarada margem

ao vácuo quântico
dê-se a ilação
da urgência do ser
em revolução

plástico
vigore infinito
nas contrações do mundo
em exato rito

e flua
nos desvãos da vida
como um carnaval infindo
de todos os matizes.
238

Temporal em vivência desatada

Idoso
nada me afasta
de querer um tempo maior
sem matemáticas
que apenas some o sentir
a tudo que me baste
292

Bonde em tráfego displicente

do bonde
a lua não se avista
talvez apenas uma nesga
dos sonhos do maquinista

do bonde
avista-se a calma
e uma ligeira impressão
de que se transporta,
moderadamente, a alma

os rompantes nos trilhos
são, apenas, soluços da máquina
281

Das manhãs em tempos avaros

das manhãs
assim estranguladas 
possa o tempo reescrevê-las 
nos ombros da prática

e armada de homens
ressurja a circunstância
de construir uma estrada
de coletivos instantes

mas nem por isso
deixe a vida
de trazer-se em mãos
como individual medida
240

Da felicidade em drágeas frequentes

a felicidade
não é descuido do triste
é que lhe sobra um curso
de ser tão frequente
como se fosse um bólide
dentro da gente

atirá-la é só um jeito
de faze-la consequente
268

Palavras em tropel e franjas

palavras 
são transeuntes
de tudo que passeia
nas ruas do homem
os verbos de hoje
as lembranças de ontem
esses esgarçar de letras
montadas nos sons
de todos horizontes
é como um declamar
de tudo que somos 
poemas que discursam
e jogamos no mundo
nos fatos que compomos
nas correntezas de tudo
229

Da fome em bruscas paragens

a fome
consome
os indícios de paz
do homem

e grava, bruta,
na memória
partículas das culpas
pela história

e a vontade
escreve no espaço
um resto de vida
jogado no prato
198

das infantis usanças dos segredos

a vida da menina
corria tão acesa
que seus olhos tangiam
os vincos da natureza
debruçados num tempo
cravejado de certezas
251

do tempo em repristinação e formas

a tarde
não é um dia envelhecido
o tempo não mostra rugas
nem desafia o infinito

ele apenas resvala no universo
como um discurso definido
tudo que lhe tange são formas 
de ter-se sempre consigo 

as vezes em que se perde
são velocidades do seu rito
305

versos em indícios latentes

nascido
no meio do juízo
versos são apenas
fortes indícios

a vida que lhe monta
adestrada em normas
foge das razōes
e fere o tempo das demoras
como uma espada letrada
construindo as horas
317

Comentários (10)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.

É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.