Lista de Poemas

Certezas em decúbito efervescente

eu tenho certezas
que duvidam
e dúvidas estranhas
que afirmam 

é que no centro da verdade
há sempre um descaminho
que monta interrogações
nos futuros que alinha
298

Precoce invasão provecta

a velhice
assumidamente tida
é apenas fantasia do tempo
no carnaval da vida

brincá-lo é exercício
de todas as medidas

249

Baobás templários

o baobá em sua gesta
talvez apenas insista
em brincar de tempo
nos campos da vida
304

Algorítmicas razōes de ser

a matéria
nem cogita
de ser apenas massa
simplesmente resumida

antes,
complexa e algorítmica,
por todas as facetas,
deixe-se plena, infinita

a matéria, como nós,
é uma lógica infinda
653

Saudade em balanças e fugas

o peso da saudade
tem um quilo diferente
é assim um abismo
que pesa transparente
e inventa todos os saltos
das lembranças que sente

e entorta o pensamento
nesse pesar tão constante
como se a memória piscasse
como um fugaz horizonte
624

Infantis mediçōes das largas vidas

o olhar do menino
carregava o infinito
debruçado na largura
da vastidão do seu riso

e a vida transitava
como um caminho profundo
alinhavando os futuros
nas costas graves do mundo.
662

A veloz ficção das esperanças

lépida
a moto avança
o homem
e sua esperança
coração e motor
claudicam
rastros da fome
em que transitam

o menino da moto
em seu desatado exercício
é só uma farsa
de cifrōes fictícios
578

Fêmeas condiçōes do horizonte

a burca
no desvão da vida
grava a mulher
como tecida

paranja
dá-lhe o rompante
de esconder fêmeas
e horizontes

chadri
cumpre a noção
de esconder avara
a emoção

chadri, paranja ou burca
resta, tão mulher, a luta.
598

Bandeiras da vida em hasteamento inato

o estandarte da vida
é uma bandeira escancarada
que drapeja pelas ruas
os alvoroços da alma 

e quando arreada
nos desvãos da consciência
invente-se qualquer mastro
que denuncie a ausência

os outros são estandartes
que tremulam nossa presença
589

Vertentes do povo em manifesta multidão

meu bloco é o povo
quando o coração informa
lutar é a única estrada
nos lombos da história

anda-la pela vida
nos rumos que se invente
é trazê-la consumida
coletiva e fartamente
nesses mares que o tempo
derrama dentro da gente
551

Comentários (10)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.

É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.