Do futuro em atos e esperança
as ondas do futuro em sua dança aparentam, displicentes, o jeito da esperança em verdade, como antevisões de atos, desenrolam o presente como cordões de fatos o tempo gosta de ver-se nos reflexos que exala
Factual consenso da memória
desenhada no tempo no desconforto das horas a memória pesa na lembrança todos os quilos da história e avoluma o distrato de dizer-se inconsumida quando fora uma morte a quem dá-se a vida os fatos teimam sua lógica apesar de todas narrativas
Das temporais medidas do mundo e da vida
ao tempo dê-se a insistência de ter-se no espaço até na ausência tudo que lhe ocupa é a constatação e o rito de teimar em ser medido pelas réguas do infinito o tempo é só um discurso das léguas em que habita
Da preguiça em desordenado prompt
dos ombros do céu vaza a manhã, já tarde, e uma vontade baldia de exercitar a vontade dormindo todos os sonos, no corpo, esquecido, jaz um trem estacionado em todos os seus trilhos a preguiça é quase um desdém aos reclamos da vida
Limites em conflagração bastante
não basta tanger a vontade, a prática é o rumo da liberdade não basta o passado em desuso, o presente é o curso do futuro não basta só bastar-se, é preciso inventar os outros que se bastem
Um passo à frente, dois atrás
a vontade, posta como fato, esquece a necessidade da concretude dos atos a realidade, aceita apenas o desejo como ação explícita de todos os passos do enredo o desejo e a vontade afoitos são um descuido do medo
Veredas em sertão dizentes
o sertão, adredemente calculado, comenta todos os sóis em que esteja espalhado e no trânsito dos gestos dos ventos que pressente deixa calores escondidos nas chuvas que consente o sertão é um mar vazio, encabulado e reticente
Normativo em acelerada vazão
a norma, nos artigos deitada, marcha suas ordens em imposta caminhada grávida de interesses em alíneas e notas tange os homens aos parágrafos da revolta e a compreensão de si é tudo que a revoga
Dos bólides em volitivos rasantes
a nave, incandescente, morde o céu em seu repente como se fora um pássaro de voo intransigente desenhando o tempo em seu rumo, declarado, invalida todos os ventos nesse pulo apressado dos destinos a que se presta a lua é só um recato da vontade de, máquina, deixar-se sempre no espaço
A Wladimir Ilyitch Oulianov
em passos desatados, nos ombros do Kremlin, ouve-se um caminhar de camaradas e de Lenin é que a memória pela história espalhada, preenche todos os vãos de cada camarada navegante do povo, nos meandros do discurso, Wladimir é um transatlântico nos portos do futuro
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.