AurelioAquino

AurelioAquino

n. 1952 BR BR

Deixo-me estar nos verbos que consinto, os que me inventam, os que sempre sinto.

n. 1952-01-29, Parahyba

Perfil
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Das larguras do tempo

Teço a vida
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
 
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
 
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
Ler poema completo
Biografia
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.

Poemas

3641

Patrice Lumumba em trânsito

Lumumba, dissolvido,
engravida a história
e pesa todos os quilos
no porto extenso da memória 

no vão de seus ombros,
o Congo passeia negro
a luta intensa do povo
em milhares de enredos 

a África soluça e ri
na dança de seus medos 
97

verso em contrição

como o universo,
deixo-me aflito:
para onde expandir
todos meus infinitos? 

como um pássaro 
avanço resumido
as léguas de mim
que contrito exercito 

tudo que me basta
é navegar este exercício
149

Rural declinação da camponesa lida

o camponês, 
plantado na vida,
navega o suor
em que habita

trator de si
dá-se à fantasia
de engravidar a terra
nos leirões da lida

e no roçado dos sonhos
inventa os campos da vida
61

A Thiago de Mello, pássaro verbal

Thiago,
fora da cena,
dorme nas palavras
seu último poema 

nos verbos que voou,
pássaro, agora avulso,
desmancha-se pleno
em todo seu discurso 

Thiago agora é viajante
em todos os seus cursos.
61

Ao Camarada Stuart Edgar Angel Jones II

Camarada Stuart
do vão da tua lembrança
chovem todos os brasis
que guardamos na esperança

Camarada Stuart,
mesmo que não pressintas,
teu jeito preenche o tempo
da luta que o povo habita

Camarada Stuart, 
nada como navegar, assim explícitos,
nos mares de todos,
a condição de comunista
95

Materna reminiscência em saudade exata

minha mãe
tinha nos olhares
todas as águas
dos meus mares

à nado, 
nas ondas do seu jeito,
eu bebia seus olhos
como um pensamento

minha mãe inventava manhãs
que me enchiam de tempo
67

Temporária distração da vida

o tempo tem disfarces
o jeito de senti-lo
é a régua exata
que lhe cabe

avesso a pouco espaço
resta-lhe a eficácia
de permanecer incólume
mesmo assim variado

a física que cuide assim
de mantê-lo inalterado 
66

Interligações em verbos e constâncias

o poema
imprime cicatrizes
as que venham do verbo
e as que se digam raízes
umas a doer no cérebro
outras a construir marquises

o poema entorna o mundo
como uma grave cascata
das contradições e do futuro
que põe no colo das palavras 
120

Da construção sistêmica da felicidade

a cada palmo do perto
que a vida esteja do riso
deixe-se estar navegante
montado em seus sentidos

é que nas léguas distantes
dos impropérios do tempo
cabe surfar todas as ondas
nas jangadas do pensamento

a felicidade é uma construção
da nossa coletiva consistência
79

Velha intervenção dos pruridos do tempo

no aparente avesso do espaço
o tempo da-se como lida
dos contratempos do mundo
em todas suas medidas

e ajuizado como valor
de decrescente subida
tem-se como infrator
dos prazeres que ainda habita

o tempo mora no homem
como um hóspede da vida
tudo que lhe lucra
é tê-lo como dívida
78

Comentários (8)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

AurelioAquino

Honrado