nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
Dos egos transeuntes da jornada
o ego
é só um fetiche
das coisas de nós
que estão em riste
por um triz
a memória afaga
as defesas dos eus
em que naufraga
e a vida lambuza em todos
as necessidades avaras
é só um fetiche
das coisas de nós
que estão em riste
por um triz
a memória afaga
as defesas dos eus
em que naufraga
e a vida lambuza em todos
as necessidades avaras
251
Dos relatos e da lembrança em resumida pugna
e na lembrança
para reviver o fato
a memória debruça mansa
em nosso relato
e caminha, complacente,
na sensação dos atos
é que o relato da vida
nunca é um retrato
mas a ilusão sentimental
daquilo que nos marca
a vida real, por coletiva,
nunca nos abarca
é só um abraço simples
nos infinitos em que se marcha
para reviver o fato
a memória debruça mansa
em nosso relato
e caminha, complacente,
na sensação dos atos
é que o relato da vida
nunca é um retrato
mas a ilusão sentimental
daquilo que nos marca
a vida real, por coletiva,
nunca nos abarca
é só um abraço simples
nos infinitos em que se marcha
235
Poema em represada nascente
meu poema
nem se importa
com os verbos que derrama
pela ventania
é que palavras
assim que percebidas
são só memórias represadas
dos diques da vida
abrir comportas no tempo
é o espaço a que se obriga
nem se importa
com os verbos que derrama
pela ventania
é que palavras
assim que percebidas
são só memórias represadas
dos diques da vida
abrir comportas no tempo
é o espaço a que se obriga
241
Poeminha em dialética estante
nada do que me seja tanto
que permita a si a vida
deixe-se só como somente um resto
em que se gastou a medida
a quantidade é início
de uma qualidade reptícia
que chega a mudar seu quantum
pela simples adição do mesmo indício
o qualidade é apenas o resultado
das quantidades que consigo
que permita a si a vida
deixe-se só como somente um resto
em que se gastou a medida
a quantidade é início
de uma qualidade reptícia
que chega a mudar seu quantum
pela simples adição do mesmo indício
o qualidade é apenas o resultado
das quantidades que consigo
1 388
Matutina reflexão em descambado tempo
faltaram-me as manhãs
vividas sem curso
que não contivessem as noites
em que estava o futuro
no armazém do tempo
nas prateleiras que tive
consumi todos os inventos
em que me soube livre
a sofreguidão pela vida
é uma parcimônia possível
vividas sem curso
que não contivessem as noites
em que estava o futuro
no armazém do tempo
nas prateleiras que tive
consumi todos os inventos
em que me soube livre
a sofreguidão pela vida
é uma parcimônia possível
1 442
Cósmica deflagração da paciência
o buraco negro
sem quaisquer motivos
debruçou-se na tarefa
de beber o infinito
e o universo
adredemente incontido
deu-se à cósmica razão
de seus sentidos
sem quaisquer motivos
debruçou-se na tarefa
de beber o infinito
e o universo
adredemente incontido
deu-se à cósmica razão
de seus sentidos
1 409
Dos digitais amassos da vida
inverídica e digital
a vida consente
todo insight
que o algoritmo apresente
a emoção
é só um detalhe
dos pixels da tela
que nos invade
resta a labuta
e a infinita tentativa
de, na praça da luta,
desamassar a vida
a vida consente
todo insight
que o algoritmo apresente
a emoção
é só um detalhe
dos pixels da tela
que nos invade
resta a labuta
e a infinita tentativa
de, na praça da luta,
desamassar a vida
1 359
De quem viver verá e etc
haverá o povo
e a insistência da vontade
de trafegar a vida
nos ombros da liberdade
haverá o jovem e o velho
embutidos no tempo
e irmanados nas horas
da igualdade intensa
haverá o homem e a mulher
nas confluências do ser
e a permanência exata
em tudo que se viver
haverá o futuro
só como medida
de prolongar as léguas
dos encantos da vida
e a insistência da vontade
de trafegar a vida
nos ombros da liberdade
haverá o jovem e o velho
embutidos no tempo
e irmanados nas horas
da igualdade intensa
haverá o homem e a mulher
nas confluências do ser
e a permanência exata
em tudo que se viver
haverá o futuro
só como medida
de prolongar as léguas
dos encantos da vida
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Comentários (10)
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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.