Passado em desoras
o passado é só um descuido dos futuros que se larga nos ombros do mundo como tempo resta-lhe o rompante de viver dançando na cabeça dos homens deixar-se pelas horas é a lógica de seus planos
da nova predição em laica visagem
os reis, já magros, incensam o ouro desesperados os reis, mirrados, amputam o futuro, parasitários e o mundo resolve, nos céus que consiga, desembestar a verdade nos braços de toda vida
Intermediação de tempos e fazeres
das manhãs que invado com a noite nas mãos sobra um tempo nos olhos e restos de sonhos pelo chão das tardes que desfaço, já nos ombros da noite, restam desejos assumidos num constante alvoroço assim, no meio do que vivo visto-me das horas e do novo
Dialética menção das quantidades em trânsito
num salto informe explode a quantidade e deita-se, assim diversa, em libertar-se qualidade dos vincos da matéria escondida nos números a generalidade da vida arquiteta futuros a dialética é um revoar intenso das possibilidades em curso
explosivas razões do contente
num desvão da vida espremido nos soluços o futuro vê-se adiado na pressa dos minutos e o sorriso anoitece num canto do juízo como a querer dormir nos ombros dos sentidos ao homem cabe acender os pavios do seu riso
Infringências oníricas do sonho e seu enredo
das margens do desejo, em profundas ondas, o homem navega, adredemente, tudo que se sonha o sonho na jusante do seu desejo navega o sujeito, farto, nos recalques do medo desejo e sonho, abraçados, constroem as tardes do cedo
Atabaques em vazão corrente
o lé configura o batuque no fraseado da gira e solta pelo espaço as energias que usina rumpi engrossa a vertente dos africanos sentidos jogando restos de tempo nos ombros do infinito e o rum entoa o rompante das humanas cachoeiras derramando no vão da vida as energias que penteia
Africano mote de memória bruta
as Áfricas que trago no berço do coração remontam todos os anos que trago pelas mãos assim trançadas no peito como uma memória infinita mede todas as léguas que a gente guarda na vida a África é uma cachoeira de todas as medidas
Provecta juventude
menino desde cedo dei-me por velho em certezas velho desde tarde dei-me por jovem dúvidas que guardo a certeza é uma dúvida que a vontade resguarda enquanto a natureza desencapa a verdade
Dos velejares históricos da vida
a história nunca é antiga tudo que lhe rege é a vida o dize-la passada é só disfarce de quem não a faz com todas as artes a história é a cama em que sonhamos nossa face
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.