Carlos Marighella debruçado na rua é uma bandeira exata do sentido da luta
morto, vive tão profundamente que nem se apercebe das vidas que consente
Marighella é um mar de ondas recorrentes
146
Das lucrativas misérias sistêmicas
a fome é só um enredo que o mercado, em lucro, quantifica no medo
O ágio, como dilema, transcende todas as costelas dos que o produzem no curso da miséria
parasitas, insistentes, inscrevem na história sua aparência de gente
176
Poema em famélica pose
a vontade posta nas pedras da calçada é uma fome avessa desenhada pela cara
o homem aos pedaços íntimo do lixo inventa em si qualquer indício
nada de ainda humano é o seu ofício
104
Sentimental digressão em dialética performance
assim que me trago nos ombros do que sinto como não ser dialético nas curvas desse labirinto
as encruzilhadas do peito nas farturas dos caminhos carecem de certo escopo para decretarem-se destino
o leme do melhor esforço dirige o rumo dos sentidos nada que não seja novo terá a cepa dos sorrisos
107
Temporais ataques em gestão perene
aos recados do tempo, impostos com insistência, há como avançar os drones da paciência
é que assim deflagrados nos veios da liberdade transmudam todos os ritmos dos dias e dos enfados
e se alojam em agoras grávidos de futuros compassados
231
Primeiro verso à minha pátria
Primeiro verso à minha pátria
I
no peito da rua a pátria existe dilacerado vão da vida em riste meu verso apenas trata da pátria como da sofreguidão das amantes tardias minha terra ainda não tem a compostura que a pátria que eu sonhei dizia ela escapa dos dedos como o trigo mais fugaz como o suor que acende o riso dos canaviais minha pátria é compulsória com a mesma desfaçatez das grandes auroras antes que azul melhor pensa-la e dize-la ensolarada assim em ondas numa luz que coubesse em todas as sombras e que tivesse a semelhança de um ato incalculado onde o humano fosse a razão de nunca se estar calado.
II
minha pátria geral apesar de tanta vive-me engasgada na lembrança como um sonho inconsumível e uma vasta esperança minha pátria não diz na geografia os quilos de meus irmãos que consumia apenas aflora-lhe à boca um verbo intransponível que teima em ser palavra na sua face de míssil
III
minha pátria difere do povo não pelos seus jeito e gestos mas por tudo que em sua ação teima em ter um gosto inverso e mesmo nas vezes em que é joões e marias esconde nesgas de enfado em ver-se ssim em teimosia minha pátria consome em seu mister mais avaro o coração desses homens que lhe sabem amarga
IV
mas no seu íntimo como um grande escudo minha pátria resguarda a prontidão do seu futuro em que estará liberta de ser pátria em tudo e habitará somente os homens como um universo único
81
Do frevo em Olinda adormecida
nas ruas de Olinda dorme uma alegria um carnaval embutido nas costas do dia
o frevo mesmo calado assanha a ventania e drapeja seus tons nos ouvidos da avenida
o frevo é uma lembrança nos asfaltos em que silencia
157
Desmond Tutu em itinerâncias
Desmond nem sabia das léguas de tudo que espalhava, em gestos, pelas costas do mundo
verdadeiro, não media, a persistência do ato em que se dizia
é que sobrava verdade nas carnes em que vivia como cidadão itinerante do Mundo Rainha.
108
Da espacial revolta dos bólides
a cápsula como bólide liberto deixa-se espalhar como um largo gesto
eivada de cálculos em seus trajetos inventa labirintos como manifestos
e nesse passear, como um protesto, lança no espaço uma foto 3x4 do universo
65
Do candomblé em rumpis intensos
no meio do tambor perambula o coração em todas as consequências dos vieses da razão
nos ombros dos passos nas ondas do pensamento manhãs anoitecem a vida nas varandas do tempo
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.