nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
Do acaso e suas complacências
o acaso
é só um jeito
do fato derramar-se
pelo sujeito
a vida,
nem sempre,
transcorre em si
como repente
viver é um acaso
gerido adredemente
é só um jeito
do fato derramar-se
pelo sujeito
a vida,
nem sempre,
transcorre em si
como repente
viver é um acaso
gerido adredemente
305
Do futuro como fato dizente
o futuro
não é só um tempo
é o fato desenrolado
desde a luta do presente.
Assim moído,
nas esperanças,
deixa-se pensar
como lembrança
o futuro é um tempo
que às vezes cansa
não é só um tempo
é o fato desenrolado
desde a luta do presente.
Assim moído,
nas esperanças,
deixa-se pensar
como lembrança
o futuro é um tempo
que às vezes cansa
782
Dos bilhôes de mim em luzes largas
a 300 milhões de anos luz
palpita a nova galáxia
e nos palmos que eu não sei
abraço a via láctea
trafego o universo
e suas léguas intactas
e os infinitos que tanjo
nos ombros da prática
como é bom ser medido
com réguas tão inexatas
palpita a nova galáxia
e nos palmos que eu não sei
abraço a via láctea
trafego o universo
e suas léguas intactas
e os infinitos que tanjo
nos ombros da prática
como é bom ser medido
com réguas tão inexatas
1 476
Insubmissas vertentes de ventos e gente
insubmissos
os ventos tangem o infinito
e, em seus rompantes,
deixam-se como furacōes no horizonte
vã tentativa de jogar todo perto
nas distâncias do longe
insubmissos
nos trazemos em rompantes
quando é tão perto
compreendermos o longe
os ventos tangem o infinito
e, em seus rompantes,
deixam-se como furacōes no horizonte
vã tentativa de jogar todo perto
nas distâncias do longe
insubmissos
nos trazemos em rompantes
quando é tão perto
compreendermos o longe
1 294
Ode ao baião
o baião
é um discurso recorrente
espalha toda a tristeza
do peito do vivente
é assim como cachoeira
de todas as nascentes
que debruça nos bemóis
as alegrias das gentes
o baião nem é bandeira
mas tremula a vida, sempre.
é um discurso recorrente
espalha toda a tristeza
do peito do vivente
é assim como cachoeira
de todas as nascentes
que debruça nos bemóis
as alegrias das gentes
o baião nem é bandeira
mas tremula a vida, sempre.
1 459
Do futuro indígena dos tempos
haverá um dia
em que não haverá portas
e muros serão apenas
limites de outrora
haverá um dia
em que não haverá donos
mas a grave compreensão
de que todos somos
haverá um dia
de uma vaga lembrança
em que não haverá passado
nem necessidade da esperança
em que não haverá portas
e muros serão apenas
limites de outrora
haverá um dia
em que não haverá donos
mas a grave compreensão
de que todos somos
haverá um dia
de uma vaga lembrança
em que não haverá passado
nem necessidade da esperança
1 472
dos comicios versejantes
o poema
conjuga as falas
com as palavras de ordem
da alma
os verbos
transeuntes do poema
são bailarinos verbais
postos em cena
na coxia
ardentemente
o poeta sonha
todos seus repentes
conjuga as falas
com as palavras de ordem
da alma
os verbos
transeuntes do poema
são bailarinos verbais
postos em cena
na coxia
ardentemente
o poeta sonha
todos seus repentes
1 486
Da indígena condição da complexidade
e o indígena olhar
é a simplicidade exata
da complexa gestão
da humana prática
o passado em todos
resume a lógica
da coletiva vazão
da cognitiva porta
e assim comprimindo
os infinitos que pode
atravessa as avenidas
como um bólide
é a simplicidade exata
da complexa gestão
da humana prática
o passado em todos
resume a lógica
da coletiva vazão
da cognitiva porta
e assim comprimindo
os infinitos que pode
atravessa as avenidas
como um bólide
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Comentários (10)
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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.