Lista de Poemas

De Valentina Tereshkova a céu aberto

dos céus que viste, Valentina,
ainda resta a urdidura
da vontade dos homens
construindo seus futuros
os que apenas cabem em si
e os que cabem no mundo

que teu céu permaneça guardado
para as aventuras do novo
que navega os ombros do tempo
singrando o peito de todos
115

Dos coletivos singulares

o particular
é só a divisa
entre o coletivo
e aquilo que ele cria

achar-se plural
ensimesmado
é descompor o tanto
por meros singulares

compor-se coletivo
é uma vigência total e unitária
74

Escala da vida em tom frequente

nos acordes da vida
o punho é a vontade
a espalhar os bemóis
nas escalas da verdade

o tom transforma o refrão
numa viagem tão urgente
como atalhos que o tempo impõe
nas difusas que se sente

a vida é um grande som
que se alinhava na gente
83

Voluntária medição dos quereres

dentro de mim,
germino
todas as vontades
de que vivo

pousa-las
nos desvãos da vida
da-me a compleição
das investidas

dosa-las é só o instante
de aprofundar essas medidas
55

Temporal ajuste em curso renitente

plural
o tempo acomoda
os espaços, os homens,
e todas suas horas
como uma sinergia complexa
de rompantes e demoras

ajeitá-lo em fatos
nos ombros da história
é percebê-lo curso
de toda sua lógica
66

de voos em Andes desatados

os Andes
espalhados na vista
pareciam as américas
dispostas em avenida

e do veio da terra
como uma desculpa
brotaram todas as razões
dessa imensa luta

eu, em ares transposto,
bebi, avaro, o prazer da disputa
75

guardados do tempo declarado

e deixo-me assim,
em riso largo
de quem achou o futuro
em seus guardados
como um arranjo geral
de todos os abraços

a história é só a demora
de tê-lo assim abraçado
96

De todos em si

das tribos, assim dispostas,
tenha-se o exato plano
de que todos as habitam
como um e como tantos

não há o si mesmo
sem o outro
tudo que nos define
é esse alvoroço
de querer ser um
sendo todos
35

Sintáticos estopins em verbos postos

as palavras
são estopins sintáticos
todas suas verves
nunca são o que declaram
mas a percepção adrede
dos ouvintes da fala

tê-las aconchegadas
a narcísicos aportes
basta em acordar
tudo que as explodem
o discurso é um repositório
dos estopins que pode

49

Onírica medição da vontade

o sonho,
debruçado na vontade
exige ter apenas
um quê na realidade

o trajeto onírico
é sempre vasto
sobram algumas léguas
das medidas de fato

construi-lo assim como tanto
é a exata proporção de ajustá-lo
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Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.