nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
Genealógica fração de todos
transgrido
a genealogia
toda multidão
é a família
por tê-la na praça,
pública e arredia,
dê-se ao comício
a exata serventia
o homem é uma multidão
de todos seus convivas
a genealogia
toda multidão
é a família
por tê-la na praça,
pública e arredia,
dê-se ao comício
a exata serventia
o homem é uma multidão
de todos seus convivas
123
Da notícia como fato avesso
a notícia, posta na vida,
é apenas disfarce
das embutidas razōes
das tarefas de classe
o conteúdo
é uma forma avessa
de alinhavar o pensamento
em adrede pressa
o fulcro da verdade
é um caminho de avenças
é apenas disfarce
das embutidas razōes
das tarefas de classe
o conteúdo
é uma forma avessa
de alinhavar o pensamento
em adrede pressa
o fulcro da verdade
é um caminho de avenças
39
Ode ao Rio Mundaú
no Rio Mundaú
a infância escorria
como uma peça quente
numa noite fria
a alegria pulava
as léguas de seu canto
num teatro em que a vida
era um saltimbanco
o rio era só um cordão
no pescoço do horizonte
a infância escorria
como uma peça quente
numa noite fria
a alegria pulava
as léguas de seu canto
num teatro em que a vida
era um saltimbanco
o rio era só um cordão
no pescoço do horizonte
165
Das crenças em alada fantasia
o homem
dá-se ao rompante
de fazer dos aléns
seu horizonte
garça metafórica,
imune às asas,
como voar as distâncias
em que se declara?
navegar o inexistente
é o engodo da batalha
dá-se ao rompante
de fazer dos aléns
seu horizonte
garça metafórica,
imune às asas,
como voar as distâncias
em que se declara?
navegar o inexistente
é o engodo da batalha
64
Terrena jornada
latifundiária de si
a terra nem acredita
das cercas que a consomem
em larga investida
e nos contrafortes
dissemina-se em ondas
inventando defesas
em desatada vergonha
a terra amarga os dias
e nem lembra de que sonha
essas nesgas do futuro
em que estará risonha
a terra nem acredita
das cercas que a consomem
em larga investida
e nos contrafortes
dissemina-se em ondas
inventando defesas
em desatada vergonha
a terra amarga os dias
e nem lembra de que sonha
essas nesgas do futuro
em que estará risonha
94
Palavras e poemas em vazão
a palavra, sentida,
salta do peito
como um verso exato
em que se deita
o poema, contrafeito,
arruma-se em verbos
como se não fossem palavras
seus trejeitos
a confrontação, verbal e lúdica,
nos aparatos de quem sente,
é só um desacato da disputa
salta do peito
como um verso exato
em que se deita
o poema, contrafeito,
arruma-se em verbos
como se não fossem palavras
seus trejeitos
a confrontação, verbal e lúdica,
nos aparatos de quem sente,
é só um desacato da disputa
82
Geriátrica ilusão da vida
o menino, arredio,
inventando o tempo,
teimava em ser velho
nas rugas do pensamento
doía-lhe a juventude
como um desacato
a tudo que envelhecia
em seus contratos
o menino nem sabia,
a contrassenso,
que a velhice é uma juventude
esquecida no tempo
inventando o tempo,
teimava em ser velho
nas rugas do pensamento
doía-lhe a juventude
como um desacato
a tudo que envelhecia
em seus contratos
o menino nem sabia,
a contrassenso,
que a velhice é uma juventude
esquecida no tempo
27
Dos escapes intensos da vida
meus muros
sequer os construo
deixo-me às planícies
abraçado ao futuro
bato às portas do tempo
com as horas que guardo
na constância humana
de inventor de abraços
tudo que me encontra
são os encontros que traço
sequer os construo
deixo-me às planícies
abraçado ao futuro
bato às portas do tempo
com as horas que guardo
na constância humana
de inventor de abraços
tudo que me encontra
são os encontros que traço
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Comentários (10)
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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.