o mar, nos olhos da menina, ensaia-se infinito e ilude nessa indumentária de oceano tido como um largo açude
eis que o sertāo pontua em sua pauta líquida a impossibilidade marinha de ter-se em águas infinitas
os açudes de sua infância a menina apenas quantifica
89
da paisagem como vida
a paisagem, quando espreguiça, deixa pelos olhos o sumo da vida
a matéria tem dessas lides joga o tempo no espaço e nos põe em cabides
a paisagem é um tempo de esquecer as marquises
66
Do genérico eu em marcha
saio de mim tão de repente que me perco no outro nos meandros de gente
e nessa fuga, em rios de largo vau a vida flui coletiva como um vendaval
perder-se, assim, no próximo é achar-se humano, quase total
95
Das últimas jornadas
sairei da vida como um astronauta num voo de ser único aos foguetes da genérica massa tudo que me leva é uma história exata e o pouco do que fico é a saudade de quem me guarda
64
bancos do tempo em ritmia
o tempo não se gasta sua propriedade é discurso monetário só em voos distópicos dá-se como lavra
o tempo é sempre corrente nunca diz-se avaro quando entornado em todos sem qualquer gargalo
poupar o tempo no peito é só um jeito de contá-lo
54
Infinitos em curso
o céu nem desconfia dos pedaços de deus em suas vias
espalhado no mundo, assim inconfesso, delata os infinitos que convivem o universo
o céu é um recado exato da matéria em seu nexo
71
Poema de circunstância XII
no frio fardo, envolto da cidade, o homem tarda em mostrar-se tarde
o corpo, em ondas, pinça os ares árticos e desaba na fome com a morte nos braços
a cidade nem percebe partirem seus pedaços
77
Da arte em ritmos da história
sobraçando a arte o homem cogita de por-se alheio aos ritmos da vida
sobe-lhe a ânsia de sentir-se único e deixar-se lúdico construindo o novo
a arte, sorrateira, é só um retrato da construção de todos
94
Sono em profusa travessia
meu sono é só jornada dos sonhos que enfio pela madrugada
e de vê-la displicente tangendo impune o dia abraço seus recados em todas suas vias
e lanço-me, farto, ao tempo com as oníricas iguarias
119
Poema em trânsito versejante
no papel, debruçado em sua lavra o poema entorna, lúdico, todas as falas
os verbos que alinha nos rasantes e na calma sobrevoam os desejos aflorados nas palavras
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.