Reminiscência CXXIX
brincando no tempo
na chuva, no riso
o menino via assim
intimidade com o infinito
molhando a vida
diligente descobria
apesar de triste
a natureza sorria
tuda da infância
ainda hoje pulsa
na liquidez inata
dos gestos da luta
brincando no tempo
na chuva, no riso
o menino via assim
intimidade com o infinito
molhando a vida
diligente descobria
apesar de triste
a natureza sorria
tuda da infância
ainda hoje pulsa
na liquidez inata
dos gestos da luta
o sonho fugiu da noite
enrolou-se no dia
serpente onírica
ao encontro da vida
fez-se de tanto
fraudou a realidade
imiscuido no tempo
fingindo seus atos
navegando a manhã
na barca do cérebro
o homem consumia
o gosto do desejo
a vontade
portfólio da vida
inventa no homem
todas suas vias
as lidas em si
as coletivas
gerente imaginária
de culpas e dívidas
monta o arcabouço
via íntima das dúvidas
a vontade é o único leme
de quem se luta
não só asas
dão aos pássaros
esse jeito de voar
bordando o espaço
guardam em si
certa volúpia
de enfeitar o tempo
o campo e as ruas
o homem inventa voos
asas da vontade
bordando em si
sonhos de liberdade
a manhã,
descuido da madrugada,
deu-se de tanta
até que fosse tarde
o tempo,
desacostumado,
fingiu-se de noite,
acovardado
a lua, saliente,
envaidecida,
piscou para o sol
meio escondida
o tempo fingia o espaço
o homem nem sabia
a fome
rasga a vida
retalho humano
pelas vísceras
ressoando as horas
deflagra o tempo
martelo da razão
no pensamento
a fome
um verbo mudo
explode recorrente
como discurso
o homem, rasgado,
perde, em si, o mundo
a carne pulsa a vida
inventa enredos
entranhas invisíveis
de cada desejo
o trânsito humano
nas ruas do tempo
deflagra nas vias
todos seus inventos
o homem pulsa o mundo
tão sobrevivente
sonhando seus desejos
com a vida nos dentes
o comício
como relâmpago
iluminava os verbos
pela garganta
o microfone
dava-se clava
fincando a história
pelas palavras
o jovem
nos bancos da vida
dizia a praça
nas vias do partido
o mundo boiava na vontade
como afago nos sentidos
ancestral
desde a infância
dou-me ao tempo
com parcimônias
as que vigem das horas
as que faltam nos sonhos
ancestral
na mundana disputa
deixo-me coletivo
às vias das ruas
a construção humana do tempo
é a lógica braçal da luta
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.