AurelioAquino

AurelioAquino

n. 1952 BR BR

Deixo-me estar nos verbos que consinto, os que me inventam, os que sempre sinto.

n. 1952-01-29, Parahyba

Perfil
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Reminiscência CXXIX

brincando no tempo
na chuva, no riso
o menino via assim
intimidade com o infinito
molhando a vida
diligente descobria
apesar de triste
a natureza sorria
tuda da infância
ainda hoje pulsa
na liquidez inata
dos gestos da luta

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Biografia
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.

Poemas

3605

Fuga

o sonho fugiu da noite
enrolou-se no dia
serpente onírica
ao encontro da vida
fez-se de tanto
fraudou a realidade
imiscuido no tempo
fingindo seus atos
navegando a manhã
na barca do cérebro
o homem consumia
o gosto do desejo

8

Das vias

a vontade
portfólio da vida
inventa no homem
todas suas vias
as lidas em si
as coletivas
gerente imaginária
de culpas e dívidas
monta o arcabouço
via íntima das dúvidas
a vontade é o único leme
de quem se luta

5

Bordados

não só asas
dão aos pássaros
esse jeito de voar
bordando o espaço
guardam em si
certa volúpia
de enfeitar o tempo
o campo e as ruas
o homem inventa voos
asas da vontade
bordando em si
sonhos de liberdade

6

disparates

a manhã,
descuido da madrugada,
deu-se de tanta
até que fosse tarde
o tempo,
desacostumado,
fingiu-se de noite,
acovardado
a lua, saliente,
envaidecida,
piscou para o sol
meio escondida
o tempo fingia o espaço
o homem nem sabia

7

Da fome

a fome
rasga a vida
retalho humano
pelas vísceras
ressoando as horas
deflagra o tempo
martelo da razão
no pensamento
a fome
um verbo mudo
explode recorrente
como discurso
o homem, rasgado,
perde, em si, o mundo

6

Pulsares

a carne pulsa a vida
inventa enredos
entranhas invisíveis
de cada desejo
o trânsito humano
nas ruas do tempo
deflagra nas vias
todos seus inventos
o homem pulsa o mundo
tão sobrevivente
sonhando seus desejos
com a vida nos dentes


6

Reminiscência CXXV

o comício
como relâmpago
iluminava os verbos
pela garganta
o microfone
dava-se clava
fincando a história
pelas palavras
o jovem
nos bancos da vida
dizia a praça
nas vias do partido
o mundo boiava na vontade
como afago nos sentidos

7

ancestral comento

ancestral
desde a infância
dou-me ao tempo
com parcimônias
as que vigem das horas
as que faltam nos sonhos
ancestral
na mundana disputa
deixo-me coletivo
às vias das ruas
a construção humana do tempo
é a lógica braçal da luta

9

nuances verbais

o poema é biombo
entre o poeta
o outro e o mundo
na palavra
só exala
uns tantos verbos
postos na alma
reticências tantas
da íntima fala
que mesmo dita
ainda tanto cala
o poema no mundo
inventa alheio
o que nem declara

11

Deslembrança

torço a lembrança
pelo pensamento
ingênua prontidão
de enxugar o tempo
águas sentidas
no vão da lágrima
revivescência inata
do que se guarda
a memória
coleção subjetiva
sempre jaz no homem
álbum da vida

6

Comentários (8)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

AurelioAquino

Honrado