Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
torço a lembrança
pelo pensamento
ingênua prontidão
de enxugar o tempo
águas sentidas
no vão da lágrima
revivescência inata
do que se guarda
a memória
coleção subjetiva
sempre jaz no homem
álbum da vida
a vida
é discurso
tudo que lhe vive
diz o futuro
sua fala
verbo alado
voa na vontade
aterrisa nos braços
no homem
como colmeia
dá-se coletiva
em todas suas teias
discorre-la no mundo
é comício nas ruas e veias
a Praça Vermelha
em maio posta
dançava em si
pedaços da história
Moscou
veias da vida
afagava nas ruas
a sanha coletiva
o jovem
intensamente camarada
criava em si
pedaços da vontade
o tempo corria rubro
nos ombros da tarde
analógico
o cérebro transpira
sinapses digitais
algorítmicas
ficção disfarçada
de estar ciente
pasta na tela
a razão de vivente
a trama coletiva
matéria usinada
resta escondida
no alfabeto da alma
o homem anda a história
nos entraves que espalha
o poema é biombo
entre o poeta
o outro e o mundo
na palavra
só exala
uns tantos verbos
postos na alma
reticências tantas
da íntima fala
que mesmo dita
ainda tanto cala
o poema no mundo
inventa alheio
o que nem declara
quando vivido
o desejo arma
todos os sentidos
em que se basta
das entranhas de si
o homem escapa
engenheiro da vida
artesão das madrugadas
tudo que lhe vive
nunca é tarde
o desejo da-se ao tempo
na constância em que arde
nas viagens em si
verbos avulsos
o poeta flagra incólumes
poemas em seu curso
nada do que palavra
construída em tanto
dá-se à compleição
de verso bastante
sempre falta um poema
um verbo militante
que despeje o poeta
em seu horizonte
o poeta atravessaem si
o poema como ponte
o mar
imita a vida
dançando a paz
idas e vindas
berço líquido
faz-se de tanto
nesse manejar
ninar humanos
as ondas
leitos incontidos
adormecem o homem
cheio do infinito
o mar discursa na espuma
a mansidão de seus gritos
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.