nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
Saturno em onírico rito
Saturno, a postos,
pisca no céu
como um estandarte de luz
plantado no cosmos
dado às alturas
injeta nos olhos,
no jogar da mente,
os infinitos que pode
Saturno é só figurante
dos sonhos que esconde
aqueles que alinhavam a vida
aqueles que vivem o longe
pisca no céu
como um estandarte de luz
plantado no cosmos
dado às alturas
injeta nos olhos,
no jogar da mente,
os infinitos que pode
Saturno é só figurante
dos sonhos que esconde
aqueles que alinhavam a vida
aqueles que vivem o longe
8
Trânsito em humanas carnes
de trazer-se magro
num tempo escasso
o homem lavra a fome
consigo nos braços
o viver estanca
no corpo descampado
e, faminto, mede a falta
de sonhos pela face
o tempo transita um homem
permanentemente adiado
num tempo escasso
o homem lavra a fome
consigo nos braços
o viver estanca
no corpo descampado
e, faminto, mede a falta
de sonhos pela face
o tempo transita um homem
permanentemente adiado
18
Versejar como navegação de si
versejar
talvez nem seja
ver se o verbo retrata
o que crítica deseja
versejar
é só um jeito
de derramar o mundo
que se tem no peito
verbo sentido
espalhado nas estrofes
nada quantifica a forma
dos infinitos conteúdos de que sofre
talvez nem seja
ver se o verbo retrata
o que crítica deseja
versejar
é só um jeito
de derramar o mundo
que se tem no peito
verbo sentido
espalhado nas estrofes
nada quantifica a forma
dos infinitos conteúdos de que sofre
23
Do processo legislativo vivente
projeto,
em clara vontade,
a vida permanece
nos braços de quem a lavre
decreta-se, em votos,
adredemente aprovada,
como lei de quem a leva
nos ombros da estrada
finda,
em autógrafo dada,
legisla sobre a matéria
genericamente disfarçada
em clara vontade,
a vida permanece
nos braços de quem a lavre
decreta-se, em votos,
adredemente aprovada,
como lei de quem a leva
nos ombros da estrada
finda,
em autógrafo dada,
legisla sobre a matéria
genericamente disfarçada
6
Palavras em postais correntes
a palavra
lavra a fala
discursa e cala
farpa verbal, resvala,
pelo rio da boca
d(g)ramática e avara
dorme no verso,
verbo resumido
como manifesto,
brincando de infinito
lavra a fala
discursa e cala
farpa verbal, resvala,
pelo rio da boca
d(g)ramática e avara
dorme no verso,
verbo resumido
como manifesto,
brincando de infinito
7
Das andanças etílicas
o vinho
tinge o juízo
com as cores de si
e alguns artifícios
flui no verbo
como um vendaval
letras e gestos
em decúbito formal
o álcool tange o corpo
como uma bandeira exata
de todos os egos resumidos
espalhados pela praça
tinge o juízo
com as cores de si
e alguns artifícios
flui no verbo
como um vendaval
letras e gestos
em decúbito formal
o álcool tange o corpo
como uma bandeira exata
de todos os egos resumidos
espalhados pela praça
9
Das vésperas verbais da verdade
a verdade
paira dita
nas dúvidas do fato
que explicita
verbo
não se presta
a provar antes do fato
sua véspera
construi-la antes
é manifesto
de quem verbaliza
o concreto
paira dita
nas dúvidas do fato
que explicita
verbo
não se presta
a provar antes do fato
sua véspera
construi-la antes
é manifesto
de quem verbaliza
o concreto
6
Duvidosas dívidas da verdade
minha dúvida
nunca é dívida
antes como verídica
em não conter medidas
para medir os fatos
que me entornam pela vida
trazê-los todos contados,
em réguas sapientes,
é deixar-me do futuro
em verdades só presentes
esquecidas das rebeliões
de tudo que se sente
nunca é dívida
antes como verídica
em não conter medidas
para medir os fatos
que me entornam pela vida
trazê-los todos contados,
em réguas sapientes,
é deixar-me do futuro
em verdades só presentes
esquecidas das rebeliões
de tudo que se sente
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Comentários (10)
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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.