Simbiótico panorama do tempo
o futuro,
debulhado do presente,
tem a marca do passado
que será futuramente
a simbiose
dessa gravidez histórica
é também o curso exato
das açōes e da memória
plantar futuros pela vida
é palmilhar todas as horas
Gestual lembrança
a saudade
é um jogo do tempo
em deixar-se tanto
quando menos
dói no espaço
como uma pedra quântica
deixada ao léu
nas curvas da esperança
a saudade é só um gesto
que o pensamento dança
Temporais atitudes
não importa
que a manhã não venha
trago a tarde na algibeira
e as noites que convenham
o tempo, assim relativo,
nas velocidades em que tombe
sempre deixará o perto
nas vontades do longe
caminha-lo é só um desfrute
nos passos em que se tange
Do frevo em passeata
o frevo assim pelas ruas
é um compasso diferente
quando derrama seus bemóis
atiça a alma da gente,
espalha, assim, pelos passos
pedaços de quem lhe sente
o frevo é só um recado
do que a alma consente
Lia de Itamaracá ciranda o tempo
Lia de Itamaracá
em seu alvoroço
espalha todas as Áfricas
nos passos do povo
preta, em sua luz,
nos gestos esconde
todos os faróis
que vigem nos homens
a ciranda inventa a paz
nos bemóis que instala
e enche o canto de todos
com os passos da alma
Solitária construção da vida
a solidão
é uma lei avara
tudo que não lhe sente
é a palavra
posta assim como verbo
nos gestos que declara
dá-se farta a indícios
das engenharias solitárias
dizer-se em gesto no outro
em todas as suas falas
é construir as pontes de si
pelos andaimes da alma
Caminhante cavalgada
vaqueiro de mim,
dou-me ao rebanho,
coletivo transeunte
do curral dos sonhos
força-me ao rumo
a grande caminhada
que o mundo tece no tempo
nos futuros que cavalga
o que me faz assim caminhante
são os galopes da alma
Parto em visão nascente
às portas do mundo
na materna guarita
o tempo pinça a vontade
de abraçar-se à vida
o ser, ainda encoberto,
deixa-se em transe
a ouvir os gritos imensos
de quem lhe tange
exausto,
engole a vida com espanto
e procura instalar-se pela história
no discurso do seu pranto
imagens
o espelho
é só um retrato
do que a mente vê
em seus recatos
esconde-se da vida
como um eremita
das imagens que inventa
nos olhos que habita
o espelho é uma vontade
posta nos reflexos da vida
Da morte em trânsito
as mortes que morri
foram vividas
com a exata compleição
das despedidas
as que foram impostas
e as consentidas
o inventário de todas
nos desvãos da vida
são antíteses passadas
em todas as medidas
o tempo que as conteve
é uma estrada esquecida
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.