nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
Vital permanência da vontade
a vida
dói aos poucos
quase um martelo
na bigorna do corpo
o sonho,
viés anestésico,
entorna endorfina
da cachoeira do cérebro
o tempo é só um engano
nas oficinas do medo
na construção de seu modo
a vida sempre caminha um enredo
dói aos poucos
quase um martelo
na bigorna do corpo
o sonho,
viés anestésico,
entorna endorfina
da cachoeira do cérebro
o tempo é só um engano
nas oficinas do medo
na construção de seu modo
a vida sempre caminha um enredo
15
Das larguras da humana lida
reatar o tempo
a seus princípios
e move-lo humano
em seus indícios
como se fora a história
um longo enredo
em que jogaram todos
à espera de si mesmos
o homem e o futuro
conjugados sem medidas
espalharão infinitos
nos palmos de suas vidas
a seus princípios
e move-lo humano
em seus indícios
como se fora a história
um longo enredo
em que jogaram todos
à espera de si mesmos
o homem e o futuro
conjugados sem medidas
espalharão infinitos
nos palmos de suas vidas
11
Verbal semeadura
o poema
afaga a palavra
nos conchavos que faz
no vão das almas
o poema
alinha palavras
como um roçado semeado
nos fatos que arma
o poema nem bem nasce
e no poeta desaba
há novas semeaduras
nos verbos em que se lavra
afaga a palavra
nos conchavos que faz
no vão das almas
o poema
alinha palavras
como um roçado semeado
nos fatos que arma
o poema nem bem nasce
e no poeta desaba
há novas semeaduras
nos verbos em que se lavra
24
Todas as veias vivas
toda via
traz a vida,
todavia,
o combate anuncia
as léguas de si
que pronuncia
no rompante contraditório
que a luta prenuncia
toda via,
gera toda vida,
todavia,
há que construir o povo
nas veias do dia
traz a vida,
todavia,
o combate anuncia
as léguas de si
que pronuncia
no rompante contraditório
que a luta prenuncia
toda via,
gera toda vida,
todavia,
há que construir o povo
nas veias do dia
7
Ode a La Paz
La Paz, sob meus pés,
como um Andes derramado
era um indígena contando
todos os meus passos
a montanha,
lúdica e urbana,
bebia meus olhos
em latina trama
La Paz, distante, ainda habita
todas as minhas chamas
como um Andes derramado
era um indígena contando
todos os meus passos
a montanha,
lúdica e urbana,
bebia meus olhos
em latina trama
La Paz, distante, ainda habita
todas as minhas chamas
6
Mandamentos de mim
minha lei,
autocraticamente consentida,
determina todos os artigos
como criadores da vida
nos parágrafos
a vontade explicita
o transitar no tempo
em todas as léguas que consiga
nas alíneas,
sub-reptícias,
a tristeza é só um estopim
das alegrias que insistam
autocraticamente consentida,
determina todos os artigos
como criadores da vida
nos parágrafos
a vontade explicita
o transitar no tempo
em todas as léguas que consiga
nas alíneas,
sub-reptícias,
a tristeza é só um estopim
das alegrias que insistam
6
Do povo construtor em atos
o povo inventa o tempo
alinhando o espaço
da história que tramita
a vida com seus laços
tudo que lhe reclama
é o ajuste do compasso
entre a parcimônia da luta
e a abrangência dos fatos
tudo que lhe declama
é um poema exato
urdido em vivos verbos
com o suor de seus braços
alinhando o espaço
da história que tramita
a vida com seus laços
tudo que lhe reclama
é o ajuste do compasso
entre a parcimônia da luta
e a abrangência dos fatos
tudo que lhe declama
é um poema exato
urdido em vivos verbos
com o suor de seus braços
6
Pequena paisagem noturna com nesgas da manhã
a noite tecia a madrugada
na varanda intensa do mundo
os homens dormiam a vida
abraçados aos sonhos de tudo
e, assim, alinhavando o dia
a natureza espalhava-se no tempo
deitada no colo do si mesma
como se abraçasse o firmamento
os ares revoltos pelas brisas
os galos, jornalistas da aurora,
adivinhando as luzes nascentes
cantavam as árias das horas
e eu, perdido em mim mesmo,
sonhando adredemente o futuro
deixava-me andante das estradas
nas costas dos sonhos em que durmo
na varanda intensa do mundo
os homens dormiam a vida
abraçados aos sonhos de tudo
e, assim, alinhavando o dia
a natureza espalhava-se no tempo
deitada no colo do si mesma
como se abraçasse o firmamento
os ares revoltos pelas brisas
os galos, jornalistas da aurora,
adivinhando as luzes nascentes
cantavam as árias das horas
e eu, perdido em mim mesmo,
sonhando adredemente o futuro
deixava-me andante das estradas
nas costas dos sonhos em que durmo
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Comentários (10)
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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.