Ode a La Paz
La Paz, sob meus pés,
como um Andes derramado
era um indígena contando
todos os meus passos
a montanha,
lúdica e urbana,
bebia meus olhos
em latina trama
La Paz, distante, ainda habita
todas as minhas chamas
Solilóquio em rasa ocorrência
a solidão,
solta no tempo,
é só um vão
do pensamento
dói pela vida
como desperdício
da vazão de todos
pelo coletivo
a solidão trafega
a ausência do outro
em que navega
Auto da matéria errante
o homem
é um quase jeito
da natureza brincar
de conhecer-se
e nesse trânsito
deixa-se intrusa
e parte de si
em grave fuga
tudo que a deixa
nessa auto disputa
desinventa o espaço
nos tempos da luta
Temporal de vizinhos marcos
o amanhã
grávido de ontens
é um porvir de vizinhos
um tempo defronte
trazê-los unidos
no vão dos atos
e deixar pelas horas
todos os recados
o tempo é uma brincadeira
de armar nossos fatos
Noturno versejar
o poema estende,
à noite, por insistência,
todas as palavras
no varal da consciência
o poeta, confuso,
estende verbos
como resistência
a todos os seus muros
solta, já nos ventos,
a palavra nem percebe
que constrói alegrias
nas tristezas que consegue
pequena dialética dos quantuns
a quantidade,
em matemático alarde,
entorna-se outra
nos braços da qualidade
íntima de números
da-se à postura
de somar-se em unos fatos
para novas urdiduras
o tempo é só um enlace
da mudança em que se atura
tudo que se soma
descamba em nova curva
o futuro é só uma soma
dos números que apura
Das fugas de mim
nunca escapo
dos tempos em que me escondo
e me acho
fugir de mim
é só um escape
que o ego transita
entre mim e a verdade
no tempo que habito
deixo-me à vontade
Filigrana zen do exercício
intensamente zen,
deixo-me vagar
nos eus do além
saio de mim
entrando-me largo
nada e tudo de mim
que vagamente trago
conjuntamente zen
dou-me ao indício
de postar-me lógico
no colo coletivo
Caminhada em passos voláteis
os passos,
nos ombros do tempo,
dobram o caminho
no pensamento
a estrada,
mastigada na paciência,
tange a paisagem
pela consciência
o destino é só um perto
para ludibriar os longes
como manifesto
Do poema em declarada entrega
o poema
lambuza a alma
alinhavando razões
no colo das palavras
não que as preencha
com a régua de princípios
mas que as regue fartas
com um quê da vida
o poema é só um transeunte
das nossas densas avenidas
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.