Lista de Poemas

Dos mares de mim em curso

incógnito,
nas sombras,
meus mares sonham
esse tanger as ondas

nas praias de todos,
dão-se ao discurso
desse choro convulso
das águas do futuro

é como beber-se o tempo
e trazer-se urgente como uso
9

Do vau da vida

cabe no homem
qualquer caminho
aqueles que constrói
e os que adivinha

achar o largo vau
no rumo dos passos
é um molhar-se de si
em tudo que abrace

esparramar-se na vida
é só um jeito de enfrentar-se
5

Fluvial demanda

o rio,
abraçado às margens,
rasga o ventre do mundo
tangendo a paisagem

tudo que lhe corre
é só um tempo
de tornar-se mar
nos ombros do vento

os rios de mim só(correm)
todos meus pensamentos
tange-los ao mar
é paisagem recorrente
8

O grito e seus informes

o grito
é incontinência
presa solta
da paciência

dói, nos atos,
como fardo casual,
estilhaço de verbos
em decúbito vocal

o grito discursa o alvoroço
de verbos reticentes
que esquecem nos fatos
os braços do que sente
11

Dragão do Mar

Chico da Matilde,
vestido da história,
construía o tempo
no alvoroço das horas

dragão do mar,
dava-se à simetria
de ter-se humano
nas áfricas que vivia

tudo que era o futuro
em suas mãos já vivia
14

Transeunte da vida I

saindo claro da foto
dou-me, assim, à deriva
nesse terçar o tempo
para abraçar a vida

7

trilhos e trilhas

o trem
preso aos trilhos
é um disfarce exato
do arbítrio
tudo que o leva
é um rumo definido
os atalhos possíveis
são apenas indícios

às humanas locomotivas
dos trilhos postos da vida
cabe criar atalhos
em todas as suas trilhas
15

Do vaqueiro em escalada

na caatinga,
nos bemóis de seu grito,
o vaqueiro tange a vida
como um boi subentendido

e nesse laçar o tempo
nas veredas que habita
o vaqueiro joga seus laços
nos sonhos que exercita

o boi é só um transeunte
dessas estradas oníricas
12

Leitura em sincronia

o poema
jazia no livro
como um verbo largo
definitivo

nos olhos,
o homem pressentia
as páginas viradas
no colo da vida

o poema e o homem
entornavam o dia
4

pareceres em inverso rumo

a aparência
é lapso
vestimenta ingênua
do fato

dá-se aos olhos,
assim lúdica,
como privada feição
do que é público

arrastá-la à lógica
da contradição
é permiti-la sim
mesmo que não
7

Comentários (10)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.