Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
A vida
é tudo ou nada
quando o desejo
dá-se à vontade.
A vida
é ainda sempre
mesmo os nuncas
postos no tempo.
A vida
como viagem
mesmo cedo
ainda é tarde.
Ao homem cabe inventa-la
no tempo que se caiba
dada a razão
a matéria pulsa
eixo incontroverso
das vias da luta
grávida de si
ávida e lúdica
humana ronda
distrato coletivo
ruas de tantos
veias construídas
deixar-se militante
marchar esse rumo
deflagrada vontade
de estar futuro
a montanha
dormindo o tempo
sentia o horizonte
nos ombros do vento
geográfica saga
de estar presente
carne da história
Andes combatente
o camarada
embrulhado no sonho
trafegava os sentidos
nas estradas do mundo
a Bolívia açoitava a vontade
como um abraço em tudo
a dúvida
é só trejeito
da certeza transitar
seu tempo
no desembrulhar-se largo
da matéria em movimento
a verdade
em temporária dança
tramita suas horas
nas dúvidas que avança
a síntese do mundo
divide as vias de tudo
o tempo conta e canta
tudo que raia a vida
tecendo no vão das horas
os infinitos que consiga
nos laivos humanos
da matéria construída
dado assim ao homem
no transcurso vivente
inventa-se como foz
da coletiva corrente
o tempo é rio urgente
desembocando caudaloso
nos mares que se sente
a rua
entristecida
alinha o povo
no vão da vida
os passos
em ritmo triste
embalam a manhã
em que insistem
os desejos
ainda vigentes
adiam o futuro
arma recorrente
as ruas largas do tempo
inventam o povo insistente
Gaza
inflamada
vomita a história
nos canalhas
a vida
trucidada
constrói os vincos
da madrugada
cada palestino
carrega no grito
todos os futuros
ainda escondidos
as veias postas no tempo
são capazes do infinito
a manhã
inconformada
deixa restos de si
no vão da tarde
o tempo
atrapalhado
escapa dos olhos
em seus retalhos
o homem
vestindo as horas
embaralha o tempo
na memória
a vida veste o tempo
montada na história
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.