Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
que fosse de tanto
assim constituído
pudesse o homem arcar
com o peso do infinito
na intimidade tensa
da matéria em seu rito
que fosse de tanto
o homem construído
na intimidade de si
abraçado ao coletivo
em todas as desoras
que o tempo lhe persiga
o rio sussurrava
todos os antes
que trazia nas águas
como fora gerente
do tempo que falava
o homem
traduzindo sua fala
jogava na memória
as correntes que pulsava
homem e rio abraçados
fugiam da paisagem
um pela consciência
o outro pelas margens
as cartas que me fiz
destinatário íntimo
sempre contiveram
intensos discursos
os da jovem rebeldia
os do provecto futuro
os olhos escaneavam
a luta grávida da vida
e jogavam nas letras
os verbos dos sentidos
minhas cartas contavam
assim ensimesmadas
palavras que diziam
do futuro em mim passado
sempre será urgente
quando sempre tarde
a razão de estar a postos
militante da liberdade
consumir cada tempo
como gole da vontade
nunca será tanto
consumir a vida
instrumento de si
nas ruas que decida
cada rol da verdade
súmula do novo
dê-se de tanto assim
como parte do povo
o menino
rasgado na fome
tramita em si
a magrém do sonho
rasgando o tempo
a bomba tramita
arquivos do ódio
de ladrões da vida
o menino e a bomba
construídos na memória
tramitam Gaza livre
nos ombros da história
a memória
capataz da saudade
garça militante
desenha voos
pela vontade
voa o futuro
posta no desejo
transeunte fugaz
do seu enredo
pousa na vida
como andarilha
viajante tenaz
de suas trilhas
pretérito
dê-se ao futuro
rédeas inatas
humano curso
peripécia da matéria
em dar-se a uso
de resto
lace o tempo
nos rodeios de si
no pensamento
publique a vida nos braços
da coletiva sentença
voos que fiz
astronauta onírico
das curvas da vida
deram-me íntimo
rastros humanos
da matéria lúdica
nesse estar transeunte
das vias da luta
o tempo viajante
em rito compilado
espalhou o infinito
no vão dos braços
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.