AurelioAquino

AurelioAquino

n. 1952 BR BR

Deixo-me estar nos verbos que consinto, os que me inventam, os que sempre sinto.

n. 1952-01-29, Parahyba

Perfil
309 365 Visualizações

Das larguras do tempo

Teço a vida
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
 
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
 
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
Ler poema completo
Biografia
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.

Poemas

3477

Íntima vigência

 

o foro íntimo

dá-se coletivo

em todos ancestrais

que traz consigo

os que vigem em si

os vigentes no infinito

dizê-lo recato

gueto indivíduo

trai a imensidão

do humano ofício

vagar multitudinário

é viger sempre consigo

21

Humano rumo

 

tudo do que tanto

seja assim a vida

cachoeira do mundo

posta nos sentidos

repto humano

aos limites do infinito

antes do que nada

esteja consentida

matéria itinerante

enfeitando-se de vida

abraçada nos homens

intensamente construída

23

Poema fetal

 

dos modos

em tese

tenha-se a razão

adrede:

a forma instala

os conteúdos

que ingere

dá-los informes

é forma-los avante

placenta engenheira

fetos verbais de tanto

o poema é um distrato

dos modos de seu canto

21

Via humana

 

quando há vida

a matéria insiste

restar-se tanta

quando a crise

rastros do tempo

grávido lapso

imanência humana

em seus saltos

via intrínseca

dessa necessidade

de ter-se militante

da liberdade

38

Vazão humana

 

na verdade

ser indivíduo

é estar na vida

sempre coletivo

tudo que é só

flagra a compostura

do que agride a si

como fosse luta

a competição

posta em tudo

é só negação

das vias do mundo

ao homem cabe ser todos

com todos em tudo

19

Dos plurais constantes

 

a solidão assim

nunca haja

quando sejam multidões

dentro da alma

estreito da vida

dê-se ao rompante

estar indivíduo

mesmo figurante

das ruas do povo

múltiplo habitante

a pluralidade de si

é singular militante

38

Da razão em marcha

 

a razão

articula a trama

construção de si

em cada chama

fogueira cerebral

cadência humana

ata-la à vida

dá-la aos braços

na exata proporção

dos fatos

revolve-la no tempo

abraça-la no espaço

64

Caminhos e atos

 

a vida

quando estrada

inventa passos

lendas da alma

consumi-la em tanto

habita-la

construí-la em todos

como arma

inundar o mundo

de suas falas

as postas nos fatos

as vindas da alma

6

Notívaga manhã

 

nos ombros

do horizonte

a manhã dizia

todo tempo que podia

um abraçar do espaço

como dia

a noite, vencida,

enchia o tempo do homem

ainda entristecido

a manhã tentava brilhar,

em armistício

tudo que era tempo

jazia nos sentidos

ainda como alvorada,

no homem como esquecida

40

Rasantes da vida

 

pássaro de mim

dou-me ao voo

em todas as asas

que construo

as achadas no tempo

as compostas por todos

dá-las aos ares

rasantes presumidos

restam como enfeites

no vão dos sentidos

voar-me é só um jeito

do sonho que consiga

57

Comentários (10)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

AurelioAquino

abraço

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !