Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
minhas retas
são as curvas que cometo
embrulhado nas abcissas
dos triângulos do medo
minhas curvas
são as retas presumidas
que a liberdade inventa
nas esferas da vida
a condução do tempo
habita nossas medidas
todas as circunstâncias
da geométrica lida
a chuva
molha a saudade
navega o tempo
e nem sabe
derramar-se assim
qual tempestade
das vias sentidas
do passado
trovões da lembrança
relâmpagos renitentes
veios fartos da vida
postos em corrente
em sinfonia
o cérebro discursa
todas as sinapses
em suas curvas
nesse frigir humano
de estar em luta
orquestra militar
em civil postura
dardos de bemóis
em fala lúdica
o homem abraça o tempo
construindo-se batuta
a verve
do poema
é só um laço
palavra posta
em seu alarde
de parecer cedo
quando tarde
ou de rir o verbo
em seu brincar-se
ou de gritar o mundo
nas dores da arte
ou de desenhá-lo
nas curvas da palavra
desde a origem
dou-me à saga
de povoar a multidão
que me deflagra
aparente singular
dos plurais que consigo
intrometo minha fala
na obra coletiva
contrição humana
pejada de infinitos
a matéria vive em mim
todos os seus gritos
debaixo das pedras
o menino habita
os futuros perdidos
nos restos da vida
nos olhos
como custódia
um dardo definitivo
da história
a infância baldia
posta nos escombros
pulsa Gaza recorrente
nas lágrimas dos homens
um dia ainda nascente
haverá uma Palestina
nas entranhas do tempo
a pedra
abraçada na história
arquiva no tempo
a mística das horas
bruta composição
natureza esculpida
deflagra nos homens
a insistência da vida
quando são paisagens
assim nos olhos
quando armas
assim consentidas
o destino
no poeta
é estar itinerante
quando verbo
trama substantiva
laivo subjacente
de quem vê o tempo
inadimplente
palavras correm a vida
nos aceleradores
que consentem
os freios do infinito
são verbos reticentes
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.