Andanças
o povo
dança a rua
abraça o tempo
em sua luta
cheiro da história
assuntando seu curso
ilações da matéria
nas vias do futuro
a multidão
pulsando a avenida
inventa pelo tempo
as tramas da vida
os passos do mundo
engravidam em tudo
o povo
dança a rua
abraça o tempo
em sua luta
cheiro da história
assuntando seu curso
ilações da matéria
nas vias do futuro
a multidão
pulsando a avenida
inventa pelo tempo
as tramas da vida
os passos do mundo
engravidam em tudo
atrás dos sentidos
a razão nem cogita
ensimesmar-se dúvida
na certeza que tramita
destes rasgos humanos
justapostos na vida
antes negocia
um sentir infinito
em todos os detalhes
dos metros que milita
os sentidos dizem
as léguas todas de si
que a razão admite
nada como sonhar a vida
dormi-la em fatos
e consumi-la
guardada a proporção
que a verdade consinta
nas passeatas de tanto
que as ruas admitam
tudo que sonhar viva
e na consistência do fato
intensamente reproduza
tudo de tanto como tantos
abraçando o sonho
disseminem a luta
retalhando o tempo
nos debruns que borda
o homem costura
todas suas sobras
as tecidas na vida
as tecidas na alma
somente dono de si
quando em tantos
deixa-se coser alheio
em cada contorno
nos limites internos
suas léguas de povo
dar-se ao bordado da história
é a costura do novo
ainda rasa
a vida afunda
trejeitos da matéria
pelo mundo
o universo
apenas escuta
nos umbrais do tempo
o ruido da luta
o homem ensimesmado
guerreia os infinitos
em que se cabe
o cacto
engolindo o sol
pelos espinhos
abraça a terra
como ofício
íntima defesa
em que se afirma
o homem
dado ao sertão
nos cactos da vida
engana os espinhos
nos sóis que cria
íntima compleição
da humana corrida
a vida é manifesto
discurso amordaçado
retórica de gestos
a vida é discurso
fala das praças
roçando o futuro
a vida,
teúda e manteúda,
é só um disfarce
da matéria em luta
cabê-la em tanto
como coletiva
é deixar-se quanta
enquanto viva
o samba
é uma África escondida
beliscando na história
compassos da vida
é negra tormenta
rio do sentimento
batuque desembestado
onde o povo se consente
é tambor transeunte
das ruas todas da gente
nos passos que o povo dá
quando em si impunemente
o samba entorna o mundo
como fosse uma corrente
a vida
docente voluntária
ministra nos quadros
as cenas da aula
as que finca na carne
as que tatua na alma
as reticências
na humana fala
projetam as dúvidas
no vão de suas salas
a praça, no entanto,
em cada futuro,
constrói pelo tempo
o colégio do mundo
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.