Andanças
o povo
dança a rua
abraça o tempo
em sua luta
cheiro da história
assuntando seu curso
ilações da matéria
nas vias do futuro
a multidão
pulsando a avenida
inventa pelo tempo
as tramas da vida
os passos do mundo
engravidam em tudo
o povo
dança a rua
abraça o tempo
em sua luta
cheiro da história
assuntando seu curso
ilações da matéria
nas vias do futuro
a multidão
pulsando a avenida
inventa pelo tempo
as tramas da vida
os passos do mundo
engravidam em tudo
nada é tanto
quanto tudo
desde a vida
no colo do mundo
em tais medidas
nessa luta
nunca é sempre
sempre é nunca
a dialética resiste
enquanto ajusta
o espaço-tempo
em que se cuida
a matéria é um infinito
em todas suas curvas
o Sanhauá
amansa a manhã
deitado na vida
molhando o tempo
suando a Parahyba
rio renitente
nem se contenta
em ser só usuário
da insistência
dá-se ao teatro
sua vertente
de criar nos olhos
um poema corrente
queria a noite
que a tarde dormisse
no colo do mundo
em que, triste
fechava os olhos
e sem saber como
nesse esconde-esconde
a noite engolia a tarde
como o hoje
engolia o ontem
o menino,
enganava-se do tempo
à espera do sono
dê-se o futuro
humano brinquedo
construção do tempo
em seu enredo
corrida dos fatos
montados no desejo
dê-se o futuro
estrada profunda
no vão militante
em que se cumpra
a vida habite-se no tempo
nos passos da luta
o poema
dá-se ao âmbito
de estar entre o poeta
e seu sono
confronto belicoso
do verbo insurgente
contra o homem
a palavra
íntima astronauta
atiça no pensar
cócegas na alma
o verbo tem-se riso
mesmo lágrima
o camarada Ari
quando sonhava
punha no gesto
o partido e a alma
tudo de onírico
era tarefa dada
o camarada Ari
quando acordava
era um apparatchik
da madrugada
já vinha do sono
sempre camarada
da liberdade
nada será tanto
em contraponto
ao que de quanto
esteja pronta
a matéria humana
em ter-se quanta
na prontidão
dessa militância
razão de construir-se
nessa vontade
de dar-se coletiva
à construção da liberdade
o tamanho da vida
palmos que decida
traz o homem autor
em cada medida
as que meça de si
as que teça coletiva
construí-las em tanto
exato figurante
régua de seus palmos
léguas que demande
fita métrica do quanto
esteja em si militante
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.