Andanças
o povo
dança a rua
abraça o tempo
em sua luta
cheiro da história
assuntando seu curso
ilações da matéria
nas vias do futuro
a multidão
pulsando a avenida
inventa pelo tempo
as tramas da vida
os passos do mundo
engravidam em tudo
o povo
dança a rua
abraça o tempo
em sua luta
cheiro da história
assuntando seu curso
ilações da matéria
nas vias do futuro
a multidão
pulsando a avenida
inventa pelo tempo
as tramas da vida
os passos do mundo
engravidam em tudo
quando seja a guerra
cena camuflada
tangida pelos neurônios
telas iluminadas
esteja sempre a vida
intensamente guardada
instância ainda crítica
da humana escalada
jogada no vão da luta
como urgente espada
das sinapses construídas
no colo da madrugada
silenciosa
intransitiva
a rua fingia
dormir a vida
cada passo
nos pés gritava
os verbos escritos
onde o muro falava
o jovem
militando o mundo
jogava no tempo
todo seu rumo
essa mania de sonhar
como fora discurso
mesmo ilícito
deixe-se estar
subversivo
nada do que lei
em cada curso
pode ferir de tanto
as veias do futuro
a vida quanto modo
em ter-se coletiva
é gesto combatente
da sanha indivídua
o tempo é argamassa
de vê-la construída
quando fosse tempo
intentar-se múltiplo
derramar a vida
nas costas do mundo
humana transição
matéria em riste
grávida prontidão
de quem insiste
história declarada
escala pública
das razões de homem
como peça lúdica
cúmulos dos tantos
quando em luta
o barro
esculpido pelo chão
pulsava a alegria
na palma das mãos
a matéria
afagando o tempo
gesticulava formas
no pensamento
o menino
engenheiro de tudo
dava-se à vida
inventando o mundo
o poeta
nem percebe
o poema sofrendo
sua verve
é que a palavra
quando cala
rasga o verso
em sua fala
o poema
em cada lavra
é só um discurso
pela alma
tudo que lhe conversa
é um verbo astronauta
voando versos
nas brechas do poeta
envelhecer como tanto
não é deixar-se no tempo
antes é um debulhar-se
em coletivas presenças
assim como uma tempestade
de todos nossos ventos
é como montar as horas
em minutos divergentes
que leiam o rol da luta
nos manifestos que sente
envelhecer é montar as rugas
na mocidade do tempo
o palco
era o útero
grávida cena
a cortina fingia
como placenta
o ator
dava-se ao parto
como parteiro inato
de seus atos
a vida ensaiada
montava o tempo
na vulva do teatro
derramado nas letras
Marx ainda tramita
as veias rubras do mundo
pulsando a vida
deixá-las abertas
varizes do povo
vão das hemoptises
na insurgência do novo
o fulcro das ruas
perpetrando assaltos
deixa o peso dos ombros
derramar-se nos passos
o caminho exato do futuro
vive assim desembestado
como um tempo ainda roto
que precisa de bordados
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.