AurelioAquino

AurelioAquino

n. 1952 BR BR

Deixo-me estar nos verbos que consinto, os que me inventam, os que sempre sinto.

n. 1952-01-29, Parahyba

Perfil
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Das larguras do tempo

Teço a vida
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
 
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
 
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
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Biografia
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.

Poemas

3560

Reminiscência CI

 

a montanha

dormindo o tempo

sentia o horizonte

nos ombros do vento

geográfica saga

de estar presente

carne da história

Andes combatente

o camarada

embrulhado no sonho

trafegava os sentidos

nas estradas do mundo

a Bolívia açoitava a vontade

como um abraço em tudo

23

Dialética dúvida

 

a dúvida

é só trejeito

da certeza transitar

seu tempo

no desembrulhar-se largo

da matéria em movimento

a verdade

em temporária dança

tramita suas horas

nas dúvidas que avança

a síntese do mundo

divide as vias de tudo

23

Reminiscência CII

 

nas devassas da alma

o menino sabia

que o sonho bem sonhado

podia ser a vida

arruma-lá no peito

como consigna

e de tê-la tanta

na curva dos olhos

deu-se a abraça-la

no meio das ruas

quando sentiu seu povo

nos passos da luta

25

Prazos vitais

 

a vida

finge-se de tarde

quando vive-la cedo

é só vontade

da-la ao tempo

aprazada

apenas desconstrói

suas datas

as que se tenha no corpo

as que tramitem na alma

a vida é sempre infinita

quando se desmarca

21

Humanas medidas

 

maestra dos sentidos

a razão tramita

em todos seus voos

a constância da vida

deixa-la pássaro

de becos do infinito

farejando léguas

em passos medidos

ao homem cabe

na humana militância

consumir criando

suas distâncias

10

Das revelias postas

 

nada do que tanto

posto assim à revelia

esteja como insumo

num tempo construído

nos desejos dizentes

ancorados nos sentidos

cada gesto usinado

edifício coletivo

esteja consumado

nos braços que consiga

revel da revelia

estandarte de si

na humana trilha

49

Da variante verbal

 

em suma

dê-se à vazão

os verbos e vãos

que o poeta traga

em suas mãos

bordados no poema

em suas tramas

laços do mundo

em suas tranças

cada verso

esteja em riste

desaforo verbal

a que se permite

10

Rimado futuro

 

cada fração de tudo

seja assim de todos

como parto coletivo

da gestão do povo

construído pari-passu

nas encostas da vida

seja rumo da luta

solta nas avenidas

haja como sonho

embrulhado nos braços

no tempo das vésperas

desse largo abraço

os caminhos do povo

como tanto

são infinitos laços

11

Da vida nos passos

 

A vida

é tudo ou nada

quando o desejo

dá-se à vontade.

A vida

é ainda sempre

mesmo os nuncas

postos no tempo.

A vida

como viagem

mesmo cedo

ainda é tarde.

Ao homem cabe inventa-la

no tempo que se caiba

32

Teatral sindicância

 

peça íntima

palco consentido

os atos do tempo

encenam a vida

vaga histórica

teatro humano

diz-se a matéria

em íntimo plano

construção recorrente

das ruas possíveis

em todos os becos

em que esteja viva

a matéria constrói em si

o teatro do tempo

114

Comentários (8)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

AurelioAquino

Honrado