Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
quando sonho
nem amanheço
a noite, baldia,
esquece o tempo
e adia a manhã
no pensamento
o sonho
embrulhado na vida
amanhece o tempo
como decida
nos olhos de quem sonha
nos braços de quem viva
o futuro
quando coletivo
mede sempre mais
que os sentidos
dá-lo como repente
trai os seus indícios
tudo do tempo
cheira a infinito
cabe-lo na razão
lupa cognitiva
é deixá-lo estrada
das sinapses da vida
a fala do sonho
súplica quântica
comício neural
desejos em dança
rastros do mundo
sinapses arguidas
croqui humano
desenhos sentidos
cada sonho entoa
os bemóis que decida
na fartura vivente
dos palcos da vida
em militar postura
Mihail saudava
no vão do aeroporto
os viajantes camaradas
Mihail Egorovitch
rindo, pelos corredores,
discursava ao vento
as cervejas em que coube
Mihail Egorovitch
sempre demonstrava
a soviética razão
de sua fala
dado assim a tanto
nas ondas dos sentidos
o homem arquiva unânime
o tempo gasto da vida
as horas tidas alheias
as inteiramente cometidas
dado assim a tanto
tramitando a memória
o homem desarquiva
o coletivo das horas
mergulhando a vida
do convés da história
assim humana
seja a estirpe
esse abraçar o mundo
com a alma em riste
assim urgentes
sejam os atos
construção da vida
em seus palcos
assim coletiva
seja a intensa luta
de armar o futuro
em todas suas curvas
e quando fosse o amanhã
um tempo garantido
na precisão da vontade
na prontidão dos sentidos
como se fosse desenho
nas lonjuras do infinito
e pudesse ter-se intacto
no sonho consentido
das avenças de todos
com a fartura do riso
na brincadeira geral
do que fosse construído
o leito do poema
rio confuso
enchente de verbos
em busca do mundo
o barco do poeta
navegando as horas
pesca palavras
com a isca da memória
as veias do tempo
nas brechas dos sentidos
dizem no poema
a jusante da vida
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.