Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
a matéria
em plena passeata
discursa o mundo
com seus átomos
mágica da razão
na quântica postura
disfarça seus quarks
em intensa luta
ver-se construído
na razão de tanto
é abraçar o infinito
e a pequenez do gráviton
estender os metros da vida
nos partos do futuro
viver a multidão que somos
nos braços do mundo
a saudade voa
nave desgarrada
em cada pássaro
pela madrugada
o homem
agarrado ao tempo
inventa o passado
singrando os ventos
nas asas da paisagem
impunemente
a saudade infinita a vida
embrulhada no presente
a história
ruminando a vida
tecia suas rugas
pelas avenidas
relâmpago
o comício dizia
os trovões do povo
e suas trilhas
o jovem camarada
bebendo a tarde
revolvia a emoção
posta nas palavras
dado ao cangaço
o poema expressa
as balas verbais
que arquiteta
espingarda retórica
pontarias do verbo
dá-se aos rompantes
de seus manifestos
cangaceiro falante
entoa estrofes
sonhando as léguas
dos sertões que pode
as Áfricas que possam
acordar na vontade
discursam humanas
inata liberdade
manhã da matéria
tentando a tarde
adormecida
noite orquestrada
negra a razão de tanto
inventando madrugadas
o tempo vige a áfrica
em tudo que caiba
oficina da vida
o cérebro cogita
tecer pelo mundo
todas suas trilhas
oficina de si
o homem abraça
todas as medidas
dos seus passos
oficina de tanto
joga-se o infinito
na ânsia de contar
todos seus ritos
minhas retas
são as curvas que cometo
embrulhado nas abcissas
dos triângulos do medo
minhas curvas
são as retas presumidas
que a liberdade inventa
nas esferas da vida
a condução do tempo
habita nossas medidas
todas as circunstâncias
da geométrica lida
crônica
a vida declama
todo poema
em que se arma
transe verbal
da lúdica trama
de estar vivente
na via humana
crônica
a vida habita
no rumo dos fatos
os poemas que diga
a construção do tempo
é uma humana rima
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.