AurelioAquino

AurelioAquino

n. 1952 BR BR

Deixo-me estar nos verbos que consinto, os que me inventam, os que sempre sinto.

n. 1952-01-29, Parahyba

Perfil
313 791 Visualizações

Das larguras do tempo

Teço a vida
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
 
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
 
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
Ler poema completo
Biografia
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.

Poemas

3603

Metragens consumidas

 

a matéria

em plena passeata

discursa o mundo

com seus átomos

mágica da razão

na quântica postura

disfarça seus quarks

em intensa luta

ver-se construído

na razão de tanto

é abraçar o infinito

e a pequenez do gráviton

estender os metros da vida

nos partos do futuro

viver a multidão que somos

nos braços do mundo

37

Voos do tempo

 

a saudade voa

nave desgarrada

em cada pássaro

pela madrugada

o homem

agarrado ao tempo

inventa o passado

singrando os ventos

nas asas da paisagem

impunemente

a saudade infinita a vida

embrulhada no presente

15

Reminiscência XCIV

 

a história

ruminando a vida

tecia suas rugas

pelas avenidas

relâmpago

o comício dizia

os trovões do povo

e suas trilhas

o jovem camarada

bebendo a tarde

revolvia a emoção

posta nas palavras

13

Poema cangaceiro

 

dado ao cangaço

o poema expressa

as balas verbais

que arquiteta

espingarda retórica

pontarias do verbo

dá-se aos rompantes

de seus manifestos

cangaceiro falante

entoa estrofes

sonhando as léguas

dos sertões que pode

59

Africana saga

 

as Áfricas que possam

acordar na vontade

discursam humanas

inata liberdade

manhã da matéria

tentando a tarde

adormecida

noite orquestrada

negra a razão de tanto

inventando madrugadas

o tempo vige a áfrica

em tudo que caiba

17

Oficinas

 

oficina da vida

o cérebro cogita

tecer pelo mundo

todas suas trilhas

oficina de si

o homem abraça

todas as medidas

dos seus passos

oficina de tanto

joga-se o infinito

na ânsia de contar

todos seus ritos

15

Geométrica senda

 

minhas retas

são as curvas que cometo

embrulhado nas abcissas

dos triângulos do medo

minhas curvas

são as retas presumidas

que a liberdade inventa

nas esferas da vida

a condução do tempo

habita nossas medidas

todas as circunstâncias

da geométrica lida

18

Crônica rima

 

crônica

a vida declama

todo poema

em que se arma

transe verbal

da lúdica trama

de estar vivente

na via humana

crônica

a vida habita

no rumo dos fatos

os poemas que diga

a construção do tempo

é uma humana rima

67

Poema ao menino de Gaza

 

debaixo das pedras

o menino habita

os futuros perdidos

nos restos da vida

nos olhos

como custódia

um dardo definitivo

da história

a infância baldia

posta nos escombros

pulsa Gaza recorrente

nas lágrimas dos homens

um dia ainda nascente

haverá uma Palestina

nas entranhas do tempo

15

Rasos da vida

 

contemplar

a vida

dá-la unânime

consentida

no trâmite dos atos

nos fatos investida

abraço humano

lastro indivíduo

construção material

curso coletivo

toda figuração da vida

é uma cena infinita

13

Comentários (8)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

AurelioAquino

Honrado