nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
Inteligência em artificiais escambos
artificial
a inteligência estaca
nos meandros vocais
da máquina
sussura
renitente e escolástica
algoritmos incapazes
da prática
e o homem desata
como figurante
todos os nós
da primitiva e artificial jornada
a inteligência estaca
nos meandros vocais
da máquina
sussura
renitente e escolástica
algoritmos incapazes
da prática
e o homem desata
como figurante
todos os nós
da primitiva e artificial jornada
51
Da propriedade em mundial avença
a propriedade
privada em seu recato
esconde a origem
dos seus pactos
fogem-lhe da memória
antigos fatos
da pertença geral
dos seus estados
e o mundo explode
todos seus enfados
na disputa da vida
pelas antigas vias do contrato
privada em seu recato
esconde a origem
dos seus pactos
fogem-lhe da memória
antigos fatos
da pertença geral
dos seus estados
e o mundo explode
todos seus enfados
na disputa da vida
pelas antigas vias do contrato
135
Caminhar em clara insistência
e quando alinhava
os degraus que consumia
a escada era só o beco
que a vida permitia
e toda a caminhada
pelas ladeiras impostas
era só um acostumar-se
a desrespeitar todas as portas
que a luta teima em colocar
quando o futuro é a resposta
os passos são só detalhes
do peso que se suporta
os degraus que consumia
a escada era só o beco
que a vida permitia
e toda a caminhada
pelas ladeiras impostas
era só um acostumar-se
a desrespeitar todas as portas
que a luta teima em colocar
quando o futuro é a resposta
os passos são só detalhes
do peso que se suporta
62
Paisagem avara do torturado
suas mãos
grávidas de sangue
cuspiam manhãs no futuro
envoltas em sonho
e o fogo do coração
lanhado e em farpas
queimava o medo
como aval do segredo
de todos os camaradas
grávidas de sangue
cuspiam manhãs no futuro
envoltas em sonho
e o fogo do coração
lanhado e em farpas
queimava o medo
como aval do segredo
de todos os camaradas
78
Usucapião vivente sem escalas
a vida
tangida em vagas
nunca deixa os mares
de suas marcas
e flui no tempo
como jangada
dos lemes que cada um
maneja em sua fala
e de vê-la só um tempo
em recorrente escala
o homem esquece a vida
nos ombros das palavras
tangida em vagas
nunca deixa os mares
de suas marcas
e flui no tempo
como jangada
dos lemes que cada um
maneja em sua fala
e de vê-la só um tempo
em recorrente escala
o homem esquece a vida
nos ombros das palavras
63
Razões internas em claro vaticínio
I
o começo
é um fim avesso
ambos medem-se
pelo tamanho do medo
o fim
é o começo de tudo
o começo
é o fim do nada
basta molhar a palavra
com a certeza da alma
e tanger como sempre
os rumos da vontade
II
trago no bolso
uma vontade intacta
de nunca parecer-me
à matemática
de meus ângulos
sequer admito
que os tenha postos
em prontidão e jeito
de tornar possível a soma
daquilo que vai pelo peito
meu número
é intranseunte de frações
sempre sonho-me intenso
pelas manhãs
fujo de hipotenusas
pelo concavo das mãos
e moldo meus números
com a desfaçatez e a parcimônia
de quem nem dorme
quando sonha
o começo
é um fim avesso
ambos medem-se
pelo tamanho do medo
o fim
é o começo de tudo
o começo
é o fim do nada
basta molhar a palavra
com a certeza da alma
e tanger como sempre
os rumos da vontade
II
trago no bolso
uma vontade intacta
de nunca parecer-me
à matemática
de meus ângulos
sequer admito
que os tenha postos
em prontidão e jeito
de tornar possível a soma
daquilo que vai pelo peito
meu número
é intranseunte de frações
sempre sonho-me intenso
pelas manhãs
fujo de hipotenusas
pelo concavo das mãos
e moldo meus números
com a desfaçatez e a parcimônia
de quem nem dorme
quando sonha
38
Do amor em bússolas e tempos
no silêncio
dos mapas gerais
do pensamento
a vida flutua unânime
todos os barcos do tempo
e o amor
é um timão confuso
que teima todos os nortes
das bússolas do seu curso
amar é um projeto
trançado na paciência
de quem constroi no outro
os andaimes da presença
dos mapas gerais
do pensamento
a vida flutua unânime
todos os barcos do tempo
e o amor
é um timão confuso
que teima todos os nortes
das bússolas do seu curso
amar é um projeto
trançado na paciência
de quem constroi no outro
os andaimes da presença
79
Dos solilóquios do tempo
esperar
não é penar
é só um jeito
de estar consigo
é que a gente esquece
nas gavetas do tempo
de concentrar os sentidos
e remoer as esperas
nos degraus da vida
como um prazer consentido
não é penar
é só um jeito
de estar consigo
é que a gente esquece
nas gavetas do tempo
de concentrar os sentidos
e remoer as esperas
nos degraus da vida
como um prazer consentido
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Comentários (10)
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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.