do povo em grávida gestão da vida
o povo, aos solavancos, plantará o futuro nos exatos roçados dos abraços do mundo e as razōes, assim vividas, debruçadas nos fatos, abrirão os portōes de todos os laços a história, grávida do povo, caminhará todos seus passos
viagem em torno da amada
é que quando visto os ares do teu riso deixo-me astronauta de cada infinito os que nem meço e os que trago comigo e dos sonhos que cometo em mares que nem posso atraco todas as naus nos braços do teu porto
Dos tempos da pressa em lenta jornada
a pressa esconde-se do tempo como uma tardia manha do pensamento o tempo aparentemente imutável alinhava as horas em seu vasto calendário e a vontade, insistente e apressada, deixa os dias sem tempo para as madrugadas
Da revolução em doses homeop(r)áticas
a revolução não é o desejo de achegar-se ao futuro dentro do peito entende-la urgente como circunstância é não percebe-la estrada de larga itinerância e que no desvão da prática, nas paredes da memória, o poder é só a ponta do novelo da história
Negritude em ritmo e caminhada
nos risos do povo com a noite escrita no corpo a vida tramita negra na intensa luta do novo Zumbi, na usina do tempo, construindo a memória, inventa muitos palmares nas entrelinhas da história e as áfricas de todos pulam nas origens negras das horas
Da itinerância ensimesmada da vida
atravessada na avenida como um coletivo discurso a vida é só uma resposta às perguntas do mundo distribui-la avulsa em todos os enredos é percebê-la grávida apesar de todo medo a vida é só um favor que fazemos a nós mesmos
Dos cohibas manifestos em larga jornada
a fumaça nos ombros do cohiba escreve lembranças nos costados da vida o ar em chamas parece bandeira abraçando todas as ilhas da noite brasileira o charuto discursa o tempo nos lábios de quem queira
das chuvosas manhãs e camponesas lutas
a chuva, como uma lágrima recorrente, inventa o jeito camponês de construir-se semente o homem, nos meandros de si, plantando a vida, engole os temporais em que tramita chuva e homem, enlaçados adredemente, inventam todos os roçados de todos os viventes nada como plantar-se em chuvas na contramão das correntes
Infantes presentes em passados futuros
dou-me ao tempo com a ousadia de quem joga a infância pelos dias o rapto de mim que faço aos anos como um desfalque no presente é só um trajeto volitivo dos passados que ausento o futuro caminha e pulsa tanto que a gente o veste como infante
Alinhavos da crise em perene jorro
a crise é só um susto que a solução encontra no transcurso molda-la em atos e discursos é vivê-la unânime em seu custo nada como inventar os modos de alinhavar seu curso
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.