Lista de Poemas
Palavras ao meu povo
por certo que a liberdade
ainda dormita nas rugas destas praças
e nunca que parecesse tão urgente
nos verbos que tramitam pelas placas
premida nas dobras da consciência
permanece intacta e coletiva
e a cada ação que repensas
a nova ação que se pratica
borda o esmero
de histórica tessitura
que cobre a rua de razão
na constância de quem luta
e das sementes dos passos
urdidos nos calcanhares das pedras
surgirá uma grávida multidão
e a cada dia, por cada fome,
unidos em cada prontidão
explodirá nos sonhos
um futuro que esteja à mão
Das mortes sob encomenda
joga-se à certeza
de respirar todos os ares
e todas as empresas
os cifrões
pousados em sua morte
levantam arrepios
nos debruns da sorte
e navegando seu fim
como um barco perdido
o homem tenta alcançar
o oxigênio em precipício
a nuvem do seu óbito
é um cheque permitido
Olga Benário em rápida preleção
tinha nas faces
todas as verdades
em que lutasse
íntima do futuro
discursava a luta
como um verbo farto
livre e sem culpas
e num abril
morta em sua carne
deixou-se pela história
como uma grande nave
Olga era um rompante da vida
em sua grave humanidade
Verborrágica vazão da dor em síntese
possui os resquícios
que as palavras lançam
em seus comícios
eis que avança
como dor e verbo
e flui em ondas
em destempero
lanhadas todas as ternuras
pelo chicote do medo
a dor é só um disfarce
dos verbos sem enredo
Materialidade em discurso corrente
que por ser eterna
conclui-se na não conclusão
de suas perdas
força de si mesma
figura plástica do sempre
marca causal das energias
que vivem variavelmente
menina eterna
gestos indefinidos
na revolução carente
em busca dos sentidos
fotons e fatos
geridos nesse ventre
de máquina mater
do desenvolvimento
Do riso como vontade
com o riso
é como inventar
todos os indícios
de que a vontade
é um precipício
onde desembocam
todos os atos
em que sejamos coletivos
construir o futuro em suas costas
é trafegar o tempo em comícios
Novamente aos torturados com indícios
no vão da consciência
e o ferro que fere a razão
explicita a luta
que se engravida da prática
sem as doses de culpa
que tangem a inocência
de quem habita as ruas
o ferro grava chamas
na carne escorraçada
mas do vão da razão
como uma nesga de força
a consciência explode um grito
engravidado do povo
que essas grades virem pão
nos braços do povo
e que a liberdade
louca pelas ruas
transite todas as alegrias
e deite-se confortável
nos braços dos torturados
como uma grave bandeira.
Das amortizações humanas no tempo
posta em fios e íons
atravessa o mundo
em desvarios
morse
agora engavetado
escuta a cibernética
em dígitos desesperados
e os correios da vida
esparramados no tempo
vivem a ânsia fugitiva
das ondas do pensamento
e o homem digitaliza
todos os sentimentos
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.