Das pororocas do peito em anais vigentes
a história debruçada na mente escorre os fatos como uma corrente tudo que lhe contesta é um verbo inconsequente as corredeiras da vida quando em rios dizente traça todos os rumos das pororocas da gente desembocar no futuro é trajeto de quem sente
Da fome em trânsito nos enredos
pelas ruas da vida nos lares que encontra as marquises comentam os homens e as sombras a vergonha é paisagem dos semáforos e da ética no trânsito exato da vontade que o indigente professa a miséria pesa os quilos que o estômago confessa
Burocrática vazão das estatais moendas
sentado na vida entre numeros e teclados a monotonia em ondas calcula o funcionário no mister difuso de fingir-se isenta a burocracia decreta sua consistência o funcionário é só uma peça encravada a pulso na moenda
Da revelia da fome latu sensu
e nas ruas revel da vida a fome noticia a inumana lida o estômago discursa impaciente verbos e ossos maldizentes e o sistema engole voraz lucros, palavras e gente
Dos tempos da pressa em lenta jornada
a pressa esconde-se do tempo como uma tardia manha do pensamento o tempo aparentemente imutável alinhava as horas em seu vasto calendário e a vontade, insistente e apressada, deixa os dias sem tempo para as madrugadas
da latina américa e da prontidão
da américa com a faca nos dentes diga-se latino o gesto recorrente e das cordilheiras dos tempos oprimidos resultem todos os andes que jazem nos sentidos aprontar o futuro é tarefa e vaticínio
do povo em grávida gestão da vida
o povo, aos solavancos, plantará o futuro nos exatos roçados dos abraços do mundo e as razōes, assim vividas, debruçadas nos fatos, abrirão os portōes de todos os laços a história, grávida do povo, caminhará todos seus passos
Negritude em ritmo e caminhada
nos risos do povo com a noite escrita no corpo a vida tramita negra na intensa luta do novo Zumbi, na usina do tempo, construindo a memória, inventa muitos palmares nas entrelinhas da história e as áfricas de todos pulam nas origens negras das horas
Famélica tecitura dos cárneos lucros
assim flagrante a fome instaura uma vergonha intensa nos debruns da alma escrita no corpo em humanas vigas vige como tortura na penitenciária lide a fome é um distrato imposto no absurdo de carnear humanos como ardil do lucro
Da revolução em doses homeop(r)áticas
a revolução não é o desejo de achegar-se ao futuro dentro do peito entende-la urgente como circunstância é não percebe-la estrada de larga itinerância e que no desvão da prática, nas paredes da memória, o poder é só a ponta do novelo da história
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.