nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
das urgências de ser
no útero
eis-me futuro
no dizer-me feto
inconcluso
íntimo
eis-me insurgente
ávido de parto
e de repentes
e digo-me gente
simplesmente
com o riso nas faces
e verbos nos dentes
128
Da morte em circunlóquio
no cadáver
a paz existe
antes da matéria
posta em cabides
que fez-se assim velha
que cansou de ser triste
não dessas tristezas
que se jogam no lixo
mas a tristeza construída
dos ossos do ofício
uma pedra jogada
com rumo inconsciente
e que de paz somente guarda
um ato já ausente
a paz existe
antes da matéria
posta em cabides
que fez-se assim velha
que cansou de ser triste
não dessas tristezas
que se jogam no lixo
mas a tristeza construída
dos ossos do ofício
uma pedra jogada
com rumo inconsciente
e que de paz somente guarda
um ato já ausente
102
De mim no cosmos em trânsito
sou-me urgente
neste espaço limitado
de matéria e razão
em que me instalo
sinto-me urdido
por uma certeza
das forças mais gerais
nos ombros da natureza
e sou do cosmos
de uma forma inacabada
da concepção universal
da matéria organizada
neste espaço limitado
de matéria e razão
em que me instalo
sinto-me urdido
por uma certeza
das forças mais gerais
nos ombros da natureza
e sou do cosmos
de uma forma inacabada
da concepção universal
da matéria organizada
99
Profissão de fé em rasgo intenso
mesmo que o chicote
corte-me toda a face
eu seguirei cantando
pois não sou um, sou vários
habitam em mim meus irmãos
e tudo que lhes cabe
e não será uma simples morte
que cortará esses meus passos
corte-me toda a face
eu seguirei cantando
pois não sou um, sou vários
habitam em mim meus irmãos
e tudo que lhes cabe
e não será uma simples morte
que cortará esses meus passos
79
Do amor em GPS
é preciso saber
quando se ama
que o infinito está
por sobre a cama
em mesmo céu
ou mesmo quarto
o amor está sempre
no lugar exato
apenas não se concebe
quando se ama
que amor desconstrua
tudo que é chama
quando se ama
que o infinito está
por sobre a cama
em mesmo céu
ou mesmo quarto
o amor está sempre
no lugar exato
apenas não se concebe
quando se ama
que amor desconstrua
tudo que é chama
71
Indagações sobre o mundo
com que palavras
estrangularei a noite de dentro do povo?
o vão grávido
de greves e gritos
a resposta do homem
ao infinito?
com que pão
nutrirei meu poema
no gesto de faca
que sendo verbo
é futuro e palavra?
eu que apenas
chamo-me aurélio
um nome escrito em rugas
e um corpo velho.
estrangularei a noite de dentro do povo?
o vão grávido
de greves e gritos
a resposta do homem
ao infinito?
com que pão
nutrirei meu poema
no gesto de faca
que sendo verbo
é futuro e palavra?
eu que apenas
chamo-me aurélio
um nome escrito em rugas
e um corpo velho.
40
Memorando ao trabalho
prezado senhor
ou suor agora
queira tomar meu corpo
como escola
e não me pare
enquanto a vida
correr no meu punho
pelas avenidas
e não me deixe
sobrar do povo
que do suor da luta
constroi o novo
ou suor agora
queira tomar meu corpo
como escola
e não me pare
enquanto a vida
correr no meu punho
pelas avenidas
e não me deixe
sobrar do povo
que do suor da luta
constroi o novo
89
Ode ao paralelepípedo
simplesmente construção
de pedra, cal e calma
o paralelepípedo não discursa
mas arma
e gesto e face
de mineral postura
o paralelepípedo nem sente
sua ditadura
e nem foge dos passos
quando posto nas ruas
para dirigir os pés
de quem em si flutua
o paralelepípedo nem sabe
da pretensa modernidade a que se curva
de pedra, cal e calma
o paralelepípedo não discursa
mas arma
e gesto e face
de mineral postura
o paralelepípedo nem sente
sua ditadura
e nem foge dos passos
quando posto nas ruas
para dirigir os pés
de quem em si flutua
o paralelepípedo nem sabe
da pretensa modernidade a que se curva
75
De Pablo e do povo
de Pablo
nota-se urgente
a cor material
da consciência
de Pablo
nota-se o povo
urdido no pincel
cheio do novo
de Pablo
lê-se o corpo
flutuando no quadro
com esforço
do povo
lê-se Pablo
com uma mão na vida
e outra no quadro
do povo
urge Pablo
a preencher lacunas
dentro do quadro
do poema
surgem povo e Pablo
e um poema maior
solto no quadro
do poema
resta a palavra
na testa de Pablo
e do povo em armas
e da morte
restam pó e Pablo
e a assinatura do tempo
viva com o povo no quadro
nota-se urgente
a cor material
da consciência
de Pablo
nota-se o povo
urdido no pincel
cheio do novo
de Pablo
lê-se o corpo
flutuando no quadro
com esforço
do povo
lê-se Pablo
com uma mão na vida
e outra no quadro
do povo
urge Pablo
a preencher lacunas
dentro do quadro
do poema
surgem povo e Pablo
e um poema maior
solto no quadro
do poema
resta a palavra
na testa de Pablo
e do povo em armas
e da morte
restam pó e Pablo
e a assinatura do tempo
viva com o povo no quadro
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Comentários (10)
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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.