AurelioAquino

AurelioAquino

n. 1952 BR BR

Deixo-me estar nos verbos que consinto, os que me inventam, os que sempre sinto.

n. 1952-01-29, Parahyba

Perfil
314 656 Visualizações

Das larguras do tempo

Teço a vida
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
 
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
 
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
Ler poema completo
Biografia
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.

Poemas

3641

Da lua como tempo em mostras

em céu desatado,
atravessada,
a lua é uma régua
que o tempo prolata

é como um discurso
decodificado
das regras a que se impōe
nos ombros dos seus traços

a lua é só um tempo
que se esqueceu no espaço 
324

Das amarguras em projetos e crises

estoco as amarguras
pelo dorso da vida
como uma prateleira inerte
fugaz e inconsumida

e as lanço no pensar
como um indício
de que a alegria é um projeto
de engolfar seus artifícios

e as consumo avaro
e as liberto no riso
como um gesto histórico
adredemente construído
227

crianças em rompante lúdico

crianças
são bandeiras
para tremular no homem
a vida inteira

não lhes cabe a fome
nem as contraditas
mais o voo infante das alegrias
debruçadas na vida

que todas esqueçam
nos risos de suas faces
o futuro sólido dos abraços
que inventem pelas cidades
271

Liames da construção do tempo

o futuro
quando visto de longe
trafega o coração
sem saber por onde

é que adormece
na emoção de quem sente
como se fora cadeia
de prender o tempo 

no entanto, 
adredemente,
o futuro é uma cadeia de abraços
que a gente faz no presente
270

Pátrias em desaconchego

ao país
de-se a complacência
de tê-lo como pátrio
por simples conveniência

é que caber-se no mundo
como uma pátria una
supōe viver todos os sonhos
distribuídos na luta

a terra é a única pátria
de quem ama o futuro
253

Dos  rasteiros céus de quem procura

o céu 
é só um grito
de quem, terreno,
quer deixar-se infinito
e sonhar todos os ares
como um gesto incontido

rasteiro, 
em verdade,
habita nosso peito
vestido de liberdade
323

terrenas contrações do lucro

a terra vergastada,
em decúbito,
debruça o tempo
nos seus sustos 

e o horizonte
dilacera seu semblante
como uma chaga exposta,
irrazoável e itinerante 

o sistema regurgita pleno
os lucros de seu plano
205

Bonde em tráfego displicente

do bonde
a lua não se avista
talvez apenas uma nesga
dos sonhos do maquinista

do bonde
avista-se a calma
e uma ligeira impressão
de que se transporta,
moderadamente, a alma

os rompantes nos trilhos
são, apenas, soluços da máquina
290

Originária performance em declarada margem

ao vácuo quântico
dê-se a ilação
da urgência do ser
em revolução

plástico
vigore infinito
nas contrações do mundo
em exato rito

e flua
nos desvãos da vida
como um carnaval infindo
de todos os matizes.
246

Da solidão em largas penas

a solidão
é só um desajeito
uma vontade de fugir
de dentro do peito

e vivê-la intacta
sem contraditas
é construir-se incauto
pelas avenidas

a gente esquece de si
quando resume a vida
249

Comentários (8)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

AurelioAquino

Honrado