Da lua como tempo em mostras
em céu desatado, atravessada, a lua é uma régua que o tempo prolata é como um discurso decodificado das regras a que se impōe nos ombros dos seus traços a lua é só um tempo que se esqueceu no espaço
Das amarguras em projetos e crises
estoco as amarguras pelo dorso da vida como uma prateleira inerte fugaz e inconsumida e as lanço no pensar como um indício de que a alegria é um projeto de engolfar seus artifícios e as consumo avaro e as liberto no riso como um gesto histórico adredemente construído
crianças em rompante lúdico
crianças são bandeiras para tremular no homem a vida inteira não lhes cabe a fome nem as contraditas mais o voo infante das alegrias debruçadas na vida que todas esqueçam nos risos de suas faces o futuro sólido dos abraços que inventem pelas cidades
Liames da construção do tempo
o futuro quando visto de longe trafega o coração sem saber por onde é que adormece na emoção de quem sente como se fora cadeia de prender o tempo no entanto, adredemente, o futuro é uma cadeia de abraços que a gente faz no presente
Pátrias em desaconchego
ao país de-se a complacência de tê-lo como pátrio por simples conveniência é que caber-se no mundo como uma pátria una supōe viver todos os sonhos distribuídos na luta a terra é a única pátria de quem ama o futuro
Dos rasteiros céus de quem procura
o céu é só um grito de quem, terreno, quer deixar-se infinito e sonhar todos os ares como um gesto incontido rasteiro, em verdade, habita nosso peito vestido de liberdade
terrenas contrações do lucro
a terra vergastada, em decúbito, debruça o tempo nos seus sustos e o horizonte dilacera seu semblante como uma chaga exposta, irrazoável e itinerante o sistema regurgita pleno os lucros de seu plano
Bonde em tráfego displicente
do bonde a lua não se avista talvez apenas uma nesga dos sonhos do maquinista do bonde avista-se a calma e uma ligeira impressão de que se transporta, moderadamente, a alma os rompantes nos trilhos são, apenas, soluços da máquina
Originária performance em declarada margem
ao vácuo quântico dê-se a ilação da urgência do ser em revolução plástico vigore infinito nas contrações do mundo em exato rito e flua nos desvãos da vida como um carnaval infindo de todos os matizes.
Da solidão em largas penas
a solidão é só um desajeito uma vontade de fugir de dentro do peito e vivê-la intacta sem contraditas é construir-se incauto pelas avenidas a gente esquece de si quando resume a vida
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.