nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Lista de Poemas
palavras à morte no cosmos
a ciência
pulsa a nave
nos gritos humanos
do astronauta
seu enorme braço
de mecânica e fogo
seu medo escondido
no segredo do corpo
eis o espaço
pênis atômico
de quanta certeza
de parir ciência
pela natureza
a construção
morre no vão
todo braço podre
cava o chão
e funde-se e resolve-se
na composição urgente
de sua negação
e nega-se
envolve-se
de miasmas e pó
um cadáver de astronauta
cada vez maior
e quanta morte
no peso da inércia
o nervo líquido
achando-se matéria
e átomos
e antônimos
e antes
e anônimo
a máquina
revolve a mágoa
do astronauta líquido
na praça
e mágoa
na máquina
o botão calcado
pelo astronauta
e manhã
nos boulevares
nas barrigas urgentes
de fome e de luz
e o astronauta
morto na cápsula
comprimido no espaço
das léguas da alma
a morte enfim
na noite quântica e cósmica
o eletron da vida
fugindo das revoltas
pulsa a nave
nos gritos humanos
do astronauta
seu enorme braço
de mecânica e fogo
seu medo escondido
no segredo do corpo
eis o espaço
pênis atômico
de quanta certeza
de parir ciência
pela natureza
a construção
morre no vão
todo braço podre
cava o chão
e funde-se e resolve-se
na composição urgente
de sua negação
e nega-se
envolve-se
de miasmas e pó
um cadáver de astronauta
cada vez maior
e quanta morte
no peso da inércia
o nervo líquido
achando-se matéria
e átomos
e antônimos
e antes
e anônimo
a máquina
revolve a mágoa
do astronauta líquido
na praça
e mágoa
na máquina
o botão calcado
pelo astronauta
e manhã
nos boulevares
nas barrigas urgentes
de fome e de luz
e o astronauta
morto na cápsula
comprimido no espaço
das léguas da alma
a morte enfim
na noite quântica e cósmica
o eletron da vida
fugindo das revoltas
107
de tantos pelos caminhos e outros dizeres
quantos oceanos tragarão meu povo
neste imensa solidão noturna
em que a morte veste-se de alegria
e a vida tange amarguras?
que tempo beberá seus anos
na intransigência de seus corpos magros?
quantos afetos repousarão inertes
na complacência de seus enfados?
quem levará estes homens
tangidos pela consciência
para aplacar a fome
de todas as evidências?
quando chegarão arfantes
suando uma pátria a cada descaminho
na extrema medida do horizonte
que alinhavaram com seus risos?
neste imensa solidão noturna
em que a morte veste-se de alegria
e a vida tange amarguras?
que tempo beberá seus anos
na intransigência de seus corpos magros?
quantos afetos repousarão inertes
na complacência de seus enfados?
quem levará estes homens
tangidos pela consciência
para aplacar a fome
de todas as evidências?
quando chegarão arfantes
suando uma pátria a cada descaminho
na extrema medida do horizonte
que alinhavaram com seus risos?
114
Poema de amor flagrante
é preciso afogar a noite
na simplicidade do ato
em que me visto de amor
dentro do teu abraço
é preciso arrastar a madrugada
das entranhas urgentes deste cama
e tecer no infinito um novo abraço
e viver o flagrante desse drama
e beber o dia
eventualmente aparecido
como uma noite cintilante
de todos os sentidos
na simplicidade do ato
em que me visto de amor
dentro do teu abraço
é preciso arrastar a madrugada
das entranhas urgentes deste cama
e tecer no infinito um novo abraço
e viver o flagrante desse drama
e beber o dia
eventualmente aparecido
como uma noite cintilante
de todos os sentidos
82
Do pintor em declarada ânsia
o gesto
repete o sonho
em tirar do bolso
o encontro
nas cabeças
restam chapéus
voando, borbulhando
no pincel
do ato
resta a vontade
de pintar a cor
da liberdade
repete o sonho
em tirar do bolso
o encontro
nas cabeças
restam chapéus
voando, borbulhando
no pincel
do ato
resta a vontade
de pintar a cor
da liberdade
67
humanas razões das humanas gestas
até enquanto meu coração não possa
bater mais do que é preciso
e que só reste uma nesga da verdade
que se preste, assim, a estar comigo
esteja no seu posto sempre a liberdade
rasgando o vão dos meus sentidos
até enquanto meu coração não possa
viver impunemente coletivo
na harmonia desse intenso abraço
que aos homens deve-se como ofício
nunca eu possa discursar as vias
da solidez humana do que digo
bater mais do que é preciso
e que só reste uma nesga da verdade
que se preste, assim, a estar comigo
esteja no seu posto sempre a liberdade
rasgando o vão dos meus sentidos
até enquanto meu coração não possa
viver impunemente coletivo
na harmonia desse intenso abraço
que aos homens deve-se como ofício
nunca eu possa discursar as vias
da solidez humana do que digo
74
Cantar do Brasil pela América infinda
cantar o brasil
eis o ofício
afogar-me nas palavras
e repetir o indício
da paz por que se luta
em cada palmo do grito
cantar o brasil
eis o emprego
e mais que cantar compor
as curvas do seu enredo
e lavrar a vida com o povo
e lavar o peito do medo
cantar o brasil
na tarefa mais urgente
de abraçar o povo na praça
e vivê-lo assim latente
no rumo claro e preciso
de levar a vida nos dentes
e tange-lo pela américa
com a força dos sentidos
até que a Pátria Grande
prescinda do seu ofício
eis o ofício
afogar-me nas palavras
e repetir o indício
da paz por que se luta
em cada palmo do grito
cantar o brasil
eis o emprego
e mais que cantar compor
as curvas do seu enredo
e lavrar a vida com o povo
e lavar o peito do medo
cantar o brasil
na tarefa mais urgente
de abraçar o povo na praça
e vivê-lo assim latente
no rumo claro e preciso
de levar a vida nos dentes
e tange-lo pela américa
com a força dos sentidos
até que a Pátria Grande
prescinda do seu ofício
71
Do beijo em gramatical enlace
o beijo
é um verbo mudo
sua gramática displicente
é conjugar o tudo
e entorná-lo grávido
nas encostas do mundo
é um verbo mudo
sua gramática displicente
é conjugar o tudo
e entorná-lo grávido
nas encostas do mundo
117
Famélica introspecção com ligeiros traços de fuga
quem me tirará da boca
o gosto amargo da miséria?
e essa cabeça
que boia no juízo
como uma balsa incompleta?
quem mastigará o pão
que cresce nas esquinas do tempo
e que nas mãos soluçam
como aves fartas?
quem balançará nas redes
que a alegria arma
no peito das inconsequências?
quem chorará os risos
que do mais fundo surgem
como palmeiras debruçadas
nos ombros do mundo?
quem amolgará tanta matéria
nas pontas de rosas desses dedos
que desabrocham as manhãs
com a obesidade das circunstâncias?
quem porá rédeas nas carnes
para que elas não sufoquem
os quilos mais tangidos da felicidade?
em que horas mastigaremos
as peças mais exaustas da angústia?
quem soluçará por nós
as horas passadas em desespero
quando o riso escorre da boca
com a mesma intimidade do medo?
quem suspirará de saudade
quando não mais restarem
todas as chagas da cidade?
quem, por fim,
soletrará o meu discurso
quando os pães soterrarem minha boca
e a vida tornar-se um valor-de-uso?
o gosto amargo da miséria?
e essa cabeça
que boia no juízo
como uma balsa incompleta?
quem mastigará o pão
que cresce nas esquinas do tempo
e que nas mãos soluçam
como aves fartas?
quem balançará nas redes
que a alegria arma
no peito das inconsequências?
quem chorará os risos
que do mais fundo surgem
como palmeiras debruçadas
nos ombros do mundo?
quem amolgará tanta matéria
nas pontas de rosas desses dedos
que desabrocham as manhãs
com a obesidade das circunstâncias?
quem porá rédeas nas carnes
para que elas não sufoquem
os quilos mais tangidos da felicidade?
em que horas mastigaremos
as peças mais exaustas da angústia?
quem soluçará por nós
as horas passadas em desespero
quando o riso escorre da boca
com a mesma intimidade do medo?
quem suspirará de saudade
quando não mais restarem
todas as chagas da cidade?
quem, por fim,
soletrará o meu discurso
quando os pães soterrarem minha boca
e a vida tornar-se um valor-de-uso?
151
Pátria locução em transe e esperança
não!
as manhãs não se cerraram
o povo ainda é o norte
mesmo quando as vozes calam
não!
os sorrisos não murcharam
ao contrário, vigem
é que se fazem tímidos
é que se fazem tristes
na pouquidão humana
dessa noite em riste
não!
os amores não marcharam
de dentro do peito
como uma catapulta
voam pelos soluços, à espreita,
e brotam enormes
na grande aurora brasileira
as manhãs não se cerraram
o povo ainda é o norte
mesmo quando as vozes calam
não!
os sorrisos não murcharam
ao contrário, vigem
é que se fazem tímidos
é que se fazem tristes
na pouquidão humana
dessa noite em riste
não!
os amores não marcharam
de dentro do peito
como uma catapulta
voam pelos soluços, à espreita,
e brotam enormes
na grande aurora brasileira
93
Cordel camponês da Pátria Grande
e dos campos regados
com o suor de seus homens
cresce uma nesga de fartura
pelos ombros da fome
dos frutos que engravida
compare-se à tristeza
das coisas que não se dão
tão conformes à natureza
e se um dia cansa
de gerar tanta abundância
a morte tem mais de tática
de protelar a esperança
não trai o jeito do arado
que lhe sulca todo o peito
e isenta-se das amarguras
nos leirões em que é desfeito
e quando mesmo brasil
um roçado compulsório
sustenta a força da terra
em cada palmo de ócio
e escancara para o mundo
lambida por esses mares
que lhe roem as entranhas
apesar dos seus pesares
de sua geografia
pensada em seus botões
sente-se mais uma américa
sem nenhuma divisão
e as linhas das fronteiras
nos caminhos do seu corpo
as tem como grilhões
levados com muito esforço
e não cansa de achar
uma insensatez exata
que se divida seu corpo
quando permanece intacta
se por acaso lhe ferem
na ânsia de consumi-la
mais transita combatente
nas encostas desta lida
e molha-se no suor
caído de suas trilhas
transpirando essas matas
em recorrente vigília
e da-se por contente
quando no fundo da alma
arranca um riso camponês
que se espalha pela cara
e vê o futuro geral
em que escreve sua fala
assim meio escondida
nas palavras que guarda
com o suor de seus homens
cresce uma nesga de fartura
pelos ombros da fome
dos frutos que engravida
compare-se à tristeza
das coisas que não se dão
tão conformes à natureza
e se um dia cansa
de gerar tanta abundância
a morte tem mais de tática
de protelar a esperança
não trai o jeito do arado
que lhe sulca todo o peito
e isenta-se das amarguras
nos leirões em que é desfeito
e quando mesmo brasil
um roçado compulsório
sustenta a força da terra
em cada palmo de ócio
e escancara para o mundo
lambida por esses mares
que lhe roem as entranhas
apesar dos seus pesares
de sua geografia
pensada em seus botões
sente-se mais uma américa
sem nenhuma divisão
e as linhas das fronteiras
nos caminhos do seu corpo
as tem como grilhões
levados com muito esforço
e não cansa de achar
uma insensatez exata
que se divida seu corpo
quando permanece intacta
se por acaso lhe ferem
na ânsia de consumi-la
mais transita combatente
nas encostas desta lida
e molha-se no suor
caído de suas trilhas
transpirando essas matas
em recorrente vigília
e da-se por contente
quando no fundo da alma
arranca um riso camponês
que se espalha pela cara
e vê o futuro geral
em que escreve sua fala
assim meio escondida
nas palavras que guarda
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Comentários (10)
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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
Abração !
Honrado
Obrigado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.