De um peixe para o mundo
Estes que caminham sobre a terra
Não são os únicos nessa esfera
Vocês contemplam por fora o oceano
Eu o conheço por dentro no cotidiano
Desde muito o mar foi meu lar
Os cardumes minha forma de navegar
Nos corais, cidades inteiras
Jardins de anémonas por suas fronteiras
Nossas estrelas podem até não brilhar
Mas são nosso pedaço de céu particular
As montanhas daqui são azuis e móveis
Às vezes perigosas, às vezes insaciáveis
Plantas não fazem parte das florestas
O verde daqui vem das algas
As correntes esvoaçantes substituem o vento
Existem até petiscos verdes viajando com o tempo
O plâncton, invisível aos olhares
Enquanto sustenta a vida nos mares
Ao invés de ouro temos pérolas
Nossa riqueza entre água e pedras
Pra que camaleão quando se tem polvo?
Mais corações, mais cores, mais pernas, representa mais o povo
Até mesmo nos vales profundos se encontra a luz
Os bancos de areia um grande cuscuz
Embora toda essa beleza
Ultimamente ando cheio de tristeza
Olho pra cima e vejo o azul vivido mudar
Olho ao redor e o silêncio rouba o lugar
Cardumes diferentes dos que conheci
Não falam, não sentem, não os vejo partir
Não comem, não dormem e se quer sabem nadar
Parecem estar vivos, mas não podem estar
Tenho medo que seja o início de algo ainda mais horrendo
Por isso estou aqui escrevendo
Um pedido de ajuda seja pro norte ou pro sul
Afinal todos dependem do mesmo azul