babalaaza

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n. 1975 MZ MZ

Nascido na Beira (Moçambique) em anos de 70. Apaixonado por som, letras e cores. Simplesmente...

n. 1975-01-01, Beira

Perfil
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Pensamento II

Mas digam-me lá símios intelectos:

- Porque raio içaram bandeira se as amarras da expressão ficaram em terra? Ou se se elevaram da terra conquistados calibres 7.62mm em vez de milho e batata-doce?
- Não achais vós que ao povo falharam as vénias pelas matas cortadas em destino de machamba? Que na voz dele – o povo - se afirmava uma geografia na qual nos posicionávamos e vós simplesmente esqueceis, de nome e de pudor?

Digam-me lá símios e intelectos:
- Quantos pães caberiam na rodada de uma sirene do vosso motor alemão? Quantas carteiras caberiam desnutridas nos bolsos Cardin que carregam no linho francês de vossas calças?
- Quanto ar encharcaria uma garganta livre das amarras modais a que nos submeteis?

Por vezes desisto! Por outras resisto! Mas insisto, intelectos:
- Que é feito do ideal? Porra!?
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Poemas

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Pensamento II

Mas digam-me lá símios intelectos:

- Porque raio içaram bandeira se as amarras da expressão ficaram em terra? Ou se se elevaram da terra conquistados calibres 7.62mm em vez de milho e batata-doce?
- Não achais vós que ao povo falharam as vénias pelas matas cortadas em destino de machamba? Que na voz dele – o povo - se afirmava uma geografia na qual nos posicionávamos e vós simplesmente esqueceis, de nome e de pudor?

Digam-me lá símios e intelectos:
- Quantos pães caberiam na rodada de uma sirene do vosso motor alemão? Quantas carteiras caberiam desnutridas nos bolsos Cardin que carregam no linho francês de vossas calças?
- Quanto ar encharcaria uma garganta livre das amarras modais a que nos submeteis?

Por vezes desisto! Por outras resisto! Mas insisto, intelectos:
- Que é feito do ideal? Porra!?
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Pensamento III

A caminho….sempre a caminho do que traz luz, ou doutra qualquer coisa que ilumine o futuro:
o dito sempre, contado, dito, jogado, manipulado, feito juiz de corda ou de incenso
– mas ajuizado! 

Iluminando trajectos lá se foi a alma andando também, na terrena realidade
(seja ela qual for, de humor já ajuizado da idade) que se fica, apenas, fixada nos rumos do ponto zero:
esse exacto, pontiagudo e chato sítio, onde desejamos estar e teimosamente nos acamamos,
- sem graça. 

Imaginamos um trilho, a meio do milho e do Vondo, que espalhe canções,
carnais e tais, que espevitem o olhar, e espiem a frente.
Mas qual frente, se tudo é traseiro?

No enfim do pesadelo e do matico fiz Batata-Doce,
coroei-me de lama e fiz-me passar de crocodilo. 

Passei a ser feliz, na nulidade,
mas de pé em mim, a caminho de sei lá!
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Col meia

E se em tí ramificado te vissem, no acto
as maias, melosas, sedentas de lar e de facto
e te fizessem colmeia por apenas um braço de tempo?
Serias bem mais doce….

E se fosses um pé de meia plantado, ou sentado
de soslaio olhado por um pé descalço?
De repente te lembrarias de esticar um dedo?
Duvido, mas creio ser apenas uma questão…
 
….a questão dos ponteiros!
o cuco que deixou de cantar à hora certa
tem certa culpa nesta ramificação de meias.
 
Mas, já agora, para não fugir ao tempero,
quem serias se nada fosses? Importas-te, eu sei
com um grão de areia; mas que fazes com ele?
Leva-o contigo e planta!
 
Por outro lado, bem mais ao lado,
vê lá se vislumbras um pouco de mel
desse que te foi plantado nos braços.
A vida te ficará bem mais doce!
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Angulatura

Um canto que serve de esquina e outro de aconchego graduado. Um que brinca de curva quando o grau vira tinto.

O que importa é ter bem definida a amplitude do gesto e do espaço....essa coisa estranha, indefinida, que tanto é ar como terra como água. Num canto sem ângulo
.
Gota-a-gota também pode ser, numa gruta, um canto desenhado.
Num palco, num curral, perús e porcos.
Os de 90, os de 180 e os radicais de 360.
 
Eu sou mediano, fico-me pela chapa 100, porque tudo voltará ao mesmo, à pura natureza da graduação, enquanto o asfalto se souber suturar das feridas do dia-a-dia.
 
Vejamos:
se ainda raciocinares: preferes ser uma Acácia com 50 anos de uma independência desnutrida ou um palmo de Nhemba prestes a fazer alguém feliz?

Eu sou um ângulo! Curvo.
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Desorientação

Num sentido vou indo enquanto me esquivo de outro.

Tenho um aparelho emprestado por alguém e que a mim me fala em chinês, coisa que apenas petisco com molho de Soja.
Tenho um mapa que me sugere Nordeste, de modo a ver Javalis. Ora! Eu quero ir para casa! Chirra! E isso fica no caneco da sura.

Vou, por isso em frente. Há uma ponte em construção sem sustento. Dou a volta pela esquerda. É proibido. Volto pela direita. Trânsito congestionado e as fossas também.

Eu vou pela minha própria ponte, de vento
chegar ao meu sítio, ao relento.
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Me dita acção

Por vezes penso em meditar, mas rapidamente me canso e me vou deitar
para exercitar as cordas vocais num ressono que procura acompanhar o silêncio da noite
– e se a noite falasse diria o diabo de mim!
 
Na maioria das vezes até que desisto de pensar; prefiro tocar, sentir, cheirar, amar e voar para todos os locais que me visitaram ao longo do tempo
– uma espécie de munditação.
 
Essas viagens, que me são normalmente tranquilas
– sem turbulências, ondulações ou cotovelos -, por vezes trazem também as chatices que os outros sentem por não saberem meditar, ou me deitar!
 
Eu gosto muito de me deitar.
É quando me dito, me dispo e me disponho a amar.
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Pensamento miúdo

No apartar do couto dum tempo
 que resta no olhar de ver ao longe
aqui ao pé,
vou passeando um pouco,
por entre o indiscreto do assunto
que tanta razão iludiu
em pensamento
miúdo.

No fundo, de tempos a tempos
persiste essa miragem; e nela eu,
coitado na indiferença de mim próprio
como tantos outros, amiúde,
 também animalescamente coitados,
curtidos em apenas adorno
de quem da razão se veste. 

Interrogo, pelas migalhas do tempo,
cada um dos pensos colados na noite,
de tempos a tempos, pensando
nos olhos que me trepam, diariamente.
E não sei se me liberto, ou poderei ser livre
da destilada cantoria que nos deram a beber
os que de outra esteira nasceram.

Nem sei por que olho me vêm,
quando me trepam durante o dia a vida inteira,
nem tal saber o quero, pois o tempo páro, a tempos,
para entre ponteiros um pouco pensar.
É quando me iludo propositadamente,
colocando o farelo de tudo na peneira,
e rebuscando, em mim, aquele pensamento
miúdo.
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