Carlos M. Francisco

Carlos M. Francisco

n. 0000-00-00, Almada

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Levantem uma bandeira à vida

Levantem uma bandeia à vida

É isso que os dias precisam

Quem levante bandeiras e as agite

Em toda a glória que a vida tem

Não precisamos de mais flores na mão erguida

Só a bandeira nos pode salvar agora

Porque as flores não salvaram

Morreram sem glória em nossas mãos

E apodreceram entretanto ao sol

Sem que as suas vidas tivessem 

O significado pretendido

Estamos portanto, fartos de flores

Queremos bandeiras com cores

As cores que dão sentido à vida.




Afastem os poetas, não queremos mais palavras

É necessário repetir aos que não entendem

Queremos as bandeiras, lembrem-se, as bandeiras

As mais pesadas e difíceis de agitar

As que exigem o maior dos esforços

Para ficarem de uma vez presas na memória

As flores não, as flores são leves e lindas

Deixem as flores na sua vida de campo

Façam bandeiras com desenhos de flores

Ou estrelas brilhantes sobre fundo escuro

Melhor de se verem ao longe

Onde estarão pessoas ainda sem bandeiras

Para que elas entendam também 

Como as devem fazer e erguer ao vento.




Sejamos amigos por agora

Imaginários receptores da boa vontade

E levantemos essa tal de bandeira

Que na verdade tem um imenso peso

É difícil de bem agitar sem sentir dor

Não lamentem, uma bandeira não é indecifrável

É toda ela previsível, vai balançar ao vento 

O mesmo que não consegue varrer vossos defeitos

Ele que varre tudo o que está fora de vós

Vê-se perante a impossibilidade de entrar

E levar com ele tudo o que poderia encontrar

As ideias gastas, as vontades exageradas

Os egos corrompidos inflamados e doentes

As palavras que nunca encontram a consciência.




A vida é levantada ao esquecimento

Por quem planta bandeiras aos ideais

Felizes por saber tudo sobre essas certezas

Esquecem que os sorrisos bizantinos 

São feridas infligidas na própria alma

Ela, já tanto necessitada de cuidados

Levantem as bandeiras da verdadeira vida

Deixem os sonhos vãos para outro dia

Homens fortes que seguram a bandeira da sua cor

Cuidado com as dores nos vossos braços 

Cuidado com as dores causadas nos outros

Agitem as bandeiras da vida sem pesar

E todas as dores serão suportadas

Pois a ajuda virá sobre todas as formas.












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Poemas

18

Levantem uma bandeira à vida

Levantem uma bandeia à vida

É isso que os dias precisam

Quem levante bandeiras e as agite

Em toda a glória que a vida tem

Não precisamos de mais flores na mão erguida

Só a bandeira nos pode salvar agora

Porque as flores não salvaram

Morreram sem glória em nossas mãos

E apodreceram entretanto ao sol

Sem que as suas vidas tivessem 

O significado pretendido

Estamos portanto, fartos de flores

Queremos bandeiras com cores

As cores que dão sentido à vida.




Afastem os poetas, não queremos mais palavras

É necessário repetir aos que não entendem

Queremos as bandeiras, lembrem-se, as bandeiras

As mais pesadas e difíceis de agitar

As que exigem o maior dos esforços

Para ficarem de uma vez presas na memória

As flores não, as flores são leves e lindas

Deixem as flores na sua vida de campo

Façam bandeiras com desenhos de flores

Ou estrelas brilhantes sobre fundo escuro

Melhor de se verem ao longe

Onde estarão pessoas ainda sem bandeiras

Para que elas entendam também 

Como as devem fazer e erguer ao vento.




Sejamos amigos por agora

Imaginários receptores da boa vontade

E levantemos essa tal de bandeira

Que na verdade tem um imenso peso

É difícil de bem agitar sem sentir dor

Não lamentem, uma bandeira não é indecifrável

É toda ela previsível, vai balançar ao vento 

O mesmo que não consegue varrer vossos defeitos

Ele que varre tudo o que está fora de vós

Vê-se perante a impossibilidade de entrar

E levar com ele tudo o que poderia encontrar

As ideias gastas, as vontades exageradas

Os egos corrompidos inflamados e doentes

As palavras que nunca encontram a consciência.




A vida é levantada ao esquecimento

Por quem planta bandeiras aos ideais

Felizes por saber tudo sobre essas certezas

Esquecem que os sorrisos bizantinos 

São feridas infligidas na própria alma

Ela, já tanto necessitada de cuidados

Levantem as bandeiras da verdadeira vida

Deixem os sonhos vãos para outro dia

Homens fortes que seguram a bandeira da sua cor

Cuidado com as dores nos vossos braços 

Cuidado com as dores causadas nos outros

Agitem as bandeiras da vida sem pesar

E todas as dores serão suportadas

Pois a ajuda virá sobre todas as formas.












21

Caminhando pela rua só

Sei que quero sair pela rua

E caminhar sem parar

Ouvindo a minha voz

Pesada e sem vontade

Mas caminhando sei como sou

E sinto meu corpo movimentar-se

Esqueço a idade e de onde venho

Onde nasci e o que me tornei.

Dá-me a sede e pergunto porque saí

Deixando o amor para trás

E caminhei sem parar e sem rumo

Mas pergunto sempre, qual amor?

Estou só, penso só, caminho só

Onde está o amor que deveria sentir?

Onde estão os que deveria amar?

Ao meu lado não estão, caminho só

Ficaram no mesmo plano que o Sol

Adorando a luz e seu conforto

E os raios que dizem ele ter

Mas o Sol já passou por aqui

E deixou um vazio que se tornou escuro

É por onde eu caminho, por esse tempo ido

Remoendo o que ainda tenho por remoer.

Saí pela rua

Caminhando só, com a alma fechada

Rindo de mim próprio

E de todas as parvoíces pensadas

Demasiado bem pensadas e bastante profundas

Caminho pela rua para gastar os sapatos

E espero, tal como faço com eles

Desgastar também meus pensamentos

Pisá-los como se fossem as pedras

Irregulares, pequenas e quebradiças

Gosto de pisar e voltar a pisar

As pequenas pedras

Esmagando-as e vê-las tornarem-se pó

Como os meus pensamentos

Todo eles são quebradiços, desmembráveis 

Estáticos debaixo dos sapatos duros

Choro pelos meus pensamentos

Estão agora noutra rua

E eu… eu continuo caminhando

Só e pesado, por uma rua nova

E outros pensamentos nascem 

E outras pedras se desfazem

Debaixo dos meus sapatos

Esta é uma rua como a outra, penso eu

Cheia de pedras e pensamentos

Não consigo sair das ruas semelhantes.

Como os pensamentos aprisionados

As pedras se prendem nos sapatos 

E desgastam a dor que se vai sentindo

Nos nervos distendidos pelo corpo 

E é quando a mente pergunta tudo

E define as dúvidas como certezas

Afirmando aos pensamentos

Que a consciência é uma rua desconhecida

Vai-se caminhando por ela

Esperando encontrar quem nos diga

Estarmos no sítio certo

Sem a segurança de o saber

Na direcção vamos de olhos fechados

De pés firmes sigo rumo ao tempo

Procuro gente com capacidade para caminhar

Que compreenda minha vontade de os conhecer

No dia, na noite, entre as estrelas

Sobre as pequenas pedras desgastantes.
18

A vida vem por bem

A vida vem por bem

Mas o homem tem desdém 

De tamanha liberdade

Agarrou-se então ao mal

Pois não lhe parece natural

O que diz a vida ser verdade.

A vida sei meu bem

Não tem sonhos nem ninguém

Que sonhe com ela 

O sonho é triste

O sonho é eterno

Tudo o que é belo está perto

Do coração de quem quer bem

O sonho sabes também

Foge de quem não tem 

Nem vida nem vontade.

Toda a gente chora 

Porque o sonho demora

Em chegar nesta hora

A vida chora também

Mesmo quando não tem 

Vontade de chorar.

A vida saiu agora 

Passeia só lá fora

Sem a companhia de ninguém

A vida resiste a tudo o que dela se espera

E a tudo o que por aí vem.
19

Não serei

Não sei ser poeta

Não sei ser nada

Não sei o que escrevo

Nem o que quero dizer

Não sei ser homem

Nem o que esperam de mim

Não sei ser o inverso de ninguém.




Não sei como conversar

Não digo palavras belas 

Para deixar ouvidos felizes

Não sei escutar parvoíces

Nem sei estar no meio delas.




Não sei como outros conseguem 

Ser o que lhes mandam

Não sei como se encontram

Entre tontos que bradejam 

Na profunda multidão os vejo 

Filosofando bocejos

Não sei ver quem sejam. 




Não sei ver com os olhos de outro

Não sei ver pouco

Não sei como as pessoas 

Não conseguem ser

Não compreendo como esquecer

As bofetadas loucas

Saídas das mãos esvoaçantes. 




Não sei ser o começo

De um caminho destinado a não ter fim

Procurado por quem se perdeu

E não teve onde se encontrar




Não sei ser feliz

Se soubesse, o que faria eu com a felicidade

Nem comigo sei o que fazer

Se a felicidade me invadisse

Seria eu o homem mais triste do mundo

Por saber que estava desperdiçada em mim.




Não sei fingir estar louco

Nem dominar a voz da loucura

Não sei como arrumar

A minha vida em outro lugar

Não sei como viver

Não sei o que ser

Definitivamente não sei existir.



16

Água sobre papel

Papel branco que se molhou

Papel caído em meus braços

Deixei a verter água

Fugiu louca

Molhado ficou

E depois veio a tinta

Preta

O papel em duas cores

Não tem palavras

Não se sabe bem

Como me deixou

Água nas mãos

Correndo em fio turvo

Abandona o corpo

Caem as gotas solitárias

Sobre os pés

Descalços pisam

O papel em restos

Rasgado e impregnado

Pedaços descoloridos

Embebidos e mal tratados

Absorve as palavras dissolvidas 

O chão molhado.
20

Palavra

As palavras afastam

As palavras unem

Palavra do homem

Sentida ou desmentida

Tanto verdade

Tanto mentira.

Ao vento são jogadas

No calor são queimadas

Ao frio são geladas

Quando despidas

São palavras nuas.

Palavras houve um dia

Que morreram dentro de mim

Palavras que nunca mais direi

Esquecidas para sempre na alma

Do homem que nunca serei

Brisas salgadas

São ouro na vida do homem certo

Tristezas são golpes de faca

Amores perdidos são desgraças

O silêncio é esperto

A vida… são águas passadas.

Palavras que disse

No vento as vi voar

Para longe, para o mar

Não voltam mais

Por vezes, ouço-as murmurar

O que dizem são lamentos tais

Falam senão… em voltar.
15

A saudade é apenas um vento


A saudade é apenas um vento

Deixada nos lugares de casa

Os cantos recolhidos sem sombra.

Uma vez ... e ela ficou

Como uma história 

Na memória 

Para exercitar o corpo

Quando chora

E entristece

Nos seus próprios cantos.

Lembro-me

Quando findou

A ausência de vento

E surgiu a saudade

Ventosa

Dissipou tudo o que foi.

 






18

A possível verdade do poeta


O melhor poeta é aquele que se vê a si por dentro

E tudo questiona para o poder escrever

O melhor homem é aquele que se tornou poeta

E deixou para os outros a normalidade 

O melhor poeta é aquele que não sabe ser homem

E pergunta todos os dias, o que é ser poeta

O melhor homem descobre outra vida na poesia

A verdade torna-se finalmente um reino possível.



26

A chave da alma e suas palavras


Está escrito que a dor são palavras

E o coração a chave da alma

Suas palavras dão sentido a tudo

Mesmo ao que retiramos o sentido.

Algumas palavras são minhas outras não

Muitas simplesmente esqueço

Outras são grandes demais

Para as guardar em mim

Se todas me conhecessem

O mundo inteiro seria escrito

E eu seria a única frase

Com todas as palavras esquecidas.






33

Tu e eu

Não estares aqui
É apenas a tua ausência
E eu...estou ausente de ti.
29

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