carmem_souto_maior

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Pernambucana multipotencial, escreve contos, romances e, principalmente, poesias. Criadora do Método Escrita Multipotencial, também desenvolve um projeto de leitura afetiva, onde atua como mediadora em grupos de leitura para o autoconhecimento.

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Perguntas

A distância preenche o ar
O tempo percorre a distância
A tua voz acaricia tímpanos
Minha face? Inconstância.

A distância percorre montes
Do céu ao rio viajo no tempo
Do abstrato pulo para o concreto
Nuvens e ondas transformadas em sentimento.

Linear é o amor?
Transportando um século de verdade
Meus ombros incansáveis
Na certeza de que tudo é realidade.
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Poemas

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Perguntas

A distância preenche o ar
O tempo percorre a distância
A tua voz acaricia tímpanos
Minha face? Inconstância.

A distância percorre montes
Do céu ao rio viajo no tempo
Do abstrato pulo para o concreto
Nuvens e ondas transformadas em sentimento.

Linear é o amor?
Transportando um século de verdade
Meus ombros incansáveis
Na certeza de que tudo é realidade.
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Toda noite

Toda noite vejo aquela velha estrela num céu quase negro
Toda noite acho que o trem ainda é o mesmo

Toda noite tenho a certeza que Deus existe
Toda noite percebo que não há motivo para ser triste

Toda noite lavo a alma com meu pranto
Toda noite fico quieta no meu canto

Toda noite te espero com alegria
Toda noite não é todo dia...

Toda noite ouço as mesmas músicas
Toda noite leio as mesmas notícias

Toda noite escrevo as mesmas palavras
Toda noite invento novas letras

Toda noite... todo dia... tudo difere e fere
Sacudindo a alma numa revelação trêmula

Vivo entre a razão e a emoção
Num equilíbrio quase distante

Vivo porque sei que combinamos que assim seria
Vivo toda noite, mas toda noite não é todo dia.
115

Permissão

Permito-me querer-te
Ser olho cego ao passado
Permito-me gostar de ti
Ser voz rouca, ficar gravado.

Permito-me adorar-te
Ser tímpano naufragado
Permito-me amar-te
Ser coração aprisionado.

Permito-me sentir tua falta
Ser alma, pulsar calado
Permito-me ser eu:
Pássaro azul apaixonado.
111

Encanto

Talvez meu sonho seja realmente inexeqüível,
mas ainda assim prefiro acreditar no amor.
E se eu adormecer… deixe-me sonhar.
117

Sobrevivência no caos

Alimente-se de livros
Consuma-os um a um
Devore-os lentamente e continuamente
Perceba cada página virada
Como uma mordida no pão que alimenta seu corpo.

Embriague-se com o prazer que o cheiro dos livros provoca
Deixe-se impregnar por aquilo que eles exalam
Beba cada palavra sem pressa
Sinta as frases percorrerem seu esôfago
E alcançarem seu estômago.

Respire as idéias de cada escritor
Sem deixar-se sufocar por elas
Apenas permita-se conhecer cada universo
Inspire cada letra ao avesso
E expire discernimento.

Durma tranqüilamente no balanço de uma rede de idéias
Escreva seu livro!
Sonhe, desperte,
Adormeça, sim... adormeça!
Só não adormeça na escuridão de uma biblioteca vazia.
109

Pássaro preto

Pássaro preto que rouba a cena
Quebra meu silêncio
Canta cantiga solitário
Na esperança de não ser só imaginário.

Pássaro preto de olhar tranqüilo
De galho em galho procuras
Mas solidão é teu nome, vens
Que o palco é o verde que tens.

Pássaro preto porque não me levas?
Não me roubas com tuas asas?
Só sacodes tuas penas
E continuas a cantar, encenas.

Como quem espera o amor
Que um dia encontrará
Talvez aqui, rio sereno
Talvez ali, mar pleno.

Pássaro preto que vai
Com som fino, incansável
Constante na espera
De um amor que te leve, nova era.

Pássaro preto... Para onde voastes?
96

Autorretrato

Por três vezes escutei aquele disco
Na tentativa de achar palavras
Que tentassem me desenhar
Da forma mais precisa.

Não! Palavras têm que ser mais
São sentimentos
De alegria ou tristeza
De amor ou rancor.

E você, o que acha?
Talvez eu nunca saiba
Mas quem sabe?

E esta é minha vida
Meu destino
Eterno mistério de mim mesma.
98

Catavento

Roda de crianças, andanças
Roda-moinho
Procuro lembranças

Catavento, roda-viva, roda-ilusão
O mundo ainda gira
Onde giram os sonhos de paixão.
105

Exílio

Ainda morre-se de amor…
E é lento como a nuvem que chega ao jardim.
Lá ainda vaga o teu sonho…
Fugidio das coisas breves, ele vai.

Eu vi ontem em teus olhos o instante que chovia
Sorrateiro você disfarçou
E, de repente, o encanto estremeceu
E minhas pernas trêmulas diziam mais do que eu poderia.

Ainda morre-se de amor…
O mesmo que vi nascer… agora hei de viver.
Quantos errantes corações ficam para trás?
Não faço idéia, mas… ainda morre-se.

E, um dia, de tanto amor… exilar-me-ei.
113

Papéis Avulsos

Lacunas preenchidas
Por vazios eternos e fins
Até quando irão viver
As folhas destes jardins?

É tão grande e forte
Contrário à dor
Tão puro, tão sincero
Como é vivo o meu amor.

A não se que tu mates
Com ecos de silêncio e alma
Se da tua voz nada vem
Deixo-te na chuva ainda calma.

Se hoje vens me buscar
Amanhã surgem elos
Por mais distante que estejas
Mais longe do que os afélios.

Tempo longo, vida breve
Amor que me invade e arde
Espera-te em rios e grãos
Mas não vens, pois é tarde.
106

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