carmem_souto_maior

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Pernambucana multipotencial, escreve contos, romances e, principalmente, poesias. Criadora do Método Escrita Multipotencial, também desenvolve um projeto de leitura afetiva, onde atua como mediadora em grupos de leitura para o autoconhecimento.

Perfil
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Perguntas

A distância preenche o ar
O tempo percorre a distância
A tua voz acaricia tímpanos
Minha face? Inconstância.

A distância percorre montes
Do céu ao rio viajo no tempo
Do abstrato pulo para o concreto
Nuvens e ondas transformadas em sentimento.

Linear é o amor?
Transportando um século de verdade
Meus ombros incansáveis
Na certeza de que tudo é realidade.
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Poemas

14

Permissão

Permito-me querer-te
Ser olho cego ao passado
Permito-me gostar de ti
Ser voz rouca, ficar gravado.

Permito-me adorar-te
Ser tímpano naufragado
Permito-me amar-te
Ser coração aprisionado.

Permito-me sentir tua falta
Ser alma, pulsar calado
Permito-me ser eu:
Pássaro azul apaixonado.
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Exílio

Ainda morre-se de amor…
E é lento como a nuvem que chega ao jardim.
Lá ainda vaga o teu sonho…
Fugidio das coisas breves, ele vai.

Eu vi ontem em teus olhos o instante que chovia
Sorrateiro você disfarçou
E, de repente, o encanto estremeceu
E minhas pernas trêmulas diziam mais do que eu poderia.

Ainda morre-se de amor…
O mesmo que vi nascer… agora hei de viver.
Quantos errantes corações ficam para trás?
Não faço idéia, mas… ainda morre-se.

E, um dia, de tanto amor… exilar-me-ei.
112

Sobrevivência no caos

Alimente-se de livros
Consuma-os um a um
Devore-os lentamente e continuamente
Perceba cada página virada
Como uma mordida no pão que alimenta seu corpo.

Embriague-se com o prazer que o cheiro dos livros provoca
Deixe-se impregnar por aquilo que eles exalam
Beba cada palavra sem pressa
Sinta as frases percorrerem seu esôfago
E alcançarem seu estômago.

Respire as idéias de cada escritor
Sem deixar-se sufocar por elas
Apenas permita-se conhecer cada universo
Inspire cada letra ao avesso
E expire discernimento.

Durma tranqüilamente no balanço de uma rede de idéias
Escreva seu livro!
Sonhe, desperte,
Adormeça, sim... adormeça!
Só não adormeça na escuridão de uma biblioteca vazia.
109

Papéis Avulsos

Lacunas preenchidas
Por vazios eternos e fins
Até quando irão viver
As folhas destes jardins?

É tão grande e forte
Contrário à dor
Tão puro, tão sincero
Como é vivo o meu amor.

A não se que tu mates
Com ecos de silêncio e alma
Se da tua voz nada vem
Deixo-te na chuva ainda calma.

Se hoje vens me buscar
Amanhã surgem elos
Por mais distante que estejas
Mais longe do que os afélios.

Tempo longo, vida breve
Amor que me invade e arde
Espera-te em rios e grãos
Mas não vens, pois é tarde.
106

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