Lista de Poemas

JOÃO

Nasceu João, filho da Nação
ainda pequeno, de bom coração
família não teve, infância também não
viveu nas ruas batalhando a fome
sendo esmagado pela população
foi trabalhar e tentou se virar
mas o preconceito era maior
que esnobavam o menor

Cresceu João, filho da Nação
apesar das dificuldades, tinha bom coração
aprendeu a viver com o medo e a dor
com a fome, com a vida
com o preconceito da cor
varria ruas, entregava papelada
ganhava um dinheiro que para nada dava

Viveu João, filho da Nação
com tantos horrores, não tinha coração
aprendeu a lutar, roubar, matar
foi preso mas conseguiu fugir de lá
namorava a bonita e bela Maria
nessa época foi feliz
tinha tudo o que queroa
até que uma noite João foi roubar
estava feliz, nunca precisou matar
então foi dormir e com os anjos sonhar
mas no dia seguinte não precisou acordar

viu, então, toda a população
mais um corpo jogado
todo ensanguentado
estendido no chão,
embaixo do Minhocão
Morreu João, filho da Nação
com apenas vinte anos de idade
foi vítima da sociedade


ANO: 1992
478

POESIA INEXISTENTE

1% sou eu
99 é ninguém
Não sei
Não quero
Não digo
Não penso
Não faço
Não vivo...
Aposto no impossível
Me vejo...invisível
Pare
Sinta
Espere
Não sei o que
Faz com que
Fere
Sugere, me fere, emperre
Supere, escute, mude
                        nada
                        para (o)
                        nada


ANO: 1994
865

UM CONTO DA VIDA

Amaram-se a noite toda. Então, ao amanhecer, ela partiu.
         "Espere, não saia sem pegar seu dinheiro"- disse-lhe isso a fim de humilhá-la ainda mais. Já não bastava terminar uma história de anos de forma tão rude! - "Pegue seu dinheiro e sinta-se paga por todos esses encontros."
          Ela bateu a porta e saiu, chorando. Não entendia como um ser humano era tão baixo e tão malvado. Estava magoada. Sentia-se um lixo, uma infeliz.
          Então foi para casa e sentou-se num canto qualquer. Ficou ali, parada, quieta, calada, pensando...

          "Realmente é positivo. Acho que devo os parabéns! A senhora vai ser mãe."
          "Como disse?" foi a única frase que conseguiu pronunciar. A angústia e desespero brotavam por seus poros. Como suportar tudo isso? Era sozinha no mundo e a pessoa mais próxima era o pai do filho em sua barriga.
           Então foi para casa e sentou-se num canto qualquer. Ficou ali, parada, quieta, calada, pensando...

          O telefone tocou de madrugada e uma voz rouca de mulher atendeu. Quem poderia ser? Outra amante? Agora o desprezava mais e mais e sentia sua última gota de auto-estima evaporar-se no ar nebuloso em que se encontrava.
          Foram quase dez anos de desespero, ameaça, ilusão e sofrimento. Dez anos construídos sobre uma base de sonhos que escorregaram para o nada!
          Sentou-se num canto qualquer e ficou ali, parada, quieta, calada, pensando...

          "Grávida?! Como? Não, não pode ser! Sinto, mas tenho minha vida para cuidar"
          Outra vez humilhada, massacrada. Sua pobreza a sufocava e a riqueza dele a esmagava profundamente, perfurando o resto de sobriedade guardada. Tentou conter o choro e sufocar o que restava de sentimentos.
          Foi para casa e encostou-se num canto qualquer, ficando ali, parada, quieta, calada, pensando...

          O dinheiro estava acabando. Trabalhava como louca e cuidava da cria que se perdia no meio da garotada do bairro. 
          O menino ia fazer 9 anos. Por mais que tentasse negar, seu filho carregava a forte semelhança física do pai. Naquele ano queria dar-lhe um presente. Um luxo no meio de tanta dificuldade! Contou as economias e conseguiu comprar um jogo de canetas e lápis coloridos.
          Estava entrando na toca em que viviam, quando viu, na TV, o novo personagem da semana: Sr. Maldade e Família! Ele, impecavelmente apresentado, estava com a esposa jovem e impecavelmente arrumada, que segurava nas mãos os dois filhinhos impecavelmente fofinhos e gorduchinhos. A Família Impecável estava em um programa dando entrevistas sobre banalidades de um mundo impecavelmente perfeito.
           Em choque, ela olhou-se no espelho. Seus cabelos eram opacos e despontados, a pele descuidada e enrugada. A magreza salientava-se e a aparência era de muito mais idade do que realmente tinha.
          Olhou para o filho e viu um menino magro, lombriguento, com trapos velhos e rasgados. Um cachorrinho sarnento com medo do mundo.
           Seus olhos se encheram de lágrimas. Então, foi sentar-se, ficando ali, parada, quieta, calada, cansada, pensando...

           Ele estava no escritório aquele dia. Ficou lá até tarde da noite. As luzes estavam apagadas e a sala era iluminada apenas por uma lâmpada fraca.
           Uma mulher bem mais jovem do que sua jovem esposa, vestia-se sensualmente, enquanto ele, ainda nú, bebia um copo de uisque.
           Ela ficou ali, do lado de fora, esperando. Viu quando beijos de despedida rolaram e quando a loura saíu pelos fundos. Ele, só, recostou-se na poltrona de couro olhando para o nada.
          Alguém tocou a campanhia. Ele foi atender. Era ela.
          "Como está feia e abatida! Sorte que a deixei." - foram os pensamentos dele.
           Ela o empurrou e entrou no escritório. Mostrou-lhe a foto do menino e aguardou a reação. 
           Ele olhou espantado: "Que bichinho feio!"- pensou. Mas tinha seu sorriso, não podia negar. Então, o inesperado aconteceu: ele assumiu para si mesmo que tinha mais um filho.
           Ambos em silêncio enquanto ela remexia em sua bolsa. Com um olhar vingativo e com satisfação, atirou todas as balas daquele velho revólver em cima do co-autor do seu sofrimento.
          Ele caiu ali, segurando firmemente a foto do filho que, a partir desse dia, foi morar com sua esposa que agora é viúva.
          Ela, por sua vez, apenas sentou-se num canto qualquer, ficando lá, parada, quieta, calada, pensando... (enquanto danças de luzes vermelhas e sirenes angelicais tocavam a música da insanidade).


ANO: 2000
903

TEMPO QUE ME SUFOCA

Estou perdida
entre rostos sombrios
enquanto anjos caem do céu
A dor aumenta,
escadas indicam caminhos opostos
e a cor some
na sombra da névoa do medo
Estou com frio
e quero colo
quero só mais um agrado
Meu corpo treme
e as vozes falam
mas não dizem nada
Me abrace,
me segure,
estou perdida
no abismo que construí
Sinto sua falta
desde criança
Quero colo,
quero uma canção para dormir
quero que leia uma história
quero carinho
Por favor!
Não vá embora,
a cada partida 
é um buraco negro
Só quero abraço
e a certeza de que vai ficar...


ANO: 2000
912

PRA QUEM QUER AMAR...

Você está disposto
a ser a aposta
posta na mesa?
Então não ame
porque são damas
de encontro a paus
num mundo de espadas
pontiagudas e cortantes,
são ases de copas
angustiantes.


ANO: 2006
802

SOMENTE UM PASSO

     Já cansada de toda essa luta em vão, a velha jovem senhorita caminhou de olhos vendados, segura de estar no caminho certo. Subiu até o ponto mais alto e esperou que as nuvens negras passassem.
     Como pássaros, elas iam e voltavem, fazendo malabarismos celestiais ao redor daquela figura mirrada, mal compreendida pela ignrância.
     Sentiu seus cabelos baterem contra aquele vento amargo, indo de encontro com as coisas que já tinha visto, com o passado.
     Em voz alta, começou a vomitar todos os seus sonhos, que fediam e se espalhavam na terra molhada pelas suas lágrimas.
     Quanta saudade de um dia em que foi humana! Saudade da personalidade que o tempo levou e deixou perdido na lembrança de alguém, talvez.
     Lembrou-se de pessoas especiais que cruzaram seu caminho. Gente que a fez sorrir, que a deixou ansiosa, feliz e a fez chorar, mostrando a verdadeira face da realidade sombria que persegue cada ponto móvel, insignificante, chamado homem.
     Perdida em suas lembranças, sentiu o vento em seu rosto mais uma vez.
     Um suspiro a fez sentir viva. Percebeu que já estava terminando.
     Então, tirou o pano que tapava seus sonhadores olhos castanhos. Olhou para o outro lado daquele abismo e viu as rochas enormes sugadas pela selvageria da água doce que alimenta e mata.
     Com toda a coragem e, talvez, satisfação, deu um simples e delicado passo em direção do, talvez (novamente), eterno final.
     As nuvens negras choraram, despencando toda a tristeza em forma de gotas, manchando e marcando aquele momento.
     O vento soprou com mais força.
     O sol se escondeu atrás de nuvens, não querendo testemunhar aquele fúnebre episódio.
     As garças, habitantes do local, voaram em bando, à procura de abrigo seguro, fugindo da ânsia de destruição daquela tarde.
     A natureza entristeceu e descarregou suas forças por meio de raios ferozes.
     Enquanto esse espetáculo se mostrava, ela caia levemente, por deixar seus pecados no passado.
     Encontrou-se com seu destino e, já inanimada, era simplesmente carregada por aquele rio. Era mais uma flor que enfeitava aquelas águas silenciosas.
     Dessa forma a cortina se fechou e essa cena terminou na calmaria do equilíbrio das coisas vivas ao redor de um cadáver.
     Então, tudo calou-se para sempre, caíndo no esquecimento de pessoas que estão sempre a procura de novidades.


ANO: 1999
888

Carta a todos os borderlines


Ei, você, te conheço e muito bem. Sua vida é um furacão, cheia de enormes altos (verdadeiros Picos do Everest) e grandes baixos (típicas Fossas da Mariana). Seu humor é estranho, você não se enquadra em padrões, provavelmente é muito inteligente, sente-se entediado facilmente e também é muit empático e engraçado. Vive rodeado por aventuras e seus amigos "um poco mais normais" adoram. 
Provavelmente você já se feriu em crises de impulsividade. Já usou- e até abusou - de substâncias psicoativas. Sente aversão à sons, cheiros, luzes e coisas que te levam a momentos de irritabilidade dignos de causar orgulho ao Incrível Hulk. 
Dorme pouco, não é verdade? Quer parar de pensar em excesso mas não consegue. Vive se jogando em experiências e, inclusive, já pensou, sonhou e almejou ardentemente a morte... O suicídio límpido, cristalino, silencioso já foi percebido como a única forma de frear toda a loucura que é sua vida, não é mesmo?... 
Mas deixa te contar uma coisa: você está aqui, lendo essa carta, no presente, porque - pouco importa como você nomeia este motivo- decidiu continuar. Você não morreu, você seguiu com marcas, cicatrizes no corpo e no espírito, com o bom e velho cansaço e com memória da dor. 
Você respira e algo em você persiste, insiste, irritantemente, em continuar.  Algo pulsa - nem que seja um fiozionho de força- e te mantém.  Isso é o real. Isso é você. 
Nada do que você fez ou viveu foi drama - eu sei, entendo muito bem, também já estive nesse mesmo lugar. Você apenas quis parar a dor e, contradizendo o que quase todos pensam, sua meta sempre foi a sobrevivência. Isso é força e não fraqueza, isso é vida e não a morte. 
Mas, a confusão gerou a exaustão e a exaustão ligou-se ao desamparo que, por fim, encontrou o desespero. Ninguém nunca percebeu porque você sempre continuou seu sorriso, uma piada na ponta da língua e uma energia infindável - todas ferramentas de autoproteção.
Agora olhe ao redor, sente, descanse, respire: você ainda está aqui. A vida insiste em acontecer à sua volta. Você, guerreiro, continua. Toque seu corpo, você é real. Valide suas lágrimas- elas tem um fim. 
Nós,  TPBs, somos flores nascidas em terreno árido, pós guerra existencial. Por lutarmos em tantas batalhas pesadas, não existe algo que de fato consiga nos derrotar - a não ser nós mesmos... somos nossos próprios fantasmas graças a nossa autoimagem fragilizada.
Vamos continuar no "Só por hoje" - frase emprestada de outra irmandade,  primordial para nossa caminhada, e que muitos de nós conhece tão bem. Dê uma trégua ao seu sofrimento: aprenda técnicas de ancoragem, meditação, respiração, faça terapia, se necessário tome medicamento, cuide da alimentação, pratique exercícios, agradeça pequenas coisas e, principalmente, seja gentil, amável e acolhedor consigo mesmo.
No fundo, naquele fundo que ninguém vê, borderlines são apaixonados pela vida - muito mais do que as pessoas "comuns". O problema é que não nos ensinaram como fazer isso sem se perder na nossa intensidade. O aprendizado de uma vida nova é imprescindível para cura. Aprender implica em prática contínua, até que novas habilidades sejam adquiridas para, enfim, mudarmos o jogo. 
E, por último, não esqueça de construir e manter uma rede de afetos com pessoas que nos amem e aceitem como nós somos, afinal, a família de verdade quase nunca tem a ver com laços sanguíneo. 
Você não está sozinho. Boa vida pra você.
Obs: sou profissional de saúde mental e tento levar um abraço à quem sofre, mas também preciso ser abraçada porque, como TPB, preciso de conexões honestas e diálogos profundos. Falar sobre isso e ser escutada me dá forças pra continuar. Gratidão ⚘️ 

147

Lucidez brutal

(não sou monstro e menos ainda um projeto de salvação)

Nasci sem pele,
descascada,
nua de proteção
Meu sorriso infeccionava
todo dia...
ardia aqui,
queimava ali
até ter pus

Sons profundos 
cheiros adoeciam
sabores indizíveis 
e até desprezíveis
tudo era demais

Criava mundos de sonhos 
de Bicho-papão 
num modo sobrevivência 
à correnteza de confusão 

Cresci no furacão,
redemoinho de gente
tudo era forte, 
gritando, 
acontecendo,
sem um porquê
informações, todas juntas,
conflitando
com o fato de eu ser...
...ser o quê?....

A verdade-curto-circuito 
de intensidade,
num grande mar de sensações inundando as vidas que toquei
e, de verdade,
(eu sei) modifiquei 
naquele louco frenesi

Sucumbi ao vendaval 
tantas vezes!
Mergulhava na vida,
lambuzava as feridas,
criei, voei, cruzei marcas
e - me - marquei
foram inúmeras 
as vezes que enlouqueci
e chorei...como chorei

Estou cansada,
cansei de ser eu:
intensa e desperta
uma ilha deserta
uma peça quebrada
estragada
no meio de todo um mundo
que não sabe acolher

Minhas lágrimas pedem trégua 
já andei por tantas léguas 
que estou sem condição  
de lutar por todo o sempre
não quero que me temam
muito menos me salvem,
quero respirar sem dor, 
sem essa coisa de ser extrema
quero o vômito das mágoas 
e o perdão de um poema

Cacal 
2025

124

Instagram... (por que publicar o que é nosso?)

Uma cena, um cenário 
Um lugar só de nós dois, 
Uma memória construída 
No silêncio de uma noite fria...
Era íntima, era secreta,
Era escondidinha 
porque criava laços, 
Conexõe  entre nossas vidinhas...
E foi assim, sumindo, 
Deixando a magia se perder
Na exposição desnecessária

Pra você pode ser pouco,
Mas senti uma invasão...

Não fizemos um roteiro,
Mas um ninho,
Não atuamos no cinema,
Era só um pedaço de carinho

Em que eu brilhava na lembrança, 
Entre estrelas e planetas
Mas agora sou invisível, 
De novo...

Eu me vi ausente
Na memória que também era minha

Cacal 

102

Não confio

Não confio!
Não julgo,
mas não confio

Sempre tem algo,
tem coisas,
tem alguém,
tem mentiras,
indiferença,
abandonos,
dissabores...

Não confio!
Interajo,
mas não confio:
soltar as mãos,
saltar sobre seu ego,
pisar suas dores, 
ficar pra trás: é sempre fácil,
ser esquecida, apagada?
é mais fácil

Sozinha se vive:
não tem abraço,
não tem respostas,
não há visitas 
quando a febre vem,
mas é seguro,
previsível,
reconfortante saber
que não tem ninguém
Tem um quê de alívio não esperar

Não confio,
não aprendi a confiar
apenas
sigo...

2025

134

Comentários (6)

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Ademir domingos zanotelli.
Ademir domingos zanotelli.

Minha cara poetiza Carol Ortiz - quanto tempo.... menina ... até que enfim nos conectamos... seu texto é maravilhosamente contundente... como esta você.... está bem de saúde... está viajando muito.... me visite menina... estava com saudade de você no Escrita . org. vê se faz alguns poemas para nós.... manina já estou com 1.840 textos escritos. fui indicado para compor o pessoal de Poesias para as escolas Br. em outubro do ano passado.... vamos ver o que vai dar. abraços. é bom saber que estas bem... me visite aqui no site... Ademir o poeta. rsrsrsrsrsr. até mais.

ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli

Minha cara Poetisa. Carol Ortiz - teus texxtos poéticos , estou sempre a lelos - em lembranaças de Infância. e cheia de incertezas e de amores... cortados em pedaços certos e errados. a infância ainda é de lembranças alegres. mesmos com sonhos não realizados. a não ser é claro quando sofremos violencias intimas. abaços de seu seguidor ademir.

Olá Carol Poetisa... Boa noite, certamente este mundo não é tão banal... mas os anjos de Istambul ...voam em formas de arco-iris na plenitude de teu imaginário poético. felicidades.

Olá Carol Poetisa.... Boa noite.... certamente que marte é por aqui , seu jeito de esquecer e poético. abraços. de seu sempre admirador. ademir.

Minha Cara e Grande Poetisa.... seus contos e poesias, são deslumbrantes, menina você é demais , me sinto bem pequenino no que tuas mãos escrevem. felicidades. e muitos amores seus versos irão conquistar. abraços e sejas muito feliz.

Nasci em Campinas, SP. Morei em muitos lugares e voltei para mesma cidade para envelhecer. Sou casada e mãe de cachorros e crianças que precisem de colo. Essas poesias foram escritas durante toda a minha vida e em épocas diferentes. Algumas foram publicadas em coletâneas e outras não. Para quem gosta e quer passar u tempo em contato com a literatura, boa leitura :)
Se quiserem se corresponder, e-mail: cacal.ortiz@hotmail.com (posso demorar para responder, mas sempre respondo). Acessem meu canal no youtube sobre livros:
 https://www.youtube.com/channel/UCOj_DssoWp0_1HO7VCXgRcA?view_as=subscriber