Lista de Poemas

AQUELE QUE NÃO É

Sou aquele que não é,
Buscando da vida o que não sei.
Talvez eu seja um mané,
Pensando ser um rei.

Perdido em mim, sofro,
Caio e não me levanto,
Queda sobre queda,
Nunca para o meu pranto.

Não sou, existo?
Penso? Talvez.
Pouco insisto,
Nunca chega minha vez.

Pouco a pouco, nada a nada,
Espectro de minha pessoa,
Sem mostrar outra camada,
A voz cala, o tempo? Esse voa...
97

AS MELHORES HORAS

Posso dizer de ontem,
Que foram as melhores horas
Aquelas que fiquei com você.
Descobri que, além de bela,
Vale muito te conhecer.

O que foi aquilo,
Não sei dizer,
Foi o que foi,
É melhor nem saber.
No fundo eu sei bem,
Algo bom pode nascer.

Amor? Talvez...
Uma paixão? Certamente...
Tomara que tenha futuro,
Plantamos a semente.

Foi muito louco, eu sei,
Nem queria nada igual,
Eu acho que me enamorei,
E foi sensacional.

Quero ver-te de novo,
Quantas vezes forem,
Quero abraçar seu corpo
E sentir seu gosto
Num beijo lento e saboroso.

Nos vemos por aí,
Um dia desses qualquer,
Espero que não demore,
Me liga quando puder...
77

SEM INTERESSE

Não me interesso
Pelo que pensa de mim,
Desde já vou embora,
Termino tudo assim.

Não me interesso
Por suas decisões,
Faça tudo o que quiser,
Machuque outros corações.

Não me interesso
Se você chora ou não,
Sei que é tudo falso,
Uma bufa encenação.

Não me interesso
Nada mesmo por você,
Que tanto me enganou
E me fez sofrer...
106

E VOCÊ, MEU AMOR?

Mas e você, meu amor,
Por onde tem andado?
Sumiu de minha vista,
Nunca mais ficou ao meu lado.

Sobrei no meio do nada,
Perdido no escuro,
Onde sou quase uma sombra
Projetada em um muro.

Te procuro, estou doente,
Não tenho a menor força,
Mas à custa me levanto,
Apoiado no meu sentimento.

Vem, estou esperando,
Minhas pernas fracas,
Não estão me sustentando,
Meus pés, pisam em pontas agudas
Como pontas de facas.

Preciso de você,
Assim como de alimento,
Não é possível viver,
Esse longo distanciamento...
67

SÃO OS PORCOS...

São os porcos
Que estão ao meu lado,
Chafurdando na lama,
Me deixando atordoado.

Me arrastam para o barro,
Tentam me afundar,
São tão simpáticos,
Mas querem me derrubar.

Quanto mais eu me afasto,
Mais eles vêm me perturbar,
São podres, falsos,
Fazem de tudo para roubar.

Comem lavagem em seus cochos,
Arrotam champanhe e caviar.
Parecem tão puros,
São imundos ao se juntar.

Seu sorriso é escárnio
Sua boca cheira mal,
Um hálito podre,
Coisa sem igual.

Fingem ser o que não são,
Prometem fazer o que não fazem.
Vendedores de ilusão,
Usam Deus como camuflagem.
95

COMO PODE?

Me faz de besta o tempo todo,
Esconde toda a verdade,
Beija outro pelos cantos,
Depois me sorri com falsidade.

Anda pelos bares dessa vida,
Procurando o prazer,
Depois vem para mim,
Quando se sente perdida.

Como pode agir assim?
Vive como louca,
Um poço sem fundo,
Onde cai sem perceber.

Eu, com todo carinho,
Te recebo, cuido de suas feridas,
Em meus braços te faço um ninho,
Mas, quando melhora, some.

Eu, sozinho, choro,
Porque sou um tolo,
Acredito que um dia
Acabo com essa loucura.

Mas ela já não se acaba,
É minha também.
Somos dois loucos,
Não amamos ninguém...
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AI QUE COISA TOSCA!

Eu não me conformo!
Impossível acreditar,
Como pode uma pessoa
Assim se sujar?

Por quase nada fez estrago,
Foi mentirosa demais,
Espalhou tanta bobagem,
Afundou-se na sua própria lama.

Fez todo mundo de otário,
Foi cara de pau,
Disse que seria diferente,
Mas fez tudo como o normal.

E agora quer confiança?
Pode ficar querendo!
De minha parte não terá nada,
Estarei me defendendo.

Nem aparece por aqui,
Me cansei de ser um trouxa,
Minha vida está se acabando,
Posso ter algum enrosco.

Age sem nenhum amor,
É vazia de sentimentos,
Oca da cabeça aos pés,
Quer impor seus pensamentos.
117

CANSADO...

Estou cansado de tanto lamentar,
Acho que agora preciso,
É me movimentar,
Ser mais ativo.

Não gosto mais de ouvir lamentos,
Nem de quem eu amo,
Muito menos de quem odeio,
Vão embora, seus lazarentos!

A vida não é assim,
Muito menos é assada.
Se tá ruim para mim,
Também está para a moçada.

Então luta, que vale a pena,
Deixa de lado essa choradeira,
Se ficar muito tempo deitado,
Pode crer que empena.

Estou cansado, mesmo,
De agora em diante vou descansar.
Procuro me distrair um pouco
Tentando trabalhar.

E se nada der certo,
Nem posso reclamar,
O tanto que esperei,
Dei sorte em não me findar.
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MIL DEFEITOS

Sei que tenho mil defeitos,
Foi o que consegui contar,
Mas todos eles eu aceito,
Não tento escamotear.

Sou falho, admito,
Às vezes estourado,
Dizem que sou teimoso,
E também desleixado.

Eu tento ser diferente,
Um cara melhorado,
Mas essa vida da gente,
Me bagunça um bocado.

Fico fulo nas tamancas,
Quando me dizem vagabundo,
Escrever é coisa séria,
A coisa que mais amo nesse mundo.

Abandonei o perfeccionismo,
Desse mal eu me livrei,
Hoje sou menos chato,
Pois assim vivo bem.

Mas eu não fico nessa coisa
De remoer tais defeitos,
Eles estão todos aí,
Compõem o meu jeito.
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VOU BERRAR UM PALAVRÃO!

Vou berrar um palavrão,
Mas aqui não dá para ser,
Então mantenho o padrão
Para não te aborrecer.

É que hoje está difícil,
O computador está lento,
Parace que movido a manivela,
Um enorme tormento...
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Comentários (2)

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celso ciampi

Obrigado!!

ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli

Perfeito. parabéns. poeta . muito digno de se ler tal texto poético.