Lista de Poemas

PISA EM MIM!

Pisa, com esses pés delicados,
Nesse corpo que é seu.
Ele já está dilacerado,
Por tudo que não me deu.

Mas pisa com toda força,
Esmaga com vontade,
Não deixe sobrar nada,
Me deixe em liberdade.

Faz um sapateado,
Pule em cima do resto.
Faça de mim um bolo deformado,
Bastante indigesto.

Depois jogue tudo fora,
Me coloque no esgoto,
Onde nem os ratos vão querer
Sentir o meu gosto.
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DESCONTROLE

Quase me perdi,
Querendo te encontrar,
Quando encontrei,
Que vontade de chorar.

Você estava linda,
Vestida como uma deusa,
Vi que era feliz,
Voltei, com certeza.

Casada com outro,
Como isso me doeu!
Caí do meu cavalo,
Chorei, meu amor se perdeu.

Descontrolado, me entreguei,
Desci ao fundo de um poço,
Desolado lá fiquei,
Doído, quase morto.

Seu amor me faz falta,
Sei que pode ser loucura,
Será a melhor delas, pois,
Somente ele me cura.
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UM DIA É POUCO

Só um dia?
Mas é tão pouco!
Para celebrar a mulher,
Esse encanto barroco.

É feita de matéria nobre,
Que só Deus pode moldar,
Faz feliz o pobre,
Que tem para onde voltar.

Uma doce alegria,
Carinhosa desde sempre,
Amiga e companhia,
Que acalma a gente.

Desprendida de suas coisas,
Se doa aos seus amores,
Faz da vida uma oferenda,
Dos mais belos sentimentos.

Mas dedicam a você um dia,
Um mísero diazinho qualquer,
Como se isso fosse muito,
Para te homenagear, mulher.
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NÃO VOLTO

Saio daqui para outro lugar,
Dou um passo
Para me soltar,
Mas não ando muito,
Tenho vontade de voltar.
Fico parado no caminho,
Me ponho a pensar,
Em um instante me revolto,
Cansei de te amar,
Digo a mim: "não volto!".
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NÃO TENHO QUE ATURAR!

Tem dias que nem te falo,
As pessoas me fazem raiva,
Eu não me calo,
Pois não tenho que aturar!

Individualistas, assim é essa gente,
Só pensam nos seus umbigos,
Por um pouco de nada,
Fazem coisas indecentes.

Culpa das redes sociais?
Não, eu creio,
Culpa desse mundo cão,
Que valoriza, miseravelmente,
As pessoas quem têm mais!

Pisar em pessoas para subir
Virou coisa normal.
"Sai da frente, seu besta,
Por que sou especial!"
É assim de segunda a sexta,
Não perdoam nem o Natal,
Se acham fazedoras
De trabalho especial.

Sabem de nada, os inocentes,
A vida corre mesmo aqui fora,
Onde as contas chegam
E não dá para desligar e ir embora.

Postam coisas absurdas,
Fingem ser o que não são,
Mentem com a cara dura,
Fazem mesmo um papelão.
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UMA VEZ MAIS, NÃO!

Chega! Não terá outra chance!
Cansei de suas mentiras,
De ser seu coadjuvante,
Preso nessa ilha.

Eu não quero mais essa vida,
Por tanto tempo te perdoei,
Enquanto isso, querida,
Na lama afundei.

Já estou quase morto,
Respiro com dificuldade,
Nesse relaciomento torto,
Não somos nem metade.

Está livre, me liberte também!
Se pensa que isso é amor,
Então não ama ninguém,
Tem espírito enganador.

Parei com você,
Recaída nem pensar,
Encontrei outro caminho
E nele vou andar.

Quantas vezes foi injusta.
Uma vez mais, não!
Eu não sou um fantoche
Que está em sua mão.
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EU, COMIGO E MAIS NINGUÉM

Eu estou só, mas não totalmente,
Tenho boa companhia,
A melhor e mais prudente,
Ando comigo, meu melhor amigo.

Sei do que eu gosto,
Também sei que tenho falhas,
Me protejo dos males,
Fechando minha boca.

Já tive muitos amigos,
Quase todos eram falsos,
Quando deles precisei,
Sumiram, nem abraços.

Aprendi que a amizade
Deve ser coisa bem sincera,
O amigo de verdade
Tem palavra bem honesta.

Por isso ando só,
Com meus pensamentos,
Eu acho bem melhor
Do que com maus elementos.
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QUEBRANDO DITOS

Água mole em pedra dura,
Sei lá se fura...
A pedra pode cair,
Ou nem ser assim tão dura.

Águas passadas não movem moinhos,
Só os que já foram movidos,
Porque rio abaixo,
Outros existem pelo caminho.

Carro de boi só canta bem apertado,
Mas se não tiver boi,
Com certeza, fica bem calado,
Eu, canto melhor aliviado.

Filho de peixe, peixinho é,
Mas se não souber nadar,
Se afoga até de pé.
Melhor nem se molhar!

Pau que dá em Chico, dá em Francisco,
Mas se o pau quebrar,
Correm os dois tão rápido,
Quanto um corisco.

E se a canoa não virar, eu chego lá,
Só não sei em que lugar,
Pode ser em Minas ou no Ceará,
Melhor um colete salva-vidas eu usar...
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A TERRA É PLANA

A Terra é plana,
De bordas infinitas,
O horizonte sempre curvo,
É o ponto de partida.

As montanhas, ilusões,
O Globo não gira,
Lá no fim há uma cachoeira,
E a água toda expira.

Cai no espaço a danada,
Depois vem outra chuva,
É a água que se forma,
Em meio à via turva.

Que bobagem, meu irmão,
Acorda para a vida,
Essa coisa de Terra plana,
É pura invenção.

O horizonte nunca chega
Porque ele é infinito,
Quanto mais você progride
Mais longe ele fica.

E a água do Oceano,
Que reflete o azul do céu,
Não termina em cascata,
O que seria bem cruel.
Vem do rio que lá deságua,
Depois de descer o morro.
E a chuva que se forma,
É por sua evaporação.

É coisa de gente tola,
Acreditar que a Terra é plana,
Uma grande criação
De uma gente que te engana...
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EU ACREDITO!

Posso crer no meu caminho,
Nele eu ando seguro,
Seja apressado, ou devagarinho,
Não me sinto em apuros.

Creio que Deus é o meu guia,
Sem ele estou perdido,
Por vezes Ele me coloca
Em um caminho não escolhido.

Mas descubro lá no fundo
Que era o caminho certo,
Se estou nesse mundo,
Para alguma coisa eu presto.

Então vou em frente,
Me capacitando,
Qualquer coisa que aprendo
Está me melhorando.

De olhos abertos
E coração feliz,
Sei que Seus caminhos são os certos,
É minha fé quem me diz.
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Comentários (2)

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celso ciampi

Obrigado!!

ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli

Perfeito. parabéns. poeta . muito digno de se ler tal texto poético.