Celso Freitas

Celso Freitas

n. 1960 US US

Sou uma pessoa que admira literatura e arte.

n. 1960-03-25, Taubaté SP

Perfil
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Novo tempo

Da minha janela eu vejo a rua
Tão apagada e desfigurada
Dormindo no leito da noite fria
Em meio ao silencio da neve
Açoitada pela ventania

Da minha janela não vejo nada
Nada que o inverno peça desculpas
Nada que o silêncio sinta remorsos
Só vejo as minhas lembranças
Dos meus tempos de criança

Da minha janela eu vejo algo
A noite se despedindo do sol
Árvores secas profetizando
O despontar da primavera
Um novo tempo, uma nova história
Ler poema completo

Poemas

68

Agua vertical

Essas  aguas  silentes
Caindo  deliciosamente
Impregnando  minha noite
Com chuvisco  vertical
Na  vidraça  abstrata
Escondendo a rua mística
De  terra  molhada
Com  cheiro  noturno
Na  quietude  deslumbrante
Que  paralisa  a  presa
E  arrebata  a  alma
São  borbulhas  passageiras
São  nuvens  que  não  se  vêem
São  aguas  que  não  voltam
358

Beleza outonal

As folhas caem dos braços da mãe
E despedem-se da beleza outonal
Despencam-se  elegantemente
Num vôo simulado de alegria
Numa despedida delicada
Arrastadas pela simples beleza
Seduzidas na inocente leveza
Ao doce balanço da gravidade
Ao suspiro frio da nova estação
E voltam submissas ao mesmo chão
Ao mesmo útero que as fez nascer
A mesma matriz que as fez crescer
335

INFINITO & SUPREMO

Tua existência explica
Descomplica, simplifica
Encontra, acha
Absolve e resolve
Resgata e levanta
Tua existência esvazia
Decentraliza  e  centraliza
Se derrama  e  compartilha
Sacrifica, aromatiza
Caminha  a  segunda  milha
Tua  existência  julga
Governa  e  moraliza
Quebra o julgo e teocratiza
Faz justiça  e  destroniza
Traz a paz  e  realiza
270

espinho do tempo

Enquanto o abraço da noite
Sorrateira chega novamente
E passam  as horas vorazmente
Eu fito meus olhos nas  estrelas
Enquanto  cai o orvalho nas flores
Das lembranças tuas os labores
E nas saudades minhas os amores

Do ritmo mecânico das horas
Uma máquina e um coração
Imaginam qual a  emoção
No teatro da vida o momento 
Que no espinho do tempo a dor
Colhe como recompensa a flor
A sorte da espera um amor
350

NOSSO RETRATO

Eu contemplo  coisas e objetos
No silencio desse quarto abstrato
E me deparo com nosso retrato
Ainda firme e intacto
Desafiando as mudanças  do tempo
Com aqueles  rostos
Com aqueles olhares
Embebidos de sonhos e paixão
Ressuscitando historias  e segredos
Dos bastidores do tempo
Com mascaras do passado
Peças  vivas  do palco da vida
Amortecidos pelos anos
E sepultados no coração 
Enquanto observo nosso retrato
Com a beleza imaginativa
Vou  extraindo  o néctar
Das flores que juntos plantamos
Na força  da  juventude
Que pode  adoçar  nossa realidade
E decifrar o  indecifrável
Perceber que tinhamos   felicidade
E esbanjávamos   ingenuidade
A qual não podíamos  arrancar
Da razão lógica nossa unidade 
A coragem aventureira  nossa paixão
Porque  o  script  de nossa  vida era um sonho
E o que ficou atrás   são lembranças
O que pesa hoje são saudades
O que permanece é o amor
158

Leveza d'alma

Que descanso de alma
Essa felicidade
De asas tão brancas
Tão leves
Tão soltas

Que viagem tão calma
Essa lembrança
Ecoando do passado
Tão distante
E tão perto

Que segredo tenho na palma
Essa firme calma
Como pluma ao vento
Tão envolvente
Tão inocente
Sunday, March 13, 2020
162

comtemplação

Naquela curva da estrada
Sofisticada, serena
  Divina
 Sentei me e chorei
     Ao ver a longitude
Azul, opaca, secreta
   E cobalto
    Do horizonte.
    Cores que não mentem
Ventos que não voltam
     Sentimentos que não traem
    A  força de todo verde
     Contemplação, solitude.
     Nuvem bonita
     Nem chuva, nem sol
   Muita calma
     Águia  navegando
Vento, geometria, balanço.
Perfeição
 Inveja, vontade!
318

Potencial inimigo

Nosso inimigo mora dentro de nós
Multiplicado e potencializado
Um tirano que detém o poder
O lobo do nosso homem
Um manipulador indetectável
Que  devora  a presa enquanto dorme
Enquanto a vida corre solta
Ele é o clone do eu verdadeiro
O oposto dissimulado da autenticidade
O sangue suga da divina imagem
Por isso somos vencidos
Pela sabotagem das aparências
Pela  futilidade das ilusões 
Prisioneiros da procrastinação
Ignorantes do nosso propósito
Do sentido da nossa transcendência
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Comentários (2)

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fernandoarroz

belê

gioliveira

Muito bom! Gostei