Celso Freitas

Celso Freitas

n. 1960 US US

Sou uma pessoa que admira literatura e arte.

n. 1960-03-25, Taubaté SP

Perfil
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Novo tempo

Da minha janela eu vejo a rua
Tão apagada e desfigurada
Dormindo no leito da noite fria
Em meio ao silencio da neve
Açoitada pela ventania

Da minha janela não vejo nada
Nada que o inverno peça desculpas
Nada que o silêncio sinta remorsos
Só vejo as minhas lembranças
Dos meus tempos de criança

Da minha janela eu vejo algo
A noite se despedindo do sol
Árvores secas profetizando
O despontar da primavera
Um novo tempo, uma nova história
Ler poema completo

Poemas

68

FRUTO DA ESSÊNCIA

Pensar poema
É extrair o sumo
Da beleza da fruta
Cuja essência
Esconde o misterioso aroma
Suave e doce
Lido pelos olhos do coração

Pensar poema
É viajar fora de si mesmo
Alçar as velas
Em aguas desconhecidas
É festejar a chegada
Em território estrangeiro
344

lembranca nostálgica

   Me lembro daquela manhã ofuscada de neblina

   Mergulhada no cheiro agreste da natureza

   Tão cheia de algo místico inexplicável

    De ar fresco engolfado de humidade

  
   Caminhos de terra, árvores e burbulhos de águas

   Envoltos numa quietude que não era silêncio

   Misturado de nostalgia. De saudades

   De sol sem brilho. De lugar quase sem gente


   Era uma sinfonía de sensacões entrelaçadas

   Comtemplando o azul cobalto cintilante

   Das asas da libélula no limbo esverdeado

   Da pedra polida nas aguas espumantes


   A estrada solitária rodeada de topografias

   De encontros abruptos de rochedos e barrancos

   Mostrando desencontros geométricos graciosos

   Entre os vales cortados de águas corrediças


   Do silencio quebrado no estatalar do bambuzeiro

   Pássaros, insetos e animais soltando a voz

   Da brisa suave trazendo lembranças

   De um passado que o tempo levou


170

Rota 21

Nunca deletei do meu arquivo de recordações, os melhore momentos 
daquelas noites frisadas de  inverno no estado de New Jersey, quando eu adorava ouvir
no silencio do meu quarto um som incrivelmente melodioso. Era o som do trem do
metrô parando nas estações paralela a rodovia da rota 21, há poucas quadras de minha casa.
Ele vinha de longe, todo místico e exuberante rompendo a noite em cima de
uma plataforma de ferro muito alta, onde jaziam postes de luzes ofuscadas pela
neblina da neve que caia suavemente.
Aquele som, ecoando entre as brisas geladas da solidão escura, vinham como camadas
de música imperceptível a serem decodificadas e desfrutadas num contexto poético.
Sua chegada suave no subway contrastava com o fundo ritimado de dezenas de rodas
freando lenta e calculadamente.
Parecia a galopagem cadenciada de uma tropa enorme de cavalos de aço rasgando
a paisagem urbana engolfada  na noite.
Cada vez que isso acontecia eu ficava bem concentrado com a sensacao única
de não querer perder nenhuma  fração do espetáculo. Em meu leito eu começava
absorver avidamente a quebra desse silencio embebido de expectativas que não durariam 
mais que cinco minutos.
Meus sentidos eram então capturados pela imagem orquestrada da
harmonia nostálgica que fluía desse efeito sonoro ritimado, produzido pelo atritar
de ferro com ferro, soprar do vento, nevoeiro e alguma voz humana..
Era uma transferência  espaço temporal de presente e passado, de real
e imaginário totalmente sincronizados. Um fenômeno do sentimento
que me transportava simultaneamente para uma outra viagem. A viagem no trem da
memória. Lembranças etéreas subtraídas da coreografia abstrata do passado
ativado pelas saudades. Saudades imortalizadas que esse fenômeno faz reviver!
                 
140

Rua Enigmática

Na escuridade da noite
Conversando com a solidão
Que me invade suavemente
Trazendo aquelas saudades
Enquanto o ruído de um carro
Lá fora na rua enigmática
Me ajuda pensar um poema
Recalcada por lembranças
Daquela voz tão meiga
Daquele olhar tão lindo
Cujos momentos se foram
Nos segredos do vento
E eu aqui contando estrelas
Restando apenas o aroma
Das flores que não posso colher
Do amor que não posso viver

 
132

Seu urso hibernado


Seu potencial dorme enquanto você dorme
Ele vive em você como um urso hibernado
No inverno rigoroso da sua zona de conforto
Ele é a sua oportunidade perdida
A força escondida, a luz não acendida
O livro não escrito, a musica jamais cantada
Ele é o todo não vivido em plenitude
Ele é o máximo suprimido e excluído
Tesouro escondido no baú do comodismo
E da satisfação com a obviedade
Ele é o destino desviado pela livre escolha
Alimentada pelo desconhecimento do propósito
E ele é o que você poderia ser mas não será
Poderia fazer mas não fará
A menos que você acorde para a realidade
Valorize a substancia infinita do seu eu
E aprenda a ouvir a voz da sua origem
Tão cheia de riquezas não exploradas!
179

SONHOS AQUÁTICOS

Deixa me pensar poema
Com esse teu silêncio
De  chuva noturna
Escorrendo na vidraça
Querendo e não querendo
Revelar me os segredos
Mas eu arrisco um pensamento
Em que essas gotas compõem
Dessa melodia calada
Que respinga nas lembranças
Dos meus tempos de criança
Cheiro das águas que passaram
Vozes de gente que sumiram
Embrulhados na inocência
Acariciados pela brisa
Da lama amassada
Na enxurrada da velha rua
Envoltos na alegria
Que não é minha e nem sua
131

Sentimento sufocado

Enquanto aqui dentro
Submerso no aconchego
Dessa madrugada entrelaçada
Em lembranças e saudades
Inusitadamente ouço o barulho
Vindo de uma rua distante
Onde um automóvel velho
Vai dissolvendo seu ruído rouco
Entre os ecos fragmentados
Nas esquinas vazias
Nas recâmaras empoeiradas
De um passado distante
A historia de dois olhares
Que um dia se cruzaram
Num instante de magia
Seguido de uma despedida
Não programada, não terminada
Sem qualquer palavra
Sem um aperto de mãos
Apenas um olhar
Olhar eterno
Olhar sofrido
Olhar perdido
151

Vinho incubado

           Neste canto da poesia
           Eu saco as rolhas
           Das garrafas desconhecidas
           Do velho vinho incubado
           Do subsolo do meu eu
                    
           Nesse refugio tão distante
           Terra que não é de ninguem
           Onde o tempo vive frisado
           Eu me isolo desse mundo
           E mato o tempo matutando
                     
           Nesse auto exilio não programado
           Idéias morrem e ressucitam
           Sacodem a poeira da cortina
           Fazem castelos do inusitado
           E celebram a autenticidade
                        
137

Sonho fugaz

Navegar em meio as aguas
Nesse mar tranquilo ondulado
Isolado do mundo que só eu
Pensar do meu sonho fugaz
Ouvir  das ondas uma voz
Arrastada por caracóis
Entre brisas e lembranças
Com esse  cheiro de solidão voraz
Que nas cálidas noites sem lua
Do triste momento o meu anseio
Ser acariciado por tua mão nua
132

Olhos castanhos

Nessa minha janela eu sonho
E com a boca desses olhos castanhos
Vou devorando a fruta madura
Doce como os poemas da vida
Enquanto no céu alaranjado
Vejo um avião branco sumindo
Riscando segredos esquecidos
Então olho pra baixo e sinto saudades
Dos ruídos inocentes de criança
Brincando aos últimos raios de sol
Os pássaros voltando ao ninho
E um trem apitando perto das casas
Enquanto luzes vão se acendendo
E os cenários se rendem
À noite onde as pessoas se recolhem
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Comentários (2)

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fernandoarroz

belê

gioliveira

Muito bom! Gostei